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| Ano VI - Nº 88 - Julho de 2004 |
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Manifestações sistêmicas dos pacientes portadores de Diabetes Mellitus Luís Antonio Cherubini Carvalho* |
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Segundo Costa e Almeida Neto (1998), a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 pode herdar de seus familiares uma alteração dos receptores de insulina em músculos, tecido gorduroso, fígado, entre outros, que propicia o aumento de insulina no sangue. Este é agravado pela falta de exercícios e excesso ou erro alimentar, contribuindo para o aumento do peso corporal. Com isso a glicose começa a aumentar, principalmente após a alimentação (intolerância à glicose oral). A hiperglicemia mantida pode levar a glicotoxicidade em todos os tecidos e também nas células que fabricam insulina no pâncreas e conseqüente redução de sua fabricação. Com isso temos a glicemia de jejum aumentada, caracterizando o diabetes.
Existem algumas situações que, por atuarem de alguma forma na produção ou ação de insulina, favorecem, naqueles já predispostos, o aparecimento de diabetes. Entre elas podemos destacar: obesidade, infecções, gravidez, cirurgias, traumas emocionais, estresse e envelhecimento. O uso de medicamentos diabetogênicos em doses altas e por tempo prolongado, como cortisona e derivados, alguns diuréticos, betabloqueadores, estrógenos, também irão favorecer o aparecimento do diabetes.
Os sintomas clássicos da doença (poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento e, nos casos mais graves, desidratação) juntamente com a ausência do controle metabólico adequado levam a complicações crônicas como as macroangiopatias, microangiopatias, neuropatias, nefropatias e retinopatias. Sintomas e complicações essas que irão influenciar no tratamento adequado desses pacientes, principalmente quando do exame pré-operatório, em que a prevenção de infecções e dos distúrbios metabólicos, durante as consultas, são extremamente importantes.
Lauda et. al (1998) diziam que a crise hiperglicêmica (aumento da taxa de glicose na corrente sangüínea) pode ocorrer durante o atendimento destes pacientes, sendo geralmente limitada aos insulino-dependentes (tipo 1). Fato este que discordamos em nossa observação clínica junto ao atendimento destes pacientes no Centro de Atendimento à Pacientes Especiais da FOUSP. A ocorrência do aumento da glicemia destes pacientes é de origem multifatorial, estando grande parte das vezes associada com: ingestão e posologia incorreta da medicação de controle, fatores emocionais familiares, estresse do tratamento odontológico, dieta incorreta, entre outros.
Porém, deve ser observada com muita cautela e atenção a elevação prolongada da glicose sangüínea, pois pode ocorrer uma acidose metabólica, levando ao coma, se medidas não forem tomadas.
Quanto à crise de hipoglicemia (diminuição da taxa de glicose na corrente sangüínea) é o mais comum problema médico encontrado em consultório, nos casos de urgência. Os clássicos sinais e sintomas são: taquicardia, palpitação, sudorese, tremor, náuseas e fome. Se não for diagnosticada e tratada pode levar a sérios problemas como o coma e, conseqüentemente, a morte.
A grande dificuldade no consultório odontológico é a diferenciação entre hiperglicemia e hipoglicemia. O ideal seria que todo profissional pudesse ter em seu consultório, para atendimento seguro a esses pacientes, um glicosímetro. Este aparelho é de fácil obtenção, manuseio e custo muito accessível e, a princípio, garantiria esta diferenciação. No caso de dúvida entre uma hiperglicemia e hipoglicemia (quando de diagnóstico fechado de DM), optamos por tratar, sempre, como se fosse uma hipoglicemia, ou seja, administração de substâncias que contenha carboidratos, sucos ou administração de glicoses específicas para este fim. Após, realizamos encaminhamento para atendimento médico.
No próximo artigo iremos falar um pouco das manifestações bucais e seus tratamentos.
Dúvidas, entrem em contato com o e-mail: lcherubi@usp.br
Abraços a todos e até o próximo artigo. Outros artigos já publicados pelo autor no Jornal do Site Odonto *Luís Antonio Cherubini Carvalho é aluno especial de Doutorado do Programa de Pós-graduação Infecção e Saúde Pública da Coordenação dos Institutos de Pesquisa – PPG-CIP, com área de concentração em Saúde Coletiva – Secretária de Saúde do Estado de São Paulo. Mestre em Deontologia e Odontologia Legal pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (Fousp) em fevereiro de 2003. Especialista em Odontologia Legal pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (Fousp – Fundect) em julho de 2000. Cirurgião-dentista do Centro de Atendimento à Pacientes Especiais da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo – Cape-Fousp. Ex-coordenador do Departamento de Odontologia da Associação Nacional de Assistência ao Diabético – Doanad-Anad. Atualmente docente da disciplina de Odontologia Legal e Orientação Profissional da Universidade Bráz Cubas. CRO/SP nº 53605 |