Período de Gestação
O maior problema existente no
tratamento das gestantes é a insegurança que toma conta do profissional e o medo que
norteia as futuras mães.
A gestante tem fantasias de
vida e de morte, portanto, nossas atitudes deverão ser cautelosas, não demonstrando
insegurança, orientando-a quanto à forma de higienização bucal, pois é normal
aumentarem as lesões cariosas e os sangramentos gengivais.
Logo nas primeiras consultas
devemos orientá-la quanto à maneira correta de escovar os dentes, uso de fio dental,
fatores nutricionais e demais procedimentos que possam minimizar os fatores locais
deletérios da saúde oral.
É verdade que existem fatores
coadjuvantes, os quais poderiam intervir na má condição oral que às vezes se
apresentam como fatores hormonais e psíquicos.
O comportamento das gestantes
junto ao profissional muito se assemelha a de uma criança, choro, medo, insegurança,
são fatos que ocorrem com freqüência nessas condições.
Cuidados que devemos ter no
atendimento às gestantes
Quando possível devemos
consultar o médico assistente (ginecologista) para eventuais recomendações.
Mensurar a pressão
arterial.
Geralmente as gestantes são
hipotensas.
A P.A. diastólica não
poderá estar entre 9 e 11.
Estes níveis pressóricos
podem levar a complicações para a gestante (pré-eclampsia).
A consulta ao ginecologista
deverá ser obrigatória nesses casos!
Não recomendamos o uso de
anti-inflamatórios, principalmente anti-inflamatórios não-esteróides (AINE), pois
atuam em prostaglandinas (os leucotrienos provocam vasoconstricção em resposta à ação
das prostaglandinas que têm uma potente ação vasodilatadora, podendo desta forma
desenvolver o "fechamento" prematuro do ducto arterioso que irriga o feto!).
Tylenol (Paracetamol) é o
analgésico de escolha neste período. Não apresenta ação anti-inflamatória.
Antibióticos Amoxicilina e
Cefalexina (Ex.: Keflex)
Observação: Quando a
paciente for alérgica à penicilina devemos prescrever a Clindamicina, não recomendamos
o uso de Eritromicina, pois costumam provocar distúrbios gastrointestinais.
As anestesias locais
(analgésicos locais) poderão ser feitas normalmente excetuando-se nos últimos meses (7
ao 9 mês), principalmente anestésicos contendo vasoconstrictores, pois podem exercer
influência sobre a musculatura uterina.
A Lidocaína poderá ser
usada desde de que a paciente não apresente arritmias importantes.
O primeiro mês e meio é o
período de formação dos órgãos, portanto devemos ser cautelosos em relação ao uso
de anestésicos, prescrição de medicamentos e uso de RX.
Observação: Nem sempre a
paciente poderá ter certeza que está "grávida" durante esse período!
Uso do RX
As radiografias são
auxiliares no diagnóstico, portanto, devemos lançar mão de seu uso para que nos ajude a
esclarecer eventuais dúvidas durante o tratamento. No entanto, deverá ser evitado sempre
que pudermos adiá-lo para depois do período de gestação.
As radiografias periapicais
possuem radiação de 0,5 rad, portanto a realização de até 100 radiografias
periapicais não iria causar nenhuma alteração para o feto e o metabolismo da gestante.
Para finalizar deixaremos um
recado: O medicamento número um para a gestante é a palavra!
Período de Menstruação
Se bem que não
constituam uma verdadeira contra-indicação para prática de intervenções cirúrgicas,
os períodos menstruais não são favoráveis por várias razões. São citados casos de
suspensão, e também de hemorragias rebeldes, após intervenções cirúrgicas efetuadas
durante os períodos menstruais.
Não é conveniente uma
operação durante esse período, nem mesmo se tratando de uma intervenção simples, como
uma extração. As intervenções podem muito bem ser adiadas, já que se trata apenas de
um período de alguns dias.
Todavia, no caso de qualquer
intervenção que necessite de urgência, é claro que devemos intervir imediatamente,
passando para um segundo plano os possíveis inconvenientes.
Os tratamentos clínicos
poderão ser realizados normalmente.
Observação: Não
recomendamos que se faça intervenções cirúrgicas em pacientes que se encontram com
anemia ferropriva (a maior porcentagem de hemoglobina encontra-se sob a forma de ferro).
Período de Lactação
Segundo alguns
autores, este período não constitui contra-indicação operatória, no entanto,
contribui para a ocorrência de riscos, como por exemplo: a passagem para o leite de
tóxicos utilizados na anestesia, acabando por prejudicar o filho. Mas a quantidade de
adrenalina e novocaína ou mesmo de qualquer anestésico geralmente ingerido, é sempre
pequena e a nosso ver, esse inconveniente não tem razão de ser, mesmo porque pode-se
suprimir as mamadas logo após a operação, substituindo-a, provisoriamente, por uma
alimentação artificial.
Observação: Não devemos
utilizar Cloranfenicol (antibiótico) em pacientes que se encontram no período de
lactação.
Estas pacientes poderão
eventualmente sentir palpitações decorrentes da maior presença de Ocitocina (hormônio
antidiurético).
* Ivan Haidamus é
cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do
Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola
Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São
Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso
Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes
com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências
médicas no consultório odontológico (Editora Cipola 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br |