A teoria dos quatro
elementos foi criada por Empédocles de Agrigento em 490 a.C. Esta teoria,
que vigoraria até a era moderna, está estruturada em que terra, água, ar e fogo seriam
os componentes últimos das coisas, ora reunidas sob a atração do amor, ora separada
pela força da discórdia ou ódio, os dois princípios cósmicos fundamentais. O
quinto elemento é o amor que aglutina os outros quatro elementos; ou o ódio que separa
estes elementos.
No marketing acontece algo bastante parecido. O marketing antigo era constituído de
quatro elementos: O produto, o ponto, o preço e a promoção. O quinto elemento, as
Pessoas, pode aglutinar pelo amor ou separar pelo ódio.
No marketing antigo da Era Industrial existiam, sim, as pessoas, mas elas não contavam
porque tudo era massificado, inclusive elas próprias. O mundo mudou, o ser humano evoluiu
tecnologicamente e passou a ter mais tempo para refletir sobre si mesmo, sobre o seu mundo
interior e sobre o mundo exterior, sobre o microcosmos e sobre o macrocosmos. Passou a
perceber que não existem doenças e sim doentes. Saiu de um raciocínio linear,
mecanicista e cartesiano para um pensamento holístico e humano.
O P que faltava, ou que se existia desaglutinava, agora está presente para unir os
outros quatro Ps do marketing.
Agora podemos dizer que o Produto somente existe em função das pessoas. E até mesmo
que nem mais produto é, já que atualmente ele seria mais bem entendido como serviço. Da
mesma forma podemos dizer que o Ponto somente existe em função das pessoas. O Preço e a
Promoção também não fazem sentido sem o fator Pessoas. Observe que são as pessoas que
criam coesão entre os outros quatro Ps do velho marketing, para originar o novo
Marketing, que pode ser aplicado à Saúde de forma ética e socialmente responsável.
Este marketing holístico e humanista não é novo, da mesma forma como a teoria dos
quatro elementos remonta há séculos antes de Cristo.
A medicina holística que vê o ser humano como um todo, em vez de fragmentá-lo em
órgãos que podem ou não estar doentes, também não é nova e remonta à Teoria dos
Quatro Elementos de Empédocles que vigorou até o século XVIII.
Se observarmos com atenção a história da humanidade, veremos que a aglutinação
através do amor sempre esteve presente, que a medicina holística foi o ponto de partida,
que o marketing moderno nunca foi moderno, pelo contrário, se confunde com a própria
história do ser humano e da própria medicina.
O marketing moderno depende da Psicologia, da Antropologia e da Sociologia. O marketing
histórico também. Houve apenas um pequeno lapso no tempo onde estes valores universais
que têm o Homem no centro foram ignorados: o breve período de 300 anos de massificação
da Revolução Industrial.
O ser humano reencontrou o seu caminho depois da massificação da industrialização e
depois da ressaca tecnológica: vivemos em plena Revolução de Serviços onde o grande
negócio é ser humano em qualquer atividade.
Os profissionais de Saúde têm tido infinitos problemas com perdas financeiras, já
que se tornaram assalariados para produção de serviços em série, com perda de
prestígio social e qualidade de vida. Mas estas são conseqüências do passado de
massificação. O futuro é individualizado, personalizado, desmassificado. É neste
futuro, que já começou, que os profissionais de Saúde retomarão o seu caminho original
do qual nunca deveriam ter se desviado: o de valorização das pessoas e daquilo que lhes
é importante como o respeito, a confiança e a credibilidade.
É o profissional de Saúde como pessoa humana sensível que buscará no passado as
forças para ser referência no futuro, para aglutinar os quatro elementos através do
amor e não do ódio ou da indiferença que prevaleceu na finada Era Industrial.