Numa
clínica trabalhavam vários profissionais durante mais de 12 horas por dia e no final do
mês o dinheiro não aparecia. A clínica dava prejuízo!
"O Homem que trabalha
demais não tem tempo para ganhar dinheiro." Foi com este ditado espanhol que iniciei
o relatório da consultoria desta clínica. Temos que ter tempo para planejar o trabalho.
Só trabalhar arduamente não garante bons resultados.
Para esta clínica faltava
ainda qualidade de vida e prestígio social para os profissionais. Eles estavam
constantemente estressados atendendo a clientes permanentemente insatisfeitos.
Por que a clínica não
apresentava resultados financeiros positivos, embora atendesse inúmeros clientes durante
todo um dia de trabalho e tivesse fila de espera de novos clientes para serem agendados?
Podem existir várias
causas para este problema. Vamos analisar algumas delas:
- A Receita Mensal é menor que as Despesas
Mensais.
Lucro = Receita
Despesas.
Você terá prejuízos
sempre que a Receita for menor que as Despesas, num determinado período de tempo.
- A Receita é baixa porque os clientes não
pagam ou porque pagam mal. Embora estes clientes não gerem receita para a clínica, eles
geram custos. Estes custos anulam os lucros obtidos através dos bons clientes.
O que foi feito
para solucionar os problemas desta clínica?
- A definição do perfil dos clientes.
Verificamos que de cada 100 clientes 40 eram particulares e 60 eram de convênio. O
convênio era um cliente ruim já que pagava com 12 meses de atraso 1 Euro por
procedimento que custava 4 Euros para a clínica.
Isto quer dizer que se o
cliente deste convênio não procurasse a clínica ela cortaria, automaticamente, 1 Euro
de seus custos. Cortar custos é uma das formas de se aumentar o lucro.
Os clientes que mais
tumultuavam a clínica eram os conveniados, constantemente insatisfeitos, porque já
tinham pagado pelos serviços. Não para a clínica, mas para a empresa de convênio. Para
o cliente isto não importa. Ele já pagou e agora quer receber os serviços. Quem já
pagou por algo que ainda não recebeu é mais exigente do que quem ainda não pagou e não
recebeu.
- Em função das informações levantadas foi
feita uma segmentação da Fila de Clientes. A fila única foi segmentada em duas
filas: os clientes conveniados passaram a ser atendidos de 8 às 13 horas e os clientes
particulares de 15 às 20 horas.
Como se destinou o mesmo
tempo para 60% de clientes conveniados e para 40% de clientes particulares, a fila de
conveniados ficou 1,5 vezes maior que a fila de particulares. Isto que dizer que se tinha
mais tempo para atender aos clientes particulares, que foram antecipados, gerando novas
receitas. Esta medida também causou o atraso no atendimento de clientes conveniados
retardando as despesas relativas a seus procedimentos.
O resultado:
Em 30 dias o lucro apareceu
já que em um mês aumentou-se a receita e diminuiu-se as despesas da clínica.
Você deve estar aí se
perguntando: por que a clínica não cortou logo este péssimo convênio? Simplesmente
porque se ela fizesse isto teria que demitir 60% do seu pessoal e desativar 60% da sua
infra-estrutura já instalada. Se ela fizesse isto prejudicaria a todos os clientes
comprometendo a sua permanência no mercado.
Em marketing os resultados
são contados em meses e semestres e não em dias ou semanas. Posteriormente, quase um ano
após estas medidas iniciais, a clínica deixou de atender a este convênio.
Um médico, dentista ou
fisioterapeuta nem sempre se preocupa com a qualidade dos clientes que têm e sim com a
quantidade de clientes. Muitas vezes o profissional de saúde ignora que se aumentamos a
quantidade de clientes ruins nossos problemas aumentarão, podendo até mesmo levar à
morte da organização.
Existem muitas referências
para segmentar os clientes de um consultório, clínica, farmácia, laboratório ou
hospital. Uma referência única não se aplica a todos os casos da mesma forma que um
medicamento único não deve ser utilizado para curar todos os males. A ação
terapêutica deve variar conforme o diagnóstico, tanto para pessoas quanto para
organizações de saúde.
Quando o atendimento é de
massa, e fazemos tudo para todos, analisamos os resultados pela média. A média é um mau
indicador porque mascara os resultados. Quando segmentamos, criamos uma relação
causa-efeito entre um segmento e os resultados deste segmento. Assim os diagnósticos
organizacionais serão mais precisos e nos orientarão melhor para ações terapêuticas
mais acertadas e eficazes.
É você quem deve escolher
os clientes e não os clientes que devem escolher você. O futuro de uma organização
depende da qualidade dos clientes que ela tem.
A segmentação é uma das
terapias utilizadas pelo marketing para curar organizações doentes. Segmentar quer dizer
dar os benefícios certos para os clientes certos. Marketing é a ciência que permite
atender às necessidades, desejos e expectativas dos clientes de forma lucrativa para
você.
* Dr. Roberto Caproni - É
graduado em Odontologia pela UFMG e em Administração de Empresas. Pós-graduado em
Marketing e em Ciências do Comportamento.
Possui cursos de marketing com as maiores
autoridades mundiais do assunto.
É consultor de marketing e ministra palestras e cursos
sobre Marketing Aplicado à Saúde no Brasil e no Exterior.
É autor do livro best seller
Marketing Interpessoal O Contato direto com o cliente.
Maiores informações sobre o
tema poderão ser obtidas no site www.caproni.com.br
ou pelo telefax (+31)3773-7301.
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