artigos.gif (4386 bytes) logjornal.gif (4234 bytes)

Ano V - Nº 65 -Abril de 2003 - 2ª Quinzena


A universidade e sua responsabilidade social


Benedito Barraviera*


beneditoint.jpg (7021 bytes)

 

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), assim como as principais universidades brasileiras, é constituída do tripé ensino, pesquisa e extensão. Trata-se de um conjunto harmônico e indissociável, pois é impossível trabalhar numa dessas áreas sem estabelecer parcerias com as outras. A composição equilibrada deste tripé permite a formação não apenas de melhores profissionais, mas também de indivíduos capazes de exercer a cidadania plena.

Analisando pormenorizadamente o tripé ensino, pesquisa e extensão, observamos algumas distorções que necessitam urgente correção de rota, sob pena de desequilibrarmos a universidade e não conseguirmos mais a formação de um verdadeiro cidadão.

Assim, o nosso docente deve trabalhar pelo menos oito horas por semana ensinando os seus alunos da graduação. Este, principal objetivo-fim da universidade, tem recursos disponíveis do próprio Estado. Além disso, o docente pode dedicar-se até oito horas por semana à extensão universitária. Isto se, após um trâmite burocrático intenso, os diversos conselhos permitirem, pois, além de ter um orçamento limitado, a extensão ainda não dispõe de fontes alternativas de recursos.

O docente, se quiser, pode dedicar-se pelo menos 32 horas ou mais por semana à pesquisa. Ainda é permitido, se assim o desejar, candidatar-se a uma bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq, sem a necessidade da anuência dos conselhos. Esta bolsa, além de proporcionar ao docente recursos alternativos, permite também rechear o seu currículo com um belo índice. A pesquisa ainda conta com o estímulo da universidade, de fontes de fomento estaduais e federais, além de agências gerenciadoras da pesquisa.

O tripé, portanto, está desequilibrado. Dentro do contexto que se apresenta, ministrar aula na graduação tornou-se uma obrigação; e fazer pesquisa tornou-se a única maneira de galgar postos na carreira universitária. E a extensão? Bem, esta infelizmente está contemplada em apenas uma linha nos relatórios universitários: “Prestou serviços de extensão universitária”.

É preciso rever esta situação, já que a sociedade atual está realmente preocupada com o destino das universidades públicas, principalmente em dois pontos: quer o aumento no número de vagas que permitam novas oportunidades para os seus filhos; e quer o retorno da universidade em forma de serviços e benefícios. Torna-se, assim, evidente a necessidade de uma política extensionista rápida, agressiva e objetiva, com especial participação da comunidade. Feito este diagnóstico, alguns pontos devem ser corrigidos no âmbito da extensão:

1 - Valorização da extensão universitária

Necessitamos convencer os nossos colegiados da necessidade da valorização das atividades extensionistas, que, na maioria das vezes, envolvem uma mudança comportamental, especialmente para os programas que se relacionam intimamente com a comunidade.

2 - Criação de fontes de fomento

Necessitamos urgentemente da criação de fontes governamentais de fomento para a extensão universitária.

Acredito que este seja o maior gargalo na valorização da extensão. A realização do 2º Congresso de Extensão da Unesp, em novembro último, por exemplo, só foi possível graças à intervenção da nossa universidade, das nossas fundações e das empresas patrocinadoras.

Neste sentido, não vejo nenhum problema em se criar agências oficiais de fomento dedicadas integralmente à extensão universitária, mesmo porque as existentes têm metas, objetivos e finalidades que não a contemplam.

Um indicador desta latente necessidade foi a recente entrega formal do Programa de Responsabilidade Social das Universidades Públicas do Estado de São Paulo ao então secretário de Ciência e Tecnologia, Ruy Altenfelder, que se mostrou sensibilizado e satisfeito com a iniciativa da Unesp.

Em última análise, o que queremos é uma agência de fomento dedicada exclusivamente à extensão universitária.

Apesar de todos os problemas e desafios apresentados neste diagnóstico da extensão universitária, ela continua sendo necessária e manifesta, a cada dia, a sensação do dever cumprido.

* Benedito Barraviera é Pró-Reitor de Extensão Universitária da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp). E-mail: bbviera@reitoria.unesp.br.

 

PRIMEIRA PÁGINA

EDIÇÕES ANTERIORES

ARQUIVO DE LEGISLAÇÃO

FALE CONOSCO