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Ano VI - Nº 91 - Outubro de 2004
 

EM HARMONIA
A fisioterapia equilibrando a
vida dos odontologistas

André Falconi*

 

“O trabalho dignifica o homem.” Esta máxima é verdadeira até o ponto em que esbarra na solidão do trabalho, incerteza no futuro, desgaste físico devido ao ritmo intenso e jornada prolongada de trabalho, competitividade do mercado, cobrança de produtividade, retorno financeiro menor do que o merecido e falta de ética levando à insatisfação profissional. Estes fatores estão entre os mais citados pelos odontologistas para justificar o estresse provocado pela profissão.

O estresse por sua vez provoca aumento na produção e consumo de energia, sensação de desconforto e tensão, aumento da pressão arterial, velocidade da respiração, freqüência cardíaca e níveis de glicose e adrenalina no sangue. As ondas elétricas cerebrais ficam mais rápidas e irregulares, os músculos mais tensos e as manifestações emocionais mais aguçadas.

Toda essa tensão é geralmente canalizada para o sofrimento como dores de cabeça e/ou musculares, azia, insônia, ansiedade, palpitação e doenças como diabetes, hipertensão, infarto, tendinites, depressão e úlcera péptica. Esses sintomas podem ser agravados por outros fatores relacionados a má qualidade de vida dos odontologistas, tais como:

  • Má postura – as posturas incorretas e antinaturais exigidas pelo trabalho, que não respeitam a posição anatômica e as relações naturais dos segmentos do corpo, constituem um importante problema ocupacional para os odontologistas. Eles são obrigados, pela posição de trabalho e pelo dimensionamento do mobiliário, a realizar movimentos freqüentes de flexão de tronco e pescoço, rotação do ombro, abdução dos membros superiores, flexão e extensão de punho, trabalho dos membros superiores sem apoio por muito tempo. Essas posturas são mantidas durante toda a jornada de trabalho favorecendo o surgimento de cefaléia tensional, dores lombares, esforço anormal em diversas partes do corpo;

  • Falta de atividade física regular – a imobilidade relativa à qual os odontologistas ficam expostos durante o trabalho, associada ao sedentarismo, agravam as perturbações circulatórias e o estado geral da saúde dos odontologistas;

  • Falta de ergonomia nos consultórios – com freqüência, a forma real de trabalhar é distinta da prevista pelos desenhistas técnicos dos equipamentos, desta maneira o odontologista é a variável que se adapta aos erros e atrasos do processo de desenvolvimento e fabricação; este fator contribui significativamente para o uso forçado de grupos musculares e também para a manutenção forçada de posturas incorretas. Existe portanto a necessidade de uma intervenção ergonômica no ambiente de trabalho, visando o bem-estar tanto do profissional quanto do paciente;

  • Fatores biomecânicos inadequados – a realização de movimentos repetitivos, rápidos, sem período de repouso e que necessitam de precisão levam, com o passar do tempo, ao “desgaste” e à compressão mecânica de estruturas como músculos e fáscias musculares, tendões, ligamentos, vasos sangüíneos, articulações e nervos. A repetitividade dos movimentos é encontrada em procedimentos como raspagem corno-radicular, confecção de aparelhos ortodônticos, manobras de instrumentação manual de condutas radiculares na Endodontia e de polimerização nas restaurações, entre outros. Além disso, o uso de luvas dificulta o movimento das mãos, a sensação tátil e a noção do uso de força; e mais, os movimentos vibratórios contínuos e cumulativos presentes na manipulação de instrumentos elétricos e pneumáticos contribuem para o aparecimento de vários problemas vasculares e neuromusculares dos membros superiores.

A associação dos itens citados anteriormente aumenta a exposição dos odontologistas a DORT/LER.

A prevenção e o diagnóstico precoce são importantíssimos, pois uma vez negligenciadas atitudes que possam prevenir o desenvolvimento da patologia, esta pode causar diminuição da produtividade e até mesmo incapacidade permanente.

Dicas para melhorar a qualidade de vida:

  1. Relaxar durante alguns momentos do dia, independente dos problemas, circunstâncias ou preocupações

  2. Pausas regulares entre os atendimentos

  3. Dedicar-se a atividades relaxantes como exercícios físicos, leitura, jardinagem, música, dança, etc.

  4. Realizar atividades terapêuticas voltadas prioritariamente para o relaxamento, como massagens

  5. Realizar sessões de alongamento freqüentemente para aliviar a carga de tensão muscular

  6. Alimentação balanceada e boa hidratação

  7. Realizar atividades físicas regulares e bem orientadas

  8. Dormir bem

  9. Evitar o tabagismo, uso excessivo de bebidas alcoólicas, automedicação e drogas psicotrópicas


*André Luiz Falconi Segalla( CREFITO: 34762/F) é graduado em Fisioterapia pela Unesp, diretor do Setor de Fisioterapia da Clínica Corpore, unidade Ribeirão Preto (SP); fisioterapeuta da Equipe Olympikus São Caetano de Atletismo, 2000/2001; fisioterapeuta da Equipe Vasco da Gama de Atletismo, 2001/2002; formação em Iso-Stretching e Bolas Suíças. E-mail: andrefalconi@ig.com.br

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