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Só é possível cobrar,
o que é possível pagar

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Waldir Grec*

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Atualmente encontramos os cirurgiões-dentistas muito preocupados querendo saber qual será o futuro de sua clínica, de sua clientela, de como a economia irá intervir em seu ganho, o que o efeito Custo-Brasil trará de benefício ou de prejuízo para as suas finanças, qual o peso da globalização em seus custos, o que representará a abertura de nossas fronteiras para a Odontologia latino-americana após a implantação do Mercosul.

Muitos de nossos colegas estão cientes das transformações pelas quais o mundo, e particularmente nosso país, estão passando, que quanto mais próximos da virada do milênio estivermos, mais rapidamente ocorrerão estas transformações, e que a Odontologia praticada na próxima década será completamente diferente da atual, bem como a relação paciente-profissional terá uma conotação totalmente nova e inédita.

Muitos ainda investem muito dinheiro em equipamentos informatizados, aparelhos para assepsia, medicamentos de última geração; investem muito tempo em aprender novos métodos mais seguros e eficazes para resolver os problemas odontológicos de seus clientes, e isto é muito válido. Mas, quantos dentistas se preocupam em organizar a economia de sua empresa, em administrar a contento o dia-a-dia do negócio, em contabilizar seus gastos e ganhos financeiros?

O mundo mudou. A economia se tornou imperativa, as empresas evoluíram, o mercado se tornou altamente competitivo, o número de dentistas cresceu proporcionalmente acima do número de pessoas, o índice de cáries diminuiu e o poder aquisitivo da população caiu vertiginosamente.

Enquanto isto, muitos colegas continuam batendo de frente com o óbvio, com o futuro, que já é presente, com a metodologia. Muitos continuam a afirmar que: "Aqui quem faz o preço sou eu.", "O meu cliente quer é qualidade, não vê preços", "Em meu consultório cobro o que quero." Ledo engano! Hoje este é o caminho para o naufrágio. Para a falência.

Este é o momento de mudar, de acordar, de dar uma guinada de 180°.
Dentro do alto custo de nossa economia, diante da indecisão de nossos governantes e frente aos novos impostos gerados dia a dia, temos que apresentar uma eficiência a toda prova, temos de superar os percalços financeiros para sobreviver e auferir lucro com nossa produção profissional.

Mais que nunca temos que ter em mente chavões antigos, mas verdadeiros do tipo: "O cliente sempre tem razão" e "Aqui quem manda é o freguês".
Já não é possível cobrar aleatoriamente, sem saber exatamente qual a margem de ganho real, sem saber qual o valor mínimo possível de se cobrar sem se estar tendo prejuízo. Mas para a maioria dos dentistas calcular o seu ganho mensal ou determinar o quanto deve cobrar por uma extração, é muito mais trabalhoso e difícil que realizar qualquer procedimento operatório. Isto faz com que a administração de seu negócio seja relegada a segundo plano ou mesmo totalmente desprezada.
A maioria ainda não se preocupa em aumentar a produtividade, quer mais trabalho, mais rendimento, mas não se preocupa em planejar o trabalho para produzir mais em menos tempo. O dentista ainda quer ganhar mais, cobrando mais e não produzindo mais.

É chegado o momento de criar o interesse, a boa vontade em relação à tecnologia da produtividade.

Imperativo se faz administrar a clínica odontológica independentemente de seu tamanho ou do número de cadeiras e profissionais, com metodologia cientifica econômica mesmo que de forma simples e introdutória.

Atualmente, o proprietário, o dono de uma empresa não pode se dar ao luxo de desconhecer algum assunto que diz respeito ao seu negócio, muito menos ser ignorante em administração e economia.

No momento em que todos os segmentos da economia estão baixando preços, controlando custos, diminuindo ganhos, cortando despesas desnecessárias, dispensando funcionários, relocando os que permanecem, produzindo mais e melhor, não podem os consultórios dentários aumentar seus preços.

Se o dentista quer ganhar mais o caminho é o inverso, cobrar menos.
A realidade esta aí, quem não se adequar a ela será expulso do mercado.
Se são importantes a reciclagem científica e o aprimoramento dos conhecimentos técnicos sobre os procedimentos odontológicos, imperativo se faz aprender administrar a clínica.

Precisa-se trabalhar com mais eficiência, agilidade, não só no trabalho direto na boca do paciente, como também nos procedimentos indiretos, e isto é possível aumentando o número de cadeiras, usando pessoal auxiliar especializado, incluindo aí a colaboração de técnicos em higiene dentária e protéticos, delegando tarefas a subordinados, informatizando procedimentos rotineiros e burocráticos, administrando eficientemente o tempo.

Deve-se controlar os custos sim, mas acima de tudo saber usar o tempo clínico de forma organizada e produtiva. É o tempo que determina a eficiência. Uma vez que dentro de nossa economia o que determina o preço é o mercado, é o cliente que diz quanto pode pagar.

Ou você cria condições para atender a expectativa da população ou alguém o fará.
Atualmente, e cada vez mais no futuro, o cliente procura atendimento personalizado, qualidade de serviço, segurança à sua integridade física, prazo mínimo para execução dos serviços, prazos máximos para pagamento, mas acima de tudo preços baixos.

O dentista só pode cobrar, o que o cliente pode pagar.

O mercado é quem está regulando os patamares de preço, e a tendência disto é cada vez maior.

É hora de acordar, é hora de aprender, é hora de ganhar.

Lembrando um de nossos grandes poetas:

"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer".


*O CD Waldir Grec é especialista em Odontologia Legal e Deontologia. Mestre pela FOP/UNICAMP. É também professor de Odontologia Social da UNICID e representante do CFO no CONSU.


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