A
palavra crise que dizer risco e oportunidade. Assim, para alguns a crise pode significar a extinção e para outros
pode ser uma grande oportunidade.
Um consultório, uma
clínica, laboratório, farmácia ou hospital são organizações. A palavra organização
vem da palavra organismo. Os organismos são vivos, isto é, interagem com o meio externo.
Um organismo saudável fica
doente quando o equilíbrio entre o meio externo e o meio interno organizacional é
rompido. Não cuidada de forma adequada, a doença poderá se agravar levando a
organização à morte.
Vamos procurar compreender
melhor as razões da ruptura do equilíbrio que originam as inúmeras crises.
Quando tudo muda
Parta do princípio que a
sua organização está bem, saudável, que apresenta bons resultados financeiros,
qualidade de vida e prestígio social para as pessoas que nela trabalham. Os seus
auxiliares estão contentes e sentem-se felizes por trabalhar com você. Os clientes
elogiam a sua organização...enfim, quando você olha para cima, o céu é azul. Nada o
ameaça!
Mas, de repente tudo muda,
e se antes você era um herói, agora é um vilão! Os seus funcionários não se entendem
entre si e o clima de insatisfação é generalizado. Começa a faltar dinheiro, a
qualidade de vida desaparece e o prestígio social é uma mera lembrança do passado. Os
clientes "fogem" para a concorrência. Em suma, a sua organização está
terrivelmente doente e caminha para a morte.
A fronteira entre uma
organização saudável e uma organização doente chama-se crise. Por outro lado, a
fronteira entre uma organização doente e outra saudável é também a crise.
O equilíbrio que existe
entre o meio interno organizacional e o meio externo é muito delicado, encontra-se
naquela área que podemos chamar de "fio da navalha".
O meio externo é altamente
dinâmico, mutável e imprevisível. Com a globalização, um problema que acontece hoje
na Tailândia explode na porta da sua casa amanhã de manhã. As crises são constantes e
apenas mudam de nome: um dia pode se chamar crise mexicana, no outro muda de nome para
crise russa, depois crise asiática, crise argentina, crise cambial, crise política,
crise mundial...
Se você ficar esperando a
crise passar para agir, ficará esperando, esperando, esperando, esperando...até morrer!
Temos de aprender a
conviver com as crises!
Na época da minha avó
existiam poucas crises. Ela nasceu, cresceu e morreu num mundo praticamente estático e
sem mudanças. Hoje a mudança é a única constante!
As crises fecham as portas
à nossa frente de um modo muito violento e isso nos assusta de tal forma que não vemos
as oportunidades que aparecem quase de imediato. Quando um equilíbrio se rompe, gerando
uma crise, um novo equilíbrio será estabelecido. Esta é uma das leis da Natureza!
Se você estiver preparado,
verá as inúmeras novas portas que se abrem durante uma crise e cada uma dessas portas é
uma nova oportunidade que surgiu devido à mudança. Temos que saber reagir de forma
planejada a estas mudanças, aproveitando a força das crises a nosso favor.
A crise a seu favor
Como reagir de forma
adequada a uma crise?
O marketing é a ciência
que nos ensina como adaptar o meio interno das organizações às mudanças externas, de
forma que se obtenha melhores resultados financeiros, prestígio social e qualidade de
vida através do excelente atendimento ao cliente.
As variáveis que podemos
administrar para adaptar o meio interno ao meio externo são: o produto clínico; as
pessoas que elaboram o produto clínico; o ponto onde se localiza a organização; os
preços cobrados pelos serviços e a comunicação adequada com os clientes.
Temos que saber ajustar as
varáveis controláveis do meio interno às variáveis incontroláveis do meio externo.
Isto é marketing!
Podemos também solucionar
os paradoxos provocados pelas mudanças através da quebra de paradigmas, estabelecendo
parcerias estratégicas com aqueles que, num primeiro momento, parecem ser nossos
concorrentes. Juntos, em grupo, somos mais fortes que individualmente.
