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Ano IV - Nº 52 - Primeira quinzena de junho de 2002
 

Emergências no consultório odontológico

Hipertermia maligna

Ivan Haidámus*

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Febre ou pirexia, é uma elevação da temperatura corporal a um nível acima do normal, isto é, acima de 37,5º C (99,5º F). Ela é um indicador valioso de inflamação e sua magnitude reflete a gravidade do processo inflamatório (infeccioso).

A temperatura corporal central é medida pela temperatura do sangue no átrio direito. A febre não equivale a uma temperatura central elevada, mas a um ponto pré –determinado elevado. O esforço físico intenso e a imersão em líquidos quentes elevam a temperatura central mesmo que não haja febre, por exemplo.

Para que ocorra o controle da temperatura corpórea, o fluxo sangüíneo deverá se deslocar entre os leitos vasculares profundo e superficial, além do aumento da micção no frio e aumento da sudorese no calor, mantendo-se a conservação dos líquidos corpóreos (equilíbrio homeostático).

A termorregulação dependerá da pressão sangüínea, do volume e da composição eletrolítica, comandados pelo sistema nervoso central através dos endógenos pirógenos (citocinas) situados no hipotálamo anterior.

A hipertermia maligna se caracteriza pelo aumento da temperatura corpórea para 42ºC ou mais em pacientes que foram expostos a anestésicos voláteis principalmente o Halotano, Enflurano e Succinilcolina.

Os anestésicos inalatórios como o óxido nitroso, intravenosos como o Diazepan, opióides e os anestésicos locais do grupo amida e éster são considerados seguros no que concerne à hipertermia maligna.

Alterações fisiopatológicas

As alterações clínicas são variáveis e surgem durante a anestesia e até três horas após a interrupção da exposição ao agente desencadeante. Rigidez muscular (principalmente do masseter), aumento do consumo de O2 e conseqüente produção de Co2 (cianose), acidose metabólica e respiratória, taquicardia e hipertermia são manifestações iniciais geralmente presentes. Sintomas como febre, cansaço muscular, câimbras e fraqueza são demasiadamente inespecíficos para sugerir susceptibilidade, portanto o paciente deverá ser inquirido durante a anamnese.

Os pacientes com antecedentes familiares de primeiro grau possuem maior susceptibilidade à hipertermia maligna, principalmente as crianças.

Tratamento básico

  • Interrupção imediata da inalação de anestésicos voláteis ou provável agente desencadeador.
  • Hiperventilação com oxigênio puro.
  • Dantrolene Sódico – injeções intravenosas de 2mg/kg.
  • Bicarbonato de Sódio – intravenoso 1 a 2mEq/kg.
  • Lavagem gástrica, vesical e retal.
  • Controle das arritmias e da pressão arterial.

Observações finais

O Dantrolene é um anti-térmico inespecífico com metabolização hepática.

Raríssimos hospitais dispõem de Dantrolene Sódico (provavelmente 10 entre 1,2 mil hospitais e clínicas no Estado de São Paulo).

As informações sobre a incidência de hipertermia maligna no Brasil são discutíveis, mas acredita-se que ocorra pelo menos um caso por mês só no Estado de São Paulo.

Informações adicionais podem ser obtidas através do e-mail haidamus@dentmail.com.br ou pelos telefones (+11) 9823-5759/ 5533-2982.


* Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola – 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br

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