artigos.gif (4386 bytes) logjornal.gif (4234 bytes)
Ano VI - Nº 88 - Julho de 2004
 

Microscópio operatório: a importância da magnificação visual e aumento da luminosidade em Endodontia

Carlos Eduardo Fontana *
Carlos E. da Silveira Bueno **
Rodrigo S. Cunha ***

 

Por muito tempo a Terapia Endodôntica era sedimentada apenas em uma apurada sensibilidade tátil de seu operador, no entanto hoje o clínico conta com um equipamento auxiliar, o Microscópio Operatório, que vem revolucionando a maneira como os procedimentos eram efetuados e também atualizando os vários conceitos que circundam o dia-a-dia  clínico desta especialidade.

A prova da importância que o Microscópio Operatório vem desempenhando na Odontologia é em especial a sua aplicação dentro da especialidade de Endodontia, principalmente por proporcionar uma magnitude visual a

um tratamento não só muito minucioso, mas que despende do clínico um conhecimento singular dos detalhes da anatomia interna dental, o qual muitas das vezes a visualização não era realmente possível.


Fig.2 – Visualização das entradas dos canais radiculares em assoalho de câmara pulpar de molar superior em aumento de 25X.
Fonte:  Souza Filho; F. J.

Procedimentos árduos de um endodontista tais como: localização de canais (atrésicos e/ou extras), visualização e vedamento de perfurações, localização e remoção de instrumentos fraturados, remoção de pinos intrarradiculares, diagnóstico de trincas ou fraturas, cirurgias paraendodônticas, como outros mais; acabaram por tornarem-se manobras mais fáceis de serem realizadas pela melhor visualização do campo operatório, aumentando cada vez mais os índices de sucesso dos tratamentos endodônticos (Fig.2).

 

Vários são os trabalhos e relatos de casos clínicos encontrados na literatura que descrevem o grande auxílio que nos traz a utilização do Microscópio Operatório. Antigamente o segundo canal situado na raiz mésio-vestibular de molares superiores, o mésio-vestibulo-palatino (Fig.3 e 4), tinha uma incidência pouco relevante quando comparada a que é dita atualmente, sendo que hoje a sua ausência é considerada uma verdadeira exceção à regra.

 

  Fig.3 e 4 – Visualização de acesso cirúrgico realizado em 1° Molar Superior, com presença de 4° canal. Rx final do tratamento endodôntico.

 Já se tratando de molares inferiores, um canal que se encontra entre os mesiais nessa mesma raiz, o canal mésio-central (Fig. 5 e 6), é cada vez mais observado tendo sua incidência relatada de 1 a 15%.  

Fig.5 e 6 – Visualização de acesso cirúrgico realizado em 1° Molar Inferior, com presença de três canais na raiz mesial. Rx final do tratamento endodôntico.

 

No que se diz respeito ao custo, esse equipamento ainda possui um preço relativamente alto, porém acessível tendo em vista o seu custo/benefício. Após a sua aquisição recomenda-se uma dedicação especial no treinamento de sua utilização, pois muitas das vezes somente a visualização indireta é possibilitada e também o conhecimento e domínio de seus recursos é ideal para um melhor aproveitamento.

 

A utilização desse equipamento associado a uma máquina fotográfica digital, por exemplo, pode ser um grande meio para produção de material para registro clínico, como também para fins didáticos, que facilita e muito a compreensão dos alunos (Fig.7).


Fig. 7 – Microscópio Operatório com câmera digital acoplada.       Fonte:  Souza Filho; F. J.

Com a constante busca da qualidade do tratamento endodôntico por parte da comunidade odontológica, assim como o maior interesse da população na manutenção da saúde bucal, o Microscópio Operatório aparece na tentativa de saneamento dos obstáculos encontrados por um endodontista.

Sendo assim, espero ter de alguma forma contribuído para esclarecer a importância desse novo subsídio que o clínico possa vir a usufruir, melhorando seus resultados e obtendo maiores índice de sucesso.

 


 

Referências Bibliográficas

  • AL SHALABI; et al. Root canal anatomy of maxillary first and second permanent molars. Int Endod J. 2000 Sep;33(5):405-14.

  • BAUGH & WALLACE. A Middle Mesial Canal of the Mandicular First Molar: A Case Report and Literature Review. J Endod. March, 2004.

  • BUENO et al. Molar inferior com 5 canais. R.F.P.S. 12(3) : 34-38,2003.

  •  

  • CARR, G.B. Microscopes in Endodontics. J Calif Dent Assoc. 1992

  • COELHO DE CARVALHO, M. C.; ZUOLO, M. L. Orifice Locating with a Microscope. J Endod, v.26, n.9 p.532-4, 2000.

  • DE MARTIN, A.S.; BUENO, C.E.S.; VALDRIGUI, L.;FONTANA, C.E.; CUNHA, R.S. Perfuração lateral de raiz selada com MTA. J Bras Endod 2004; 5(16):10-3.

  • FABRA-CAMPOS, H. Unsual root anatomy of mandibular first molars. J. Endod, v.11. p.568-72, 1985.

  • MINES, et al. Use of  the  Microscope in Endodontics: A report based on a Questionnaire. J Endod. 1999.


 

*   Especialista em Dentística Restauradora (FOP-UNICAMP), Endodontia ( CPO-São Leopoldo Mandic ), Mestrando em
      Endodontia ( CPO- São Lepolodo Mandic); EEC - Equipe de Endodontia de Campinas

**   Mestre e Doutor em Endodontia. Professor do programa de pós-graduação da
     CPO-São Leopoldo Mandic.

*** Mestre em Endodontia. Professor do Curso de Especialização e Aperfeiçoamento em Endodontia da
     CPO-São Leopoldo Mandic

PRIMEIRA PÁGINA

EDIÇÕES ANTERIORES

ARQUIVO DE LEGISLAÇÃO

FALE CONOSCO