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| Ano V - Nº 59 - Janeiro de 2003 |
Piercings orais: uma
ameaça |
| Atualmente notamos um considerável
aumento do número de pessoas adeptas do uso de piercings, principalmente
entre adolescentes e adultos jovens. O uso de piercings, através da perfuração da pele
e colocação de barras, argolas ou botões metálicos, pode ser observado em diversas
áreas do corpo como orelhas, nariz, região periumbilical, pênis e vulva, mas é comum a
preferência pelo tecidos bucais como os lábios, bochechas e, principalmente, a língua. Por conseqüência, os cirurgiões-dentistas têm tido cada vez mais a oportunidade de ver os efeitos danosos causados pelo uso destes acessórios e tem aumentado o número de pacientes interessados em receber orientações a respeito desta prática, por já possuírem ou terem a intenção de instalar um piercing em algum local da boca. A maioria dos relatos da literatura, assim como os casos do Setor de Urgência da Faculdade de Odontologia da USP (Fousp), apresentam as seqüelas causadas pelo botão labial metálico e a barra translingual, que são os piercings orais mais comumente usados.
O botão labial metálico é um tipo de ornamento localizado logo abaixo do vermelhão do lábio inferior, cuja base fica situada intraoralmente. Durante a movimentação dos lábios, esta base metálica entra em atrito com a gengiva na parte da frente dos dentes anteriores inferiores, causando uma recessão gengival. Ou seja, a gengiva desce, ficando o dente mais alongado e com o colo exposto. O colo do dente corresponde à região da junção entre a raiz e a coroa, que é bastante sensível quando exposta. A barra translingual atravessa a língua do dorso ao ventre e durante a movimentação lingual traumatiza a gengiva e ocasiona recessão gengival na parte de trás também dos dentes anteriores inferiores. Nota-se com freqüência nos adeptos da barra o desenvolvimento de hábitos
parafuncionais, tal qual o de ficar mordendo o piercing de uma forma incontrolável. E,
dessa maneira, além da gengiva, os dentes também podem ser afetados, trincados ou
fraturados. *Isabel Peixoto Tortamano é professora doutora da disciplina de Clínica Integrada e do Setor de Urgências da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (Fousp). **Carina Gisele Costa é aluna do Curso de Pós-Graduação da Disciplina de Clínica Integrada da Fousp. |