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Technostress
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Maria Celeste Morita

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Cresce a cada ano o número de casos de doenças ligadas ao estresse e ao estilo de vida. Por um lado, o progresso científico tem garantido o aumento da esperança de vida ao nascer e o controle de diversas doenças infecto-contagiosas. Por outro, tem adicionado novos ingredientes na balança saúde-doença.

Entre os novos fatores, vem o aumento exagerado da velocidade de comunicação, sem entretanto que isso possa refletir em melhoras na comunicação entre povos, raças, etc. A persistência de guerras étnicas em pleno final do século é prova cabal.

O quadro que se delineia é o do sistema moto-contínuo: computador, fax, telefone celular e e-mail são apenas parte de um novo e perigoso estilo de vida. Como característica básica temos o fim dos limites entre o trabalho e a casa. Os mais afeitos ao uso incessante das novas tecnologias são os principais candidatos ao technostress. A doença foi reportada nos Estados Unidos pelos psicólogos Larry Rosen e Michelle Weil e na França por Denis Ettighoffer e Gerard Blanc, agrupando uma série de pertubações psicológicas de pessoas superligadas. Se você é do tipo nômade eletrônico, que vive sob pressão, interpelado pelo telefone a cada cinco minutos, mudando todo tempo de assunto, de interlocutor, de um problema a outro, numa ciranda cerebral sem trégua, cuidado. Você é sério candidato ao technnostress.

O portador da doença é o indivíduo comum, que na ânsia de se manter ligado 24 horas por dia, esquece que é essencial se manter desligado para dar ao corpo o descanso merecido. Transbordado pela rapidez de renovação da demanda, resta-lhe conviver com a sensação de necessidade de um clone para dar conta do dia-a-dia. Essa sensação não é, definitivamente, saudável.

Tenho testemunhado casos de infarte precoce e fulminante em pessoas em pleno potencial produtivo, vítimas de um estilo de vida que tem sufocado as relações humanas.

Como especialista em saúde coletiva, sinto-me na obrigação de alertar sobre os riscos de exposição prolongada ao technostress. Seguramente, o progresso não deve ser utilizado para privar as pessoas da vida.

Se esses avanços tecnológicos podem ter sido assumidos por nós como um santo remédio, cautela. Já define o termo grego Pharmacon: a diferença entre o remédio e o veneno é a dose...


Maria Celeste Morita é especialista em Saúde Pública, especialista em Biologia Bucal, especialista em Odontopediatria e Prevenção, mestre em Saúde Pública de Países em Desenvolvimento pelo Instituto de Pesquisa Santé et Dévelloppement e Doutora em Saúde Pública pela Universidade de Paris.

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