Ano VII nº 101 -

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Distúrbios emocionais – Importância na Clínica Odontológica

Ivan Haidamus Sodré Marques*

“Os movimentos expressivos no rosto e corpo servem como primeiro meio de comunicação entre a mãe e seu filho. Os movimentos expressivos conferem vivacidade e energia às nossas palavras faladas.

Revelam os pensamentos e intenções dos outros, de modo mais verdadeiro do que o que fazem as palavras, que podem ser falseadas.

A livre expressão de uma emoção através de sinais externos a intensifica. Por outro lado, a repressão até onde isso for possível, de todos os sinais externos, enfraquece nossas emoções.

Aquele que se permite expressar por uma gesticulação violenta incrementará sua ira, aquele que não controla os sinais de medo, vivenciará esse medo em grau mais elevado; e aquele que permanece passivo quando subjugado pelo pesar, perde sua melhor oportunidade de recuperar a elasticidade mental.”

Charles Darwin, 1872

 

Alterações do pensamento, do humor, do comportamento e dos parâmetros clínicos podem com freqüência ocorrer na clínica diária.

É incumbência do profissional diagnosticar sua etiologia, sabendo diferenciar causas orgânicas e psíquicas.

Qualquer sintoma psiquiátrico (ou psíquico) pode ser causado ou exacerbado por um distúrbio orgânico.

Durante nosso primeiro contato com o paciente, devemos saber excluir determinadas histórias pregressas contadas por pacientes “fantasiosos”, que tentam impressionar o profissional simulando sinais e sintomas de doença fictícia e muitas vezes pela falta de evidência para se estabelecer um diagnóstico de patologia física. Devido à ausência de achados orgânicos o profissional poderá estabelecer diagnósticos equivocados.

Distúrbios de Somatização

Estes distúrbios são manifestados de inúmeras formas.

Citaremos apenas algumas, a título de ilustração: pontadas no peito, distúrbios gastrointestinais, pseudo-convulsões, amnésias, vertigens podem ser sintomas provocados simplesmente à vista do instrumental e equipamento clínico ou cirúrgico do consultório.

Pacientes traumatizados ou condicionados negativamente passam a ter pavor do tratamento odontológico e, dependendo do seu estado psico-neurológico, apresentam tais sintomas.

Face ao exposto, devemos saber interpretar, diagnosticar e medicar corretamente na dependência de possíveis sinais e sintomas característicos encontrados.

Distúrbios da dor

Dor Psicogênica

A característica predominante desse distúrbio é que o paciente relata sentir dor, mas não se descobre qualquer doença orgânica ou mecanismo fisiopatológico que poderia provocá-la.

Suponhamos o caso de um paciente que venha a se queixar de uma compressão no peito ou dor na região cordial.

O profissional deve estar apto para diagnosticar se tais sintomas são devidos a causas fisiopatológicas ou a um estado emocional. Ele poderá estar somatizando seus sentimentos de medo, ansiedade ou insegurança. É um estado de angústia que se traduz por essa opressão.

Hipocondria

A característica predominante desse distúrbio crônico é a interpretação irreal dos sintomas físicos como sendo anormais, o que leva à preocupação com o medo ou a crença de que se tem uma doença grave. O distúrbio persiste, apesar de numerosas avaliações clínicas, e com freqüência causa comprometimento social e profissional.

Diversos sistemas orgânicos podem ser o foco da preocupação do hipocondríaco, embora um sistema possa predominar (por exemplo, cardíaco). Geralmente, estes indivíduos procuram diversas opiniões médicas. Ansiedade e depressão comumente coexistem com este distúrbio.

Os poliqueixosos são pacientes que freqüentam consultórios médicos buscando resolver problemas que os profissionais não conseguem detectar através de exames clínicos, radiográficos ou laboratoriais.

Os cirurgiões-dentistas precisam estar atentos também a eles que, em última instância, podem integrar um grupo especial de doentes.

 

* Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola – 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br

Veja aqui outros artigos publicados
pelo autor no Jornal do Site Odonto



 

 

PubE101092005

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