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“O trabalho dignifica o homem.” Esta
máxima é verdadeira até o ponto em que esbarra na solidão do trabalho,
incerteza no futuro, desgaste físico devido ao ritmo intenso e jornada
prolongada de trabalho, competitividade do mercado, cobrança de
produtividade, retorno financeiro menor do que o merecido e falta de ética
levando à insatisfação profissional. Estes fatores estão entre os mais
citados pelos odontologistas para justificar o estresse provocado pela
profissão.
O estresse por
sua vez provoca aumento na produção e consumo de energia, sensação de
desconforto e tensão, aumento da pressão arterial, velocidade da respiração,
freqüência cardíaca e níveis de glicose e adrenalina no sangue. As ondas
elétricas cerebrais ficam mais rápidas e irregulares, os músculos mais
tensos e as manifestações emocionais mais aguçadas.
Toda essa
tensão é geralmente canalizada para o sofrimento como dores de cabeça e/ou
musculares, azia, insônia, ansiedade, palpitação e doenças como diabetes,
hipertensão, infarto, tendinites, depressão e úlcera péptica. Esses sintomas
podem ser agravados por outros fatores relacionados a má qualidade de vida
dos odontologistas, tais como:
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Má postura –
as posturas incorretas e antinaturais exigidas pelo trabalho, que não
respeitam a posição anatômica e as relações naturais dos segmentos do
corpo, constituem um importante problema ocupacional para os
odontologistas. Eles são obrigados, pela posição de trabalho e pelo
dimensionamento do mobiliário, a realizar movimentos freqüentes de flexão
de tronco e pescoço, rotação do ombro, abdução dos membros superiores,
flexão e extensão de punho, trabalho dos membros superiores sem apoio por
muito tempo. Essas posturas são mantidas durante toda a jornada de
trabalho favorecendo o surgimento de cefaléia tensional, dores lombares,
esforço anormal em diversas partes do corpo;
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Falta de
atividade física regular – a imobilidade relativa à qual os odontologistas
ficam expostos durante o trabalho, associada ao sedentarismo, agravam as
perturbações circulatórias e o estado geral da saúde dos odontologistas;
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Falta de
ergonomia nos consultórios – com freqüência, a forma real de trabalhar é
distinta da prevista pelos desenhistas técnicos dos equipamentos, desta
maneira o odontologista é a variável que se adapta aos erros e atrasos do
processo de desenvolvimento e fabricação; este fator contribui
significativamente para o uso forçado de grupos musculares e também para a
manutenção forçada de posturas incorretas. Existe portanto a necessidade
de uma intervenção ergonômica no ambiente de trabalho, visando o bem-estar
tanto do profissional quanto do paciente;
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Fatores
biomecânicos inadequados – a realização de movimentos repetitivos,
rápidos, sem período de repouso e que necessitam de precisão levam, com o
passar do tempo, ao “desgaste” e à compressão mecânica de estruturas como
músculos e fáscias musculares, tendões, ligamentos, vasos sangüíneos,
articulações e nervos. A repetitividade dos movimentos é encontrada em
procedimentos como raspagem corno-radicular, confecção de aparelhos
ortodônticos, manobras de instrumentação manual de condutas radiculares na
Endodontia e de polimerização nas restaurações, entre outros. Além disso,
o uso de luvas dificulta o movimento das mãos, a sensação tátil e a noção
do uso de força; e mais, os movimentos vibratórios contínuos e cumulativos
presentes na manipulação de instrumentos elétricos e pneumáticos
contribuem para o aparecimento de vários problemas vasculares e
neuromusculares dos membros superiores.
A associação
dos itens citados anteriormente aumenta a exposição dos odontologistas a
DORT/LER.
A prevenção e
o diagnóstico precoce são importantíssimos, pois uma vez negligenciadas
atitudes que possam prevenir o desenvolvimento da patologia, esta pode
causar diminuição da produtividade e até mesmo incapacidade permanente.
Dicas para melhorar a qualidade
de vida:
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Relaxar durante alguns
momentos do dia, independente dos problemas, circunstâncias ou
preocupações
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Pausas regulares entre os
atendimentos
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Dedicar-se a atividades
relaxantes como exercícios físicos, leitura, jardinagem, música, dança,
etc.
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Realizar atividades
terapêuticas voltadas prioritariamente para o relaxamento, como massagens
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Realizar sessões de
alongamento freqüentemente para aliviar a carga de tensão muscular
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Alimentação balanceada e boa
hidratação
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Realizar atividades físicas
regulares e bem orientadas
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Dormir bem
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Evitar o tabagismo, uso
excessivo de bebidas alcoólicas, automedicação e drogas psicotrópicas
*André Luiz Falconi
Segalla( CREFITO: 34762/F) é graduado em Fisioterapia pela Unesp, diretor do
Setor de Fisioterapia da Clínica Corpore, unidade Ribeirão Preto (SP);
fisioterapeuta da Equipe Olympikus São Caetano de Atletismo, 2000/2001;
fisioterapeuta da Equipe Vasco da Gama de Atletismo, 2001/2002; formação em
Iso-Stretching e Bolas Suíças. E-mail:
andrefalconi@ig.com.br |