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Ano IV - Nº 57 - Primeira quinzena de novembro de 2002
 

Emergências no consultório odontológico

O que devemos observar durante
o ato anestésico no consultório odontológico.

Ivan Haidámus*

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Mais de noventa por cento (90%) dos cirurgiões dentistas utilizam a analgesia local em seus consultórios, pois os tratamentos dificilmente são realizados em ambiente hospitalar sob anestesia geral. No entanto crêem estar mais seguros, pois dificilmente ocorreria alguma situação emergencial ou que demandasse cuidados especiais.

Quando o paciente se submete a anestesia geral, está sendo acompanhado por uma equipe médica e seus sinais vitais estão sendo "vigiados" constantemente através de monitores.

Infelizmente não dispomos deste recurso que nos daria maior segurança e despertaria mais confiança no assistido.

É por isso que venho insistindo de forma exaustiva para que o profissional observe durante qualquer ato anestésico alguns sinais e eventualmente sintomas por parte do paciente.

A freqüência cardíaca deverá ser avaliada através do pulso radial, alternâncias importantes poderão indicar início de reação alérgica anafilática.

Devemos também observar a região logo abaixo do pescoço que poderá indicar reação alérgica causada pelo analgésico local, principalmente em pacientes com história de doenças alérgicas como asma, bronquite, sinusite, rinite etc.

Estes pacientes deverão ser informados a se apresentarem no consultório com vestuário apropriado para que possamos avaliar possíveis sinais já mencionados.

Devemos evitar atender pacientes idosos (acima de 65 anos) usando gravatas ou camisas que possam pressionar o seio carotídeo, pois poderão provocar manobras vagais involuntárias podendo levar o paciente a situações de arritmias (Bradicardia) e eventualmente a perda de consciência (Síncope) por diminuição repentina do fluxo cerebral.

As analgesias deverão ser realizadas de forma cautelosa, lenta e fracionada. Lembre-se que quando se corre e leva um "tombo" o "choque" é bem maior do que quando se está caminhado e "escorrega".

Por último não devemos deixar de observar as pupilas do paciente durante o ato anestésico.

Alterações importantes no débito cardíaco podem provocar Midríase e a incompatibilidade ao fármaco utilizado poderá causar contração pupilar (Miose).


* Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola – 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br

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