| Cresce a cada ano o número de casos de doenças
ligadas ao estresse e ao estilo de vida. Por um lado, o progresso científico tem
garantido o aumento da esperança de vida ao nascer e o controle de diversas doenças
infecto-contagiosas. Por outro, tem adicionado novos ingredientes na balança
saúde-doença. Entre os novos
fatores, vem o aumento exagerado da velocidade de comunicação, sem entretanto que isso
possa refletir em melhoras na comunicação entre povos, raças, etc. A persistência de
guerras étnicas em pleno final do século é prova cabal.
O quadro que se delineia é o do sistema
moto-contínuo: computador, fax, telefone celular e e-mail são apenas parte de um novo e
perigoso estilo de vida. Como característica básica temos o fim dos limites entre o
trabalho e a casa. Os mais afeitos ao uso incessante das novas tecnologias são os
principais candidatos ao technostress. A doença foi reportada nos Estados Unidos pelos
psicólogos Larry Rosen e Michelle Weil e na França por Denis Ettighoffer e Gerard Blanc,
agrupando uma série de pertubações psicológicas de pessoas superligadas. Se você é
do tipo nômade eletrônico, que vive sob pressão, interpelado pelo telefone a cada cinco
minutos, mudando todo tempo de assunto, de interlocutor, de um problema a outro, numa
ciranda cerebral sem trégua, cuidado. Você é sério candidato ao technnostress.
O portador da doença é o indivíduo
comum, que na ânsia de se manter ligado 24 horas por dia, esquece que é essencial se
manter desligado para dar ao corpo o descanso merecido. Transbordado pela rapidez de
renovação da demanda, resta-lhe conviver com a sensação de necessidade de um clone
para dar conta do dia-a-dia. Essa sensação não é, definitivamente, saudável.
Tenho testemunhado casos de infarte precoce
e fulminante em pessoas em pleno potencial produtivo, vítimas de um estilo de vida que
tem sufocado as relações humanas.
Como especialista em saúde coletiva,
sinto-me na obrigação de alertar sobre os riscos de exposição prolongada ao
technostress. Seguramente, o progresso não deve ser utilizado para privar as pessoas da
vida.
Se esses avanços tecnológicos podem
ter sido assumidos por nós como um santo remédio, cautela. Já define o termo grego
Pharmacon: a diferença entre o remédio e o
veneno é a dose... |