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Emergências no consultório odontológico Odontogeriatria III Exame físico no paciente idoso Ivan Haidámus* |
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Os dados obtidos durante este exame deverão ser anotados na ficha clínica do paciente e analisados antes de cada consulta. A freqüência cardíaca geralmente encontra-se dentro dos limites da normalidade, com tendência a freqüências mais baixas que as dos adultos. O idoso costuma apresentar hipertensão sistólica isolada, portanto o profissional deverá mensurá-lo antes de iniciar a analgesia local pois o importante é a pressão arterial sistólica e não a diastólica nestes casos. Devemos auscultar o paciente idoso em ambiente silencioso e o paciente deve estar sentado ou de pé, nunca deitado! Este procedimento poderá sugerir a presença de sopros cardíacos comuns nos idosos. O sopro cardíaco é indicativo de fluxo turbulento que por si só contra-indica manobra vagal na região do seio carotídeo (estimulação do parassimpático) para redução da freqüência cardíaca, além de sugerir endocardite bacteriana, pois as alterações valvares podem aumentar sua probabilidade durante as bacteremias. PALPAÇÃO GANGLIONAR As regiões submentonianas, submandibular e cervical, devem ser palpadas à procura de linfadenopatias; gânglios infartados unilateralmente indicam processos localizados; gânglios infartados bilateralmente indicam processos sistêmicos. A palpação ganglionar deverá ser realizada com as mãos em garra. TEMPERATURA NO IDOSO A temperatura corporal é regida pelo sistema nervoso autônomo e estruturas localizadas no hipotálamo anterior, na área pré-óptica e no hipotálamo posterior. Os chamados endógenos pirógenos leucocitários que são os receptores da temperatura (termorreceptores) se encontram em menor número nos idosos, além da dificuldade de adaptação do organismo às variações de temperatura do meio ambiente. A temperatura do corpo não é uniforme, apresentando diferença marcantes entre as médias das temperaturas dos tecidos profundos em relação às temperaturas da superfície do corpo, como também existem diferenças importantes entre as temperaturas dos membros inferiores e superiores que são mais frios que as regiões centrais do corpo, independentemente da temperatura do meio ambiente. A temperatura das mãos deverá ser observada toda vez que iniciamos uma analgesia local, pois ela reflete a temperatura corporal. Em ambientes quentes, o fluxo sangüíneo para a pele aumenta pela vasodilatação para promover transferência de calor à superfície, originando a transpiração. O tremor é originário de processo inverso a fim de se evitar a perda imediata de calor. DROGAS Algumas drogas podem ter um efeito direto sobre o sistema termorregulador reduzindo o tremor e diminuindo a produção de calor. Os analgésicos locais provocam vasodilatação com conseqüente perda de calor para o meio externo e, muitas vezes, dependendo da quantidade usada leva à hipertensão, principalmente em idosos, pois o débito cardíaco encontra-se de 30 a 40% reduzido, facilitando inclusive situações de perda de sentido (síncope). * Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br |