Atualmente e durante todo este século, as políticas
públicas insistem em avaliar a saúde bucal contando quantos dentes perdemos em
determinado período sem medir quais os impactos que a saúde oral traz à qualidade de
vida de cada brasileiro.
A cada dez anos o governo brasileiro entrega à sociedade um trabalho que pretende medir a
situação da Saúde Bucal dos Brasileiros, usando um índice chamado CPOD, que mede a
quantidade de dentes cariados, perdidos e obturados.Este trabalho serve como referência a todos os odontólogos que de alguma
maneira conduzirão os caminhos da saúde pública e privada.
Baseados na análise quantitativa da doença, e sem rigor técnico, o governo divulgou de
forma ufanista os resultados positivos da redução de cárie comparando nosso sorriso ao
dos países de primeiro mundo, fazendo parecer uma vitória conquistada.
É real a redução de cáries, e todos
nós sabemos que as pastas de dentes fluoretadas são as responsáveis por esta feliz
redução em todos os países. Porém, tal trabalho leva mais uma vez a classe
odontológica e seu ofício a serem entendidos e medidos por uma quantidade de doença
adquirida e não por sua real abrangência.
É preciso ficar claro que o que deve ser
medido é o impacto da qualidade de vida de cada brasileiro e o quanto a saúde oral
perfeita torna este indivíduo melhor, mais feliz.
-Quantas horas de trabalho perdemos tratando os dentes?
-Qual o impacto da saúde bucal na auto-estima do cidadão brasileiro?
-Quantos podem realmente sorrir com segurança?
-Quantos podem comer bem?
Um indivíduo que tem seus dentes mal
posicionados e anteriorizados não tem a mesma segurança de sorrir que um outro com um
sorriso bem posicionado. Uma pessoa que tem dores de ATM vive num estado de estresse
infinitamente superior a aquele que não sente nada, e mesmo o mal hálito, por sua causa,
quantas vezes deixou-se de beijar e trocar carinho.
Este é o verdadeiro e importante trabalho
do cirurgião-dentista na sociedade. Somos nós que poderemos cultivar no indivíduo a
semente da medicina preventiva. Está nas mãos do cirurgião-dentista o desenvolvimento
da face, dos dentes da oclusão e a harmonia que poderá ser equilibradamente bela e
saudável.
Isto faz a real diferença.
Este artigo foi originalmente
publicado no jornal Folha de S.Paulo |