Paradoxos são situações
aparentemente contraditórias. Paradigma é a forma convencional e estabelecida de se ver
o mundo. Uma parceria estratégica é aprender a somar forças complementares na busca de
um objetivo comum, reduzindo custos e otimizando resultados.
Assim, para se elaborar uma
estratégia vencedora de marketing, temos que analisar e refletir sobre o meio externo e o
meio interno, sobre os paradoxos que vivemos. Temos que ter uma visão que nos oriente
para quebrar paradigmas e estabelecer novas parcerias.
A GM americana é uma das
maiores empresas privadas do mundo, de tal modo que a sua receita anual é maior que o
Produto Interno Bruto de muitos países. Pois esta empresa está realizando inúmeras
parcerias estratégicas em todo o mundo para aproveitar as oportunidades geradas pelas
mudanças e pelas crises. A Toyota e a Fiat concorrem com a GM em muitos mercados, mas em
outros são parceiras. Assim, cooperam internamente e competem externamente. Superando
paradoxos, quebrando paradigmas, estabelecendo parcerias, todas se tornam mais fortes e
mais preparados para enfrentar as mudanças e as infinitas crises.
O grande e o pequeno
Você que é um
profissional de saúde deve estar pensando: o que é que tudo isto tem a ver comigo? Tudo!
As mudanças afetam a todos, inclusive você. As mesmas soluções que servem para a
grande GM podem ser aplicadas ao seu consultório, clínica, laboratório, farmácia ou
hospital. Tanto uma simples bactéria quanto um elefante são organismos vivos em
interação com o meio ambiente.
Você e a sua organização
também interagem com o meio externo, assim como a General Motors. Tanto um quanto o outro
poderão estar saudáveis ou doentes devido às mudanças do meio externo. A diferença é
que para a GM temos que prescrever litros de um medicamento e para você bastará apenas
uma gota. O medicamento é o mesmo e no rótulo lê-se: Marketing consulte um
consultor antes de usar.
Um consultor de marketing
é um médico organizacional. Ele levanta informações, faz diagnósticos e propõe um
plano de tratamento. Para cada doença tem-se um prognóstico. Para um simples resfriado
prescreve-se, normalmente, aspirina e cama. Para câncer com metástase prescreve-se
radioterapia ou quimioterapia.
Num caso, o prognóstico é
bom. No outro, caso o prognóstico é preocupante.
E aí? Com está a saúde
de seu consultório, clínica, laboratório, farmácia ou hospital? Que tal fazer uma
visita ao médico organizacional a cada seis meses? Não fique à espera que a crise passe
para agir. Ela não vai passar. Ela apenas mudará de nome e se apresentará em ciclos
cada vez menores.
Na época da minha avó a
crise se apresentava uma vez em cada século. Na época do meu pai ela se apresenta uma
vez a cada década. Na nossa época ela se apresenta a cada semana! Em breve será diária
e depois acontecerá a cada hora, a cada minuto.
Tanto em marketing quanto
na saúde podemos também agir de forma preventiva, não evitando a crise, mas aprendendo
a conviver com ela. A força das crises pode ser aproveitada a seu favor. Para isto vá
além das disciplinas clínicas. Estude também o marketing aplicado à saúde. Ele
ensinará você a como transformar riscos em oportunidades.
A crise pode ser a nossa
melhor amiga se soubermos identificar e aproveitar as novas oportunidades que surgem.
* Dr. Roberto Caproni - É
graduado em Odontologia pela UFMG e em Administração de Empresas. Pós-graduado em
Marketing e em Ciências do Comportamento.
Possui cursos de marketing com as maiores
autoridades mundiais do assunto.
É consultor de marketing e ministra palestras e cursos
sobre Marketing Aplicado à Saúde no Brasil e no Exterior.
É autor do livro best seller
Marketing Interpessoal O Contato direto com o cliente.
Maiores informações sobre o
tema poderão ser obtidas no site www.caproni.com.br
ou pelo telefax (+31)3773-7301.
A reprodução dos
textos de autoria de Roberto Caproni em jornais, revistas, boletins informativos,
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