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ANGINA PECTORIS - ANGINA DO PEITO

Ivan Haidámus*

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Artigo extraído do livro Emergências médicas no consultório odontológico


Emergências
Médicas no
Consultório
Odontológico

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Com prefácio do Prof. Dr. Gaspar de Jesus Lopes Filho, do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina, o livro Emergências Médicas no Consultório Odontológico é de autoria do cirurgião-dentista Ivan Haidamus, que a partir desta edição, é também articulista do Jornal do Site Odonto. Na obra, são mostrados os passos do atendimento de emergência, desde a avaliação inicial até os procedimentos que o CD deve adotar em caso de necessidade, como arritmias cardíacas, bradicardia, hipertensão arterial, larigontomia, aspiração de corpos estranhos até distúrbios emocionais.


Ilustrado, o livro tem 146 páginas e custa R$30,00. Para adquirir, peça pelos telefones (+11) 9823.5759, (+11) 9795.6113 ou pelo e-mail haidamus@dentmail.com.br


O termo "Angina pectoris" oriundo do grego Ankhein (sufocar) foi usado por Willian Heberden, em 1768 para escrever uma síndrome clínica de desconforto torácico aos esforços.

Patologia sintomática, geralmente definida como um desconforto no tórax ou em uma região próxima, tipicamente provocado pelo esforço ou ansiedade, com a duração de alguns minutos e aliviada pelo repouso.

Geralmente, acomete pacientes com mais de 50 anos com história prévia de arteriosclerose e mulheres em fase de pré-menopausa.

A Angina pectoris é um sintoma de isquemia miocárdica determinada por aumento da atividade adrenérgica.

O processo isquêmico é passageiro não provocando necrose miocárdica.

O suprimento miocárdico de oxigênio é governado pelo fluxo sangüíneo coronário e pela capacidade do miocárdio de extrair oxigênio do sangue a ele ofertado.

Ao contrário de outros órgãos, o coração é que extrai o oxigênio do sangue com uma deficiência mesmo em condições de demanda mínima.

Agentes farmacológicos são utilizandos com a finalidade de diminuírem a contratibilidade do músculo cardíaco resultando em uma menor demanda de oxigênio, os chamados beta-bloqueadores adrenérgicos. Ao bloquearem o receptor beta, estes agentes diminuem a freqüência cardíaca e na maioria das vezes a pressão arterial.

Os beta bloqueadores no entanto, estão contra indicados para pacientes diabéticos, pois podem contribuir para o não reconhecimento nos estados de hipoglicemia.

Dentre os agentes farmacológicos para esta finalidade, destacamos o propanolol (cloridrato de propanolol) como sendo o mais aceito pelos especialistas da área.

Em geral não se pode "sentir" o coração, mas o músculo cardíaco isquêmico apresenta sensação dolorosa.

A causa desta dor ainda é desconhecida, mas acredita-se que a isquemia faz o músculo liberar produtos ácidos causadores da dor como as cininas e calidina que não são removidas em quantidade necessária devido a lenta circulação do sangue nestas circunstâncias.

A elevada concentração destes produtos estimulam as terminações sensitivas no músculo cardíaco e os impulsos dolorosos são conduzidos através das fibras nervosas aferentes simpáticas para o sistema nervoso central.

De modo geral, a maioria das pessoas que tem angina pectoris sob várias apresentações clínicas, inclusive angina instável ou mista, não apresentam dor, a não ser quando praticam exercícios, experimentam emoções ou se submetem a stress fazendo aumentar o metabolismo cardíaco, situações comuns de acontecerem no consultório odontológico.

A) Avaliação laboratorial

O eletrocardiograma (ECG) e principalmente o eletrocardiograma de esforço é um teste clínico provocativo muito usado na isquemia miocárdica, na qual pede-se ao paciente que exercite geralmente sobre uma bicicleta ou esteira rolante, gradualmente aumentando-se a carga de trabalho, até que ocorram alterações eletro cardiográficas, isquemia ou outros sintomas limitantes.

Com o aumento da sobrecarga do exercício progressivo, a freqüência cardíaca e a pressão sistólica devem aumentar.

Durante o exercício, uma resposta clinicamente positiva é a ocorrência de um desconforto típico anginoso torácico como o descrito anteriormente.

B) Crise aguda anginosa

Durante a crise anginosa, o paciente torna-se ancioso, incapaz de indicar exatamente a fonte de desconforto, mas na maioria das vezes fechará o punho sobre o osso esterno na tentativa de minimizar a dor.

Freqüêntemente, a dor é descrita como uma sensação de peso sobre a área pré-cordial podendo irradiar-se para os ombros, braços e mandíbula.

Muitas vezes, durante a isquemia episódica, pode ocorrer insuficiência ventricular esquerda provocando sensação de "falta de ar" ou "aperto no peito".

Geralmente, a dor é de curta duração, 3 a 5 minutos, se o fator desencadeante for removido.

O desconforto com duração de menos de um minuto raramente é angina, e o desconforto de grande intensidade durante mais de 20 minutos deve levantar a suspeita de um enfarto do miocárdio.

Os pacientes anginosos geralmente "levam" consigo vaso dilatadores coronarianos, pois fazem uso durante eventuais crises.

Os nitratos como Isordil (Dinitrato de Isossorbida) aliviam a angina melhorando o fluxo arterial coronário, reduzem as demandas de oxigênio, pois provocam relaxamento da musculatura lisa vascular, consequentemente, provocam a diminuição da pressão arterial na maioria das vezes.

Caso tenhamos que intervir durante uma situação de crise anginosa, devemos prontamente deitar o paciente, de preferência no chão, colocar o isordil embaixo da língua do paciente, procurar elevar seus membros inferiores afim de elevarmos sua PA, sentir seu pulso radial e carotídeo e verificar sua pressão arterial.

Caso o alívio da dor não seja obtido de oito a dez minutos, o médico do paciente deve ser avisado e o paciente transportado para um hospital.

 

Observação:injeções (IM) de sedalene muitas vezes são indicadas para o alívio da dor.

O Isordil poderá provocar hipotensão, e eventualmente, levar o paciente ao estado de choque, portanto, deve ser reservado a pacientes que já fazem uso desse medicamento de forma sistemática.

Ansiolíticos poderão ser prescritos, como por exemplo o Diazepan afim de deixá-los menos ansiosos durante o tratamento.

Os ansiolíticos deverão ser ingeridos na noite que antecede o tratamento.

Os tratamentos deverão ser realizados de preferência após às 12 (doze) horas, pois das 6 (seis) às 12 (doze) horas temos uma grande quantidade de plaquetas e linfócitos agregados facilitando o aparecimento de trombos e consequentemente o surgimento de êmbolos aumentando a isquemia (principal causa da morte celular).


* Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola – 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br

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