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| Ano V - Nº 69 - Julho de 2003 - 1ª quinzena |
Epilepsia Convulsão Ivan Haidámus Sodré Marques* |
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| O termo epilepsia significa
"susto". A epilepsia é resultante
de diversas perturbações neuronais que causam um "desligamento" momentâneo
das sinapses e que dura geralmente de 2 a 5 minutos originando a convulsão. As convulsões podem ocorrer em pacientes no estado de hipoglicemia, na meningite e em crianças em estado febril, entre outras situações. As epilepsias se apresentam sob duas formas principais: Aqui ocorrem as convulsões propriamente ditas, onde 90% dos pacientes com convulsão têm convulsão "grande mal. Durante a convulsão, o paciente se apresenta cianótico, com uma grande quantidade de saliva em sua boca (sialorréia), causada por atividade glandular exacerbada e pela própria perturbação neuronal. Não devemos interromper o episódio, Deve-se deixar o paciente à vontade tomando precauções quanto à sua proteção. O paciente deve ser deitado preferentemente no chão, longe de superfícies e objetos duros ou cortantes, retificando sua cabeça e virando-o de lado. Não se deve manusear a boca do paciente nem "puxar" a sua língua. A introdução de cânula de guedel poderá ser realizada sem forçar a sua colocação. Este procedimento evitará que o paciente se morda. Durante a convulsão, deve-se manter a desobstrução das vias aéreas superiores, tomando-se o cuidado de remover próteses totais ou parciais removíveis que sejam usadas pelos pacientes. Os sinais vitais devem ser controlados cuidadosamente. Caso a crise aconteça no consultório odontológico, devemos aspirar a saliva (sialorréia) com o sugador, sempre com o paciente virado de lado. Nunca interromper o episódio de crise! Não de deve fazer uso de medicamentos via oral durante a crise, pois os pacientes poderão aspirá-los com graves conseqüências, sendo comum nestes casos as infecções pulmonares. Após a primeira crise, deve-se interpor uma cânula (guedel) entre os dentes do paciente, oxigená-lo e acompanhá-lo até o hospital. As drogas devem ser administradas por via endovenosa e podem causar depressões respiratória e cardiovascular significativas. Somente pessoal bem treinado e familiarizado com tratamento endovenoso deve participar da intervenção. A droga de escolha no tratamento de convulsões sucessivas é o Diazepan 5 a 10 mg (1 a 2 ml de solução de 5 mg-ml administradas lentamente durante 1 a 2 minutos). Às vezes, por apresentar crises sucessivas, o paciente é submetido a "hidantalização" na forma endovenosa em ambiente hospitalar. O Hidantal é um potente anti-convulsivante também usado como um auxiliar farmacológico nos casos crônicos de epilepsia. O Lorezepan (medicamento novo) também poderá ser usado da mesma forma que o Hidantal. A Tiamona (vitamina B1) + glicose poderá também fazer parte da medicação dependendo do quadro. A oxigenação é fator importante e deverá ser feita no atendimento inicial ao paciente. Crise de ausênciaEsta crise acomete principalmente crianças em idade escolar. Os sinais são menos evidentes e às vezes imperceptíveis, suscitando a hipótese de uma criança que sempre está no "mundo da lua", pois ela se torna ausente por alguns instantes e "desliga-se" do que está em seu redor. Geralmente ocorre em salas de aula, mas este episódio é de curta duração e, na maioria das vezes, sem maiores conseqüências. Existe a possibilidade de pacientes com crise de ausência virem a apresentar crise do grande mal com característica clínicas já mencionadas. O eletroencefalograma (EEG) é o exame isolado mais indicado nestes casos, embora nem sempre apresente alterações que permitam fechar o diagnóstico. Aspectos Odontológicos na Epilepsia Pacientes que fazem uso de anti-convulsivantes, muitas vezes por esquecimento ou por fator econômico, não "tomam" o remédio e têm com sucessivas crises originando, em conseqüência disso, falta de elementos dentários. Filhos de pais com dificuldades econômicas (muito comum nos países de terceiro mundo, como o Brasil), apresentam-se com falta de elementos dentários em decorrência de hipertrofias e hiperplasias gengivais causadas pelo uso prolongado de drogas e sem acompanhamento adequado para manter a sanidade bucal. O uso constante do anti-convulsivo Hidantal (derivados da fenitoina), costuma provocar hiperplasias e hipertrofias gengivais, portanto, uma avaliação criteriosa faz-se necessária no sentido de uma possível substituição por outra droga equivalente. A orientação preventiva de escovação, uso do fio dental e remoção da placa é imperiosa e evita o agravamento das hipertrofias e hiperplasias gengivais. Em virtude da alta incidência de epilepsia, uma entre 200 pessoas tem crises convulsivas periódicas. Faz-se um apelo aos que se preocupam com a "Odontologia como Ciência" para que seja se pesquise um fármaco de uso tópico, preferentemente a ser usado nesses pacientes de forma a evitar as cirurgias gengivais freqüentes a que são submetidos. Estas cirurgias são contra-indicadas, na grande maioria das vezes, pois os anti-convulsivantes são drogas de uso constante e provocam hipertrofias e hiperplasias gengivais com o aparecimento de bolsas periodontais falsas. Nestes casos, não ocorre o rompimento da aderência epitelial. Caso se tenha que amparar uma pessoa em crise convulsiva no consultório ou fora dele, devemos fazê-lo da maneira mencionada, nunca se esquecendo de encaminhá-lo, posteriormente à primeira crise, para um hospital e, principalmente, se ter uma boa dose de paciência e compreensão. Pacientes que fazem uso constante de anti-convulsivantes deverão ser atendidos desde que estejam compensados, porém mesmo assim poderão apresentar crises convulsivas! * Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br |