artigos.gif (2561 bytes) logjornal.gif (4234 bytes)
aaaa Ano VI - Nº 83 - Abril de 2004 - 1º Quinzena
 

Marketing Aplicado à Saúde

Qualidade e sucesso profissional
A relação entre a qualidade e o sucesso de um profissional de saúde no mercado

Dr. Roberto Caproni *

caproni.gif (4587 bytes)
 

O que é qualidade? Para responder a esta pergunta você tem que pensar em todo o seu sistema de trabalho e não apenas em uma faceta dele, como normalmente fazemos. Temos que ter uma visão macro e ampla e não uma visão micro e restritiva do sistema.

Para um profissional de saúde ter qualidade quer dizer ser capaz de realizar tecnicamente bem o serviço. Para o cliente, qualidade quer dizer satisfação com os serviços recebidos. Para a administração do consultório, clínica, laboratório, farmácia ou hospital a qualidade tem a ver com a informação gerencial. Temos assim num único sistema de trabalho três tipos diferentes e complementares de qualidade:

1)      Qualidade técnica ou clínica do profissional de saúde

2)      Qualidade percebida pelo cliente que utiliza os serviços deste profissional de saúde

3)      Qualidade da informação gerencial utilizada para administrar o consultório ou a clínica deste profissional de saúde

Cada uma destas qualidades contribui em 1/3 para o sucesso de uma organização de saúde. Se você trabalha apenas com a qualidade técnica seus resultados serão proporcionais a ela. O máximo de sucesso profissional que você será capaz de atingir corresponderá a 1/3 do resultado possível. Se você passa a trabalhar também com a qualidade percebida pelos clientes poderá atingir até 2/3 dos resultados possíveis. O resultado total de 100% somente poderá ser atingido se você trabalhar com todas as três qualidades de forma integrada e sinérgica.

Como vemos, a solução não está na busca indiscriminada de mais e mais qualidade técnica e sim em também buscar a qualidade percebida pelo cliente e a qualidade da informação. A ciência que estuda a qualidade percebida pelo cliente é o marketing. O marketing utiliza a qualidade da informação para definir quais são as ações mais adequadas para aquele momento e para aquela realidade do mercado.   

Alguns ainda argumentarão que no passado recente bastava ser bom tecnicamente. Sendo bom na técnica o sucesso seria uma mera conseqüência. É meu amigo, o passado chama-se passado porque já passou. Hoje vivemos a Era do Cliente e todos nós temos que nos adaptar a esta nova realidade ou nos contentar com o fracasso. Para se ter sucesso no mercado na atual Era do Cliente devemos ser bons tecnicamente e parecer bons na percepção dos clientes.   

Qual é a relação entre a qualidade técnica e a qualidade percebida pelo cliente no sucesso de um profissional de saúde? A resposta a esta pergunta poderá ser melhor compreendida através da análise do gráfico a seguir.

No eixo X temos a Qualidade Técnica. Quanto maior a qualidade técnica de um serviço maior será o seu custo para o profissional de saúde. Assim consideramos que o custo operacional cresce diretamente com a Qualidade Técnica.

No eixo Y temos a Qualidade Percebida pelo cliente. Quanto mais satisfeitos estiverem os clientes mais lucrativos eles serão. Assim consideramos que a lucratividade cresce diretamente com a Qualidade Percebida, isto é, com a satisfação do cliente.

Para uma qualidade técnica X1 temos uma satisfação Y1. Se aumentarmos a qualidade  técnica para X2 a satisfação do cliente também cresce para Y2.  Era de se esperar que aumentando a qualidade técnica para X3 a satisfação do cliente fosse Y3. Mas não é isto o que acontece! Na verdade a satisfação do cliente vai para Y3’ menor que Y3. A satisfação do cliente deixa de crescer diretamente com a qualidade técnica ficando num patamar menor que o esperado.

