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| Ano V - Nº 64 - Abril de 2003 - 1ª quinzena |
Hipoglicemia Ivan Haidámus Sodré Marques* |
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| O Diabetes Mellitus é uma perturbação
crônica do metabolismo dos carboidratos, gorduras e proteínas caracterizada por hiperglicemia em jejum. Os hormônios, uma palavra de origem grega que significa "excitar" ou movimentar, são substâncias que regulam o metabolismo e coordenam as adaptações homeostáticas, o crescimento, o desenvolvimento e a reprodução. O pâncreas secreta dois hormônios: a insulina, que é hipoglicemiante e o glucagon, hiperglicemiante. A hipoglicemia poderá ocorrer em diversas situações e com vários tipos de pacientes, mormente os diabéticos insulino-dependentes. Pacientes alcoólatras e idosos demandam cuidados especiais, pois não costumam se alimentar, possuem falta de elementos dentários parcial ou totalmente e não costumam fazer uso de medicamentos de forma correta; também não tomam água de maneira satisfatória por incapacidade física ou mental, favorecendo situações de hipoglicemia com graves rebaixamentos do nível de consciência, principalmente em nível de bulbo ou ponte. Descompensação diabética associada ao estresss podem levar o paciente a óbito nos casos mais dramáticos. Pacientes diabéticos descompensados podem ser vítimas do infarto de miocárdio silencioso, que não provocam dor! As pessoas não diabéticas respondem à ingestão de alimentos, ao exercício e ao estresse de modo a manter a glicemia dentro dos limites compatíveis com o metabolismo normal. Portanto, ocorre um aumento na captação de glicose acompanhado por elevação correspondente na produção hepática da glicose. A administração de insulina exógena nos pacientes insulino-dependentes, muitas vezes levam ao estado de hipoglicemia quando as doses excedem ao normal ou administradas em horários inapropriados. Caracterizada por sudorese fria e abundante, palpitações, pseudo convulsões com discreta sialorréia, fraqueza, ansiedade e tontura. Nos casos mais graves, poderão ocorrer situações de perda de consciência, chegando até o estado de coma. O sistema nervoso central (SNC), principalmente o cérebro, é o principal tecidido consumidor de glicose, responsável por cerca de 70 % da utilização total da substância. A glicose constitui a fonte primária de energia para o cérebro. Pacientes que não sabem que são diabéticos Calcula-se que para cada paciente reconhecidamente diabético, exista um paciente com diabetes não diagnosticado. Portanto, além da tríade poliúria, polidipsia e polifagia colhida eventualmente durante a anamnese e exame físico, podemos lançar mão de tiras que registram o nível de glicose sangüínea (dextro). Faz-se uma pequena "picada" de agulha na polpa do dedo do paciente e colhe-se o sangue em uma tira (dextro). Aguarda-se um minuto, seca-se, espera-se mais um minuto e observa-se a cor comparando-a com as cores da embalagem. Por exemplo, valor 110 indica cor verde escura e determina o valor da glicemia. Atenção! A hipoglicemia só poderá ser "diagnosticada" através do "dextro", não tentem "adivinhar" o quadro pois poderão ter conseqüências desagradáveis. Pacientes em estado de hipoglicemia A infusão endovenosa de dextrose (glicose 50%) e oxigenação é a terapia indicada nesses casos. Observação: Pacientes inconscientes deverão ser medicados na forma endovenosa. O glicanon não é usado rotineiramente em hospitais. No consultório odontológico, devemos administrar uma colher de sobremesa de leite condensado, desde que o paciente esteja consciente. Devemos evitar refrigerantes como coca-cola ou mesmo suco de laranja, pois pode causar distúrbios gastrointestinais em algumas situações, mascarando o quadro. Essa terapia é suficiente para reverter o quadro, caso contrário, o paciente deverá ser removido para o hospital. * Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br |