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DIABETES MELLITUS (Açucarado)
Aspectos de interesse odontológico

Ivan Haidámus*

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  Antes de iniciar o assunto acima descrito, farei uma rápida recordação a respeito da doença Diabetes. Evidentemente que nossa intenção é abordar aspectos ligados à maneira de como iremos tratar estes pacientes, e não entrarmos em pormenores, o que seria desnecessário e não iria ao encontro de nossos objetivos.

A Diabetes é tida como uma doença sistêmica, que engloba uma doença metabólica, vascular e endócrina. De maneira didática e resumida, diríamos que Diabetes significa aumento de glicose no sangue.

O pâncreas, além de suas funções digestivas, secreta dois hormônios: insulina e glucagon. A insulina é hipoglicemiante, portanto, a sua secreção através do pâncreas é importante para que não haja excesso de açúcar (glicose) no sangue.

As influências hereditárias contribuem significativamente para o desenvolvimento da Diabetes Mellitus, assim como gravidez, obesidade e infecções também são fatores circunstanciais que poderiam manifestar o estado diabético.

Existem dois tipos de diabetes:

  1. Insulina dependente;
  2. Não insulina dependente;

A Insulina dependente, como o próprio nome sugere, é a forma em que o paciente deverá ser medicado de maneira rotineira para que se recomponham os níveis normais compatíveis com a necessidade fisiológica de seu organismo e com a regulação dos processos metabólicos do seu corpo.

A Não insulina dependente é a forma em que existe grande quantidade de insulina circulante porém ela não é bem utilizada pelo organismo. Geralmente, esta forma ocorre em pessoas obesas.

DIAGNÓSTICO DO DIABÉTICO

De maneira geral, os pacientes diabéticos nos informam a respeito de sua patologia durante a anamnese bem conduzida. No entanto, muitos pacientes em tratamento odontológico são surpreendidos quando os orientamos no sentido de que ele seria portador dessa doença sistêmica.

Para tanto, devemos nos orientar a fim de que possamos eventualmente diagnosticar ou nos prevenir para não efetivarmos eventuais manobras ou procedimentos que causariam sérios danos ao paciente.

Existem alguns sinais e sintomas que nos orientam no diagnóstico do diabético:

POLIURIA – indica aumento de corpos cetônicos circulantes e conseqüentemente o paciente apresenta-se com um forte odor facilmente reconhecido pelo profissional;

POLIDIPSIA – o paciente sente muita sede, toma muito líquido e conseqüentemente urina bastante;

POLIFAGIA – alguns autores consideram o aumento da fome como um sintoma patognomônico associado aos anteriores mencionados, no entanto, não podemos assim considerar pois existem casos em que existe a doença e não existe a polifagia;

PERTURBAÇÕES VISUAIS – geralmente o diabético em estado avançado relata perturbações visuais progressivas, queixando-se de vista turva e alteração na qualidade visual.

EXAMES LABORATORIAIS

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), valores acima de 127 (Glicemia) são indicativos de Diabetes. Esse índice é aplicado em países desenvolvidos onde a taxa calórica dos alimentos é mais elevada. No Brasil o valor aplicado é acima de 110.
Observação: estes valores são indicativos de portadores da Diabetes, mas não conclusivos, devendo, portanto, somar-se aos dados clínicos e hereditários.

EXAME DE URINA – (Glicosúria)
Geralmente o diabético apresenta-se com uma quantidade anormal de açúcar na urina.

CUIDADOS NOS TRATAMENTOS CIRÚRGICOS DE DIABÉTICOS

O paciente deverá estar compensado, caso contrário não devemos atuar.

  • Evitar traumas excessivos.
  • Evitar a possibilidade de sangramentos excessivos, pois esses pacientes são altamente susceptíveis a hemorragias.
  • Prescrever antibióticos 2 ou 3 dias antes e após a cirurgia, pois esses tipos de pacientes são altamente suscetíveis a infecções. A amoxicilina poderá ser usada como antibiótico de escolha caso o paciente seja só diabético. Quando apresentar outra doença (exemplo: hipertensão) devemos pedir antibiograma ou consultar o médico assistente.
  • Caso o paciente seja alérgico à penicilina, a Clindamicina deverá ser o antibiótico de escolha para estes casos.

Recomendações

1 - A Prilocaína é o anestésico recomendado (Citanest)

2 – A cirurgia deverá ser feita preferencialmente no meio da manhã caso o paciente seja só diabético. O paciente deverá estar alimentado e deverá tomar meia dose de insulina; após o tratamento poderá fazer uso da outra meia dose, a fim de se evitar a hipoglicemia.

PERIODONTOPATIAS

O diabético possui alta incidência de problemas periodontais, portanto, devemos orientá-los quanto à sua higiene e profilaxia bucal, como forma de escovar os dentes e uso de fio dental.

A presença de placa dental (bactérias) deverá ser evitada e um constante acompanhamento deverá ser seguido para que não haja perda dental e hemorragias gengivais.


* Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola – 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br

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