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Ano III - Nº 48 -Segunda quinzena de dezembro de 2001
 



Marketing Aplicado à Saúde

DESEJOS QUE REMOVEM MONTANHAS
Como motivar clientes difíceis

Dr. Roberto Caproni*

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Embora eu tenha feito Odontologia, admito que tenho medo de dentista. Racionalmente, sei que a Odontologia moderna não dói. Mas em algum lugar dentro de mim a emoção fala mais alto e me diz toda vez que eu penso em ir ao dentista: Odontologia dói. Nesta luta entre a emoção e a razão, a primeira (quase) sempre vence!

Assim eu vou adiando as minhas idas ao dentista.

Num determinado dia meu dente resolveu reclamar dos maus tratos sofridos e começou a doer. Sabe aquelas datas em que tudo poderia acontecer menos o dente doer? Pois é, foi numa destas datas, quando eu tinha um compromisso inadiável em São Paulo no dia seguinte que o meu dente reclamou. Eu tinha apenas duas alternativas: adiava o compromisso assumido em São Paulo e ia ao dentista ou viajava com o dente doendo mesmo. Grandes opções! Resolvi buscar uma alternativa intermediária: telefonei para o meu dentista e pedi ajuda!

Ele entendeu e pediu que eu fosse até ao seu consultório. Lá chegando ele tomou algumas providências que me aliviou a dor. Aproveitou para me alertar do risco de perder aquele dente e me mostrou as novas resinas fotopolimerizávies, que permitem restaurações estéticas para dentes posteriores. Me mostrou o estado de meus velhos e antiestéticos amálgamas. Ele me mostrou também algumas fotos do tipo "antes" e "depois" de um caso parecido com o meu. Percebi que com as novas resinas eu poderia ter um sorriso tão bonito como o de um artista de cinema. O que eu fiz? Fui para São Paulo esperando a hora de voltar ao dentista. Com medo de perder o dente? Que nada! Eu voltei foi para ter um sorriso bonito. O dentista aproveitou a minha rara disposição e fez os procedimentos necessários, além dos desejados por mim. Se isto acontece comigo, acontece com qualquer cliente.

Quando o cliente estiver no seu consultório, resolva rapidamente o motivo de sua queixa principal. Aproveite que ele está com você e ofereça a ele mais serviços. Mas isto não é elegante, você deve estar pensado. Foque o benefício psiquico e social, isto é, o benefício interpessoal e intrapessoal para o cliente. O cliente agradecerá a você por estar se preocupando com ele.

Se numa relação de troca existe benefício para todas as partes envolvidas, nada existe de errado na atitude. Estamos tão acostumados a trabalhar com produtos, onde para um ganhar o outro tem que perder, que quando vivemos uma relação onde estamos ganhando, ficamos com sentimento de culpa por pensar na possibilidade do outro estar perdendo. Isto poderia ser verdade no velho paradigma da Era Industrial. No novo paradigma do setor de serviços para um ganhar o outro não precisa perder. Todos podem ganhar numa relação de trocas envolvendo conhecimento e serviços.

Na nova economia estruturada nos serviços, as relações de troca poderão agregar valor para todas as partes envolvidas. Nós, da área da Saúde, sempre fomos profissionais do setor de serviços. Ficamos apenas confusos durante a revolução industrial. Não podemos é permitir que esta confusão permaneça!


* Dr. Roberto Caproni - É graduado em Odontologia pela UFMG e em Administração de Empresas. Pós-graduado em Marketing e em Ciências do Comportamento.
Possui cursos de marketing com as maiores autoridades mundiais  do assunto.
É consultor  de marketing e ministra palestras e cursos sobre Marketing Aplicado à Saúde no Brasil e no Exterior.
É autor do livro best seller Marketing Interpessoal – O Contato direto com o cliente.
Mais informações sobre o tema poderão ser obtidas no site www.caproni.com.br ou pelo telefax (031) 3773-7301.  

A reprodução dos textos de autoria de Roberto Caproni em jornais, revistas, boletins informativos, sites, fax, e-mail ou qualquer outro veículo de divulgação é PERMITIDA desde que citado o autor e o endereço eletrônico www.caproni.com.br

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