artigos.gif (4386 bytes) logjornal.gif (4234 bytes)
Ano V - Nº 69 - Julho de 2003 - 1ª quinzena
 

 Endocardite bacteriana –
endocardite infecciosa

Ivan Haidámus Sodré Marques*

ivan.jpg (4225 bytes)
  Antes da descoberta dos antibióticos, os pacientes que se apresentavam com anormalidades nas superfícies cardíacas, possuíam um fluxo sangüíneo local deficiente que favorecia o aparecimento de coágulos que atuavam como um ninho para a proliferação bacteriana.

Essas bactérias se "desprendiam" e se deslocavam através da corrente sangüínea produzindo infecções em órgãos-alvo como cérebro, rins e baço.

Em 1909, Weiss e colaboradores haviam associado bacteriemia passageira que poderia resultar em endocardite infecciosa através de manipulações dentárias. Esta crença levou os profissionais a extraírem dentes infectados com o intuito de se reverter a endocardite. No entanto, perceberam que a avulsão de dentes sadios muitas vezes eram seguidas da mesma incidência de bacteriemia.

Mais tarde, Okell e Elliot demonstraram que a incidência de bacteriemia era seis vezes maior quando o paciente apresentava doença periodontal grave!

Korn verificou que a melhora nas condições da gengiva reduziu significativamente o risco de bacteriemia em pacientes que iriam se submeter a cirurgias gengivais.

Hoje sabemos, inclusive através de campanhas dos CROs, da importância de se avaliar corretamente o paciente nos casos em que houver necessidade de instituir a profilaxia antibiótica.

Sabemos que procedimentos que possam ocasionar sangramentos podem levar através da corrente sangüínea elementos agressivos muitas vezes perigosos à saúde. No entanto, a profilaxia deverá ser realizada em pacientes que se apresentam com " uma porta de entrada" aos agentes citados.

Às vezes o simples exame bucal através do espelho poderá ocasionar sangramentos que justificariam a profilaxia em alguns casos. Pacientes portadores de próteses totais também poderão ser vítimas caso ocorram sangramentos bucais através de próteses cortantes.

Embora a endocardite possa ocorrer em pacientes sem lesões cardíacas prévias, os antibióticos deverão ser prescritos profilaticamente, apenas nos pacientes com anormalidades de válvulas cardíacas, principalmente a mitral – portadores de marca-passo e pacientes de febre reumática. Esta orientação básica não elimina de forma alguma o aconselhamento prévio do cardiologista, principalmente em relação à medicação profilática adequada a cada caso.

Como exemplo podemos citar o prolapso de válvula mitral. Alguns cardiologistas recomendam a profilaxia e outros não recomendam.

Sabemos que a penicilina é a droga de escolha mas apesar disso procure não medicar sem antes consultar um médico assistente!

A febre reumática é hoje uma doença rara e sua incidência está diminuindo anualmente graças ao progresso científico. Antigamente, a endocardite era considerada uma doença de pessoas relativamente jovens e chamada de endocardite bacteriana ( antes da descoberta dos antibióticos).

Hoje a população afetada é mais idosa, com um perfil de risco menor, portanto a chamamos de endocardite infecciosa.

Finalizando, gostaríamos de acrescentar que os mais importantes centros de cardiologia possuem consultórios odontológicos onde são tratados os pacientes antes de se submeterem a cirurgias ou procedimentos cardíacos invasivos.


* Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola – 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br

PRIMEIRA PÁGINA

EDIÇÕES ANTERIORES

ARQUIVO DE LEGISLAÇÃO

FALE CONOSCO