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SB-2000? SB-2001...

Paulo Capel Narvai*

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No primeiro artigo do último ano do século XX escrevi que era muitíssimo bem-vinda a notícia de que o Ministério da Saúde realizaria, em 2000, "uma ampla pesquisa epidemiológica sobre as condições de saúde bucal da população brasileira. E completava: "precisamos mesmo dessa investigação científica pois, com a divulgação dos resultados, haverá possibilidade de fazermos o balanço definitivo da nossa situação populacional em relação às metas OMS-FDI".

Os fatos mostram que meu otimismo era sem razão. A pesquisa não foi feita e, como "o tempo não pára", jamais será possível saber como estávamos em 2000. Resta o consolo de, talvez, termos dados para 2001 e, finalmente, podermos, de algum modo, avaliar nossa situação em relação às metas OMS-FDI.

Como tenho sido "cobrado" por alguns leitores ("Cadê a pesquisa que você prometeu?", "O Ministério desistiu daquele projeto?"), sinto-me no dever de prestar algumas informações e, também, lamentar que não tenhamos (nós, os brasileiros) conseguido fazer a pesquisa no ano 2000.

Mas creio ter alertado para o risco de "deixar as coisas para a última hora".

Numa proposta apresentada ao Ministério da Saúde em 1996, após constatar que "o país não passa alguns minutos sem saber a cotação do dólar – e interferir nesse processo, com instrumentos de gestão monetária. Mas se permite ficar uma década sem saber o que está acontecendo com a cárie dentária", propus que precisávamos, entre outras coisas:

  • "Preparar o Brasil, e cada um dos Estados, para a realização periódica de levantamentos epidemiológicos em saúde bucal e para o trabalho rotineiro com informações epidemiológicas. Vale registrar que a OMS recomenda a realização de levantamentos a cada cinco anos;
  • Aproveitar o enorme potencial dos serviços e da Universidade;
  • Criar Núcleos de Epidemiologia em Saúde Bucal nos Estados, devidamente credenciados pelo Ministério da Saúde (Núcleos Colaboradores do Ministério);
  • Viabilizar a realização de pesquisas epidemiológicas nas várias regiões brasileiras nos próximos anos, em conformidade com a metodologia preconizada pela OMS;
  • Produzir conhecimentos e desenvolver tecnologias para a realização de um levantamento epidemiológico em saúde bucal, de abrangência nacional, no ano 2000, dotando o País de informações sobre saúde bucal relativas a esse importante ano-índice."

Não adiantou. O País acabou ficando sem "informações sobre saúde bucal relativas a esse importante ano-índice". E nenhum Núcleo de Epidemiologia em Saúde Bucal foi credenciado pelo Ministério da Saúde até hoje — parece não haver mesmo nenhum interesse em fazê-lo.

Entrevistado recentemente pelo APCD Jornal e questionado sobre a situação de saúde bucal dos brasileiros e o andamento da investigação conhecida como SB-2000, limitei-me a ponderar que "lamentavelmente o Ministério da Saúde não realizou a investigação prevista para o ano 2000" e que "apenas os estudos pilotos em Diadema-SP e Canela-RS foram realizados no ano passado".

Segundo soube, "o calendário eleitoral" teria sido um dos motivos do atraso no cumprimento do cronograma da pesquisa, uma vez que as eleições municipais geraram algumas dificuldades que o Ministério da Saúde não teve como contornar.

Pode ser. Tudo indica que a fase de campo dessa importante investigação científica vai mesmo acontecer no primeiro semestre deste ano. Tomara que sim. Seria péssimo para o Brasil que isto não acontecesse. E seria muito ruim para este analista chegar ao final do primeiro ano do século XXI e, no último artigo de 2001, voltar a pedir desculpas aos leitores por levá-los a acreditar em algo bonito mas que não teria passado de um sonho — desses de verão.


* Paulo Capel Narvai é cirurgião-dentista sanitarista. Mestre e Doutor em Saúde Pública. Professor do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.


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