Quem lucra com a exclusão da
Odontologia dos planos de referência?
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Sylvio Gevaerd* |
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Sou contrário à
desobrigação porque se configura em retrocesso no processo de regulamentação dos
planos, favorecendo as grandes empresas que já operam no mercado em detrimento dos
usuários e do mercado de trabalho dos cirurgiões-dentistas. Entendo que o governo
retrocedeu em função dos argumentos e da pressão que as empresas de planos de saúde
- Abramge - fizeram, alegando que não possuíam capacitação técnica para
implantar planos odontológicos dentro do prazo da lei 3/12/99. Vale lembrar que esta
também era, estranhamente, a posição de algumas empresas '"grandes" de
Odontologia.
Não existe dúvida de que as alterações no mercado de trabalho
odontológico, que alguns ingênuos e/ ou desinformados insistem em atribuir
exclusivamente ao número de faculdades, vincula-se às transformações ocorridas no
modelo econômico do país. Uma destas mudanças é o direcionamento da política de
saúde para um modelo em que os planos e seguros de saúde têm papel preponderante,
a ponto de ter sido alterada a constituição para permitir a entrada de capital
estrangeiro no setor. Se, neste momento, flexibiliza-se a participação da
Odontologia, o que ira ocorrer?
Com certeza o estabelecimento de novas e melhores relações
entre operadoras, CDs e usuários será mais demorada, perpetuando distorções apontadas
por todos. O ingresso neste mercado, que pessoalmente considero inexorável, será
lento, tornando a adaptação mais difícil, gerando mais conflitos do que
soluções, favorecendo a fixação de preços incompatíveis e o monopólio das grandes
operadoras. À medida em que a concorrência não se estabelece, a população é a grande
prejudicada, não se beneficiando com custos nem qualidade. Quem ganha?
Certamente não seremos nós,
cirurgiões-dentistas, e muito menos a população. |
*O CD Sylvio Gevaerd é coordenador
do Grupo de Trabalho de Odontologia da Câmara de Saúde Suplementar.
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