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Ano III - Nº 47 -Segunda quinzena de novembro de 2001
 



Marketing Aplicado à Saúde

CLÍNICA DE HORRORES
Eu não acreditei no que estava ouvindo!

Dr. Roberto Caproni*


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Tecnicamente, ele é um médico extremamente competente. Rigoroso com a qualidade, estudioso, minucioso e exigente. Sua clínica estava indo muito bem e ele tinha um faturamento médio anual de quatrocentos mil dólares. Ele era o único médico da clínica e tinha várias auxiliares. Para se marcar uma consulta particular com ele, um cliente tinha que ser paciente. Esperava no mínimo quatro meses. Tudo, aparentemente, ia muito bem até que de 1994 a 1998 ele perdeu 94% de seus clientes. A clínica estava doente. Definhou e quase morreu.

Durante um curso de marketing aplicado à saúde ele veio me contar o seu caso e me perguntou:

  • Será que é o efeito da crise?

  • Eu não sei doutor! Temos que levantar informações para fazer um Diagnóstico

Organizacional. Somente depois eu poderei dar uma opinião sobre o que está acontecendo, eu disse a ele querendo tranqüilizá-lo.

Na semana seguinte, fui até à sua clínica. Conversei com as auxiliares e com alguns clientes. Conversei também com ex-funcionários e descobri o que estava acontecendo. As auxiliares antigas tinham se aborrecido com o doutor e se vingavam nos clientes. Durante uma aplicação endovenosa a auxiliar falava com o cliente:

  • O doutor é um monstro. Ele está enganando você! Ele nos manda aplicar água destilada em você.

Dizendo isto a auxiliar errava de propósito a veia no braço do cliente e movimentava a agulha para dar um hematoma. E ainda completava:

  • Você está aqui sofrendo à toa…

No dia do aniversário do médico elas entravam em seu consultório para pedir aumento e deixavam o doutor ainda mais aborrecido. Ele, furioso com os erros e com o comportamento das auxiliares, chamava a atenção delas aos gritos na frente dos clientes. Quando ele saiu da recepção as auxiliares diziam aos clientes:

  • Eu não disse que o doutor era um monstro? Ele é um picareta! Ele nos manda injetar água destilada nos clientes…

A clínica continuava a perder mais e mais clientes. O faturamento anual da clínica reduziu de quatrocentos mil dólares para vinte e quatro mil dólares por ano. Uma redução de noventa e quatro por cento.

O que se fez?

Em primeiro lugar, todas estas "pessoas", que nunca deveriam ter sido contratadas, foram demitidas. Novas auxiliares foram contratadas e treinadas em Excelente Atendimento ao Cliente, além do treinamento técnico de rotina. A clínica está respondendo e hoje a demanda já está equilibrada com a oferta de horários na agenda deste médico.

Além da efetividade, esta clínica trabalha hoje também com afetividade. Num lugar onde existam pessoas se relacionando não podemos agir como um mecânico de gente. Clientes são seres humanos e reagem da forma como são tratados. Isto vale tanto para os clientes internos quanto para os clientes externos.

Na saúde temos que ter ao nosso lado gente que gosta de trabalhar com gente. Gente melhor, serviços melhores.

Trate bem seus funcionários que eles tratarão bem seus clientes!


* Dr. Roberto Caproni - É graduado em Odontologia pela UFMG e em Administração de Empresas. Pós-graduado em Marketing e em Ciências do Comportamento.
Possui cursos de marketing com as maiores autoridades mundiais do assunto.
É consultor de marketing e ministra palestras e cursos sobre Marketing Aplicado à Saúde no Brasil e no Exterior.
É autor do livro best seller Marketing Interpessoal – O Contato direto com o cliente.
Mais informações sobre o tema poderão ser obtidas no site www.caproni.com.br ou pelo telefax (031) 3773-7301.

A reprodução dos textos de autoria de Roberto Caproni em jornais, revistas, boletins informativos, sites, fax, e-mail ou qualquer outro veículo de divulgação é PERMITIDA desde que citado o autor e o endereço eletrônico www.caproni.com.br

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