| Há sete anos ministro cursos
sobre os temas "Emergências médicas no consultório odontológico" e "Como
tratar pacientes com doenças orgânicas na odontologia clínica". Nos últimos dois anos venho notando grande
freqüência de casos de reações alérgicas em resposta a medicamentos de uso
odontológico, principalmente anestésicos locais.
São relatos de profissionais
recém-formados ou mesmo com 10, 20 ou 30 anos de profissão . O que me fez publicar este
artigo foi o depoimento de uma profissional durante um curso ministrado em agosto deste
ano.
Segundo esta profissional,
a paciente foi submetida à analgesia local que acabou determinando uma reação alérgica
urticariforme anafilática típica, com posterior comprometimento sistêmico que provocou
a sua internação imediata com diagnóstico de choque anafilático!.
As reações anafiláticas vêm acontecendo
de forma assustadora e preocupante pois, muitas vezes, a anamnese, o exame físico e
exames laboratoriais não são "armas" suficientes para que possamos
evitá-las!.
Confesso que até o final do ano passado,
durante os cursos que ministrava, ao abordar o assunto "anafilaxia" sempre
comentava sobre a importância de uma prévia consulta ao médico alergista para que
pudéssemos descartar a possibilidade do paciente ser alérgico às substancias injetadas
ou prescritas rotineiramente na clínica diária em pacientes susceptíveis a processos
alérgicos.
Presenciei durante um plantão no
pronto-socorro de um dos mais conceituados hospitais da capital paulista uma reação
anafilática em uma jovem de 25 anos medicada pelo otorrinolaringologista com um fármaco
aparentemente "inocente", pois não constava da relação de medicamentos
"proibidos" pelo alergista.
Após ser submetida ao tratamento
emergencial básico (adrenalina sub-cutânea, hidrocortizona injetável e oxigenoterapia),
a paciente esboçou um sorriso, pois visivelmente os sinais alérgicos estavam
desaparecendo, assim como os sintomas de edema de glote provocado pela histamina.
Gentilmente esta moça aceitou conversar
conosco após sua recuperação e nos relatou que costumava freqüentar consultórios de
médicos alergistas. Ela apresentou a relação de fármacos "proibidos" pelos
especialistas pois poderiam desencadear reações alérgicas (derivados da dipirona).
Observem que o médico
otorrinolaringologista prescreveu um medicamento que não constava na lista de remédios
proibidos pelo alergista!.
Este caso, assim como outros vivenciados no
pronto-socorro, nos induz a pensar que estamos sujeitos a ter que intervir de forma
rápida e certeira em nossos consultórios e, para isso, precisamos conhecer sinais e
sintomas patognomônicos das reações anafiláticas, assim como saber instituir a
terapêutica indicada, pois as anafilaxias geralmente acontecem de forma rápida, podendo
nos casos mais graves levar o paciente ao estado de choque! |