Se continuarmos a aumentar a qualidade técnica de forma indiscriminada para X4 e X5 teremos a satisfação do cliente decrescendo de forma progressiva para Y2 e Y1. Por que isto acontece? Porque o cliente não mais está disposto a pagar por uma qualidade que foge cada vez mais da sua percepção e que ele compreende cada vez menos. Você poderia educar o cliente, como muitos tentam. Isto funcionaria até o ápice da curva no Ponto C’. Após a qualidade técnica X3 o cliente teria que confiar cada vez mais em você para justificar seus gastos crescentes com os custos dos procedimentos propostos. Como sabemos, a confiança tem limites!

A solução poderia ser obtida no sentido de você ganhar a confiança do cliente para tornar o Ponto C’ cada vez mais elevado e em direção ao Ponto C. Você poderia ainda desagregar qualidade técnica. A redução da Qualidade Técnica deve ser feita de forma criteriosa tendo-se o cuidado de não ir aquém de X3 e desde que seja viável clinicamente. Nunca devemos sacrificar a qualidade técnica se isto implicar em prejuízos de diagnóstico ou de tratamento para o cliente. Devemos ter sempre o equilíbrio entre as qualidades como referência e um ideal a ser alcançado. É otimizando este equilíbrio que você otimizará os seus resultados.

Quanto mais tecnicista você se torna mais se distancia da realidade do cliente. Seu esforço técnico é X5 mas seu resultado efetivo não é o Y5 esperado e sim Y1. Você obtém um resultado similar ao obtido por um recém-formado que, evidentemente, não tem todo o seu preparo técnico e experiência clínica. 

Um dentista justificou-se comigo argumentando que ele faz Odontologia para si mesmo e não para o cliente. Neste caso a satisfação pessoal tem um custo elevadíssimo para este dentista. O seu fracasso no mercado pode ser verificado através do seu baixo desempenho financeiro, da sua qualidade de vida deplorável e do seu prestígio social inexistente. Para este dentista existem no mundo apenas duas alternativas: O péssimo e o excelente desempenho técnico. Ele desconhece que entre estes dois extremos de qualidade existe o equilíbrio. Na Era do Cliente o Fiel da Balança que orienta este equilíbrio não está mais nas mãos do profissional de saúde como foi no passado e sim nas necessidades, desejos e expectativas do cliente. Os desequilíbrios entre as qualidades existentes geram desperdícios e péssimos resultados.

Este mesmo dentista estava vendendo o seu carro para pagar mais um curso de especialização em sua área técnica. Ele não tinha um lugar decente para morar, foi abandonado pela mulher... Este não é um bom resultado para quem se graduou em Odontologia há 15 anos com um excelente currículo. Situações similares podem ser observadas em todos os lugares e em todas as profissões da área da saúde.      

Além de X3 toda a qualidade técnica adicional é desperdício porque desagrega valor na percepção do cliente e acaba por tirar você do mercado. Na Era do Cliente não faz sentido você ser mais realista do que o rei. Hoje o rei é o cliente! Os melhores resultados estão no equilíbrio entre as três qualidades existentes e não nos extremos de uma delas. 


* Dr. Roberto Caproni - É graduado em Odontologia pela UFMG e em Administração de Empresas. Pós-graduado em Marketing e em Ciências do Comportamento.Possui cursos de marketing com as maiores autoridades mundiais do assunto. É consultor de marketing e ministra palestras e cursos sobre Marketing Aplicado à Saúde no Brasil e no Exterior. É autor do livro best seller Marketing Interpessoal – O Contato direto com o cliente.Maiores informações sobre o tema poderão ser obtidas no site www.caproni.com.br ou pelo telefax (+31)3773-7301.


A reprodução dos textos de autoria de Roberto Caproni em jornais, revistas, boletins informativos, sites, fax, e-mail ou qualquer outro veículo de divulgação é PERMITIDA desde que citado o autor e o endereço eletrônico www.caproni.com.br

 
 
 

PRIMEIRA PÁGINA

EDIÇÕES ANTERIORES

ARQUIVO DE LEGISLAÇÃO

FALE CONOSCO