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Anestesia local?
Analgesia local

Ivan Haidámus*

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  Dá-se o nome de anestesia à perda completa de todas as sensações, incluindo a sensação dolorosa, portanto, quando o paciente for anestesiado para um tratamento endodôntico, por exemplo, na verdade este paciente foi submetido à analgesia local, pois a droga anestésica foi usada próxima aos nervos sensoriais e preveniu temporariamente a condução de impulsos de dor ao cérebro e a solução foi usada injetando-a nos tecidos.

Neste caso o paciente ainda conseguirá reagir a estímulos e memorizar sobre o que está à sua volta.

Em Odontologia usamos basicamente dois tipos de analgesia: por infiltração, onde desejamos que a solução analgésica atinja os nervos situados nos forames apicais; e a analgesia regional, onde bloqueamos a passagem de impulsos de dor através do analgésico próximo a um tronco nervoso, evitando-se assim, temporariamente, a inervação sensorial da região suprida por este tronco; portanto, neste caso, a injeção deverá ser aplicada em um local onde o nervo esteja desprotegido pelo osso, estando facilmente acessível à solução injetada.

O uso da analgesia local veio após o aparecimento da seringa hipodérmica com sua agulha oca.Von Neuner, em 1827, produziu uma seringa que na época era usada para injetar drogas em tratamentos oftálmicos veterinários. Em 1853, Charles Gabriel Pravaz, cirurgião- veterinário, construiu uma seringa hipodérmica de metal mas, apesar de seu uso para administração de algumas drogas, não era empregada para se obter a analgesia local.

Em 1917 Harvey S. Cook idealizou o sistema de cartucho para carregar seringas representando um grande avanço para a analgesia local.

Os nativos da Bolívia e do Peru foram, durante séculos, viciados em coca, uma mistura de folhas secas contendo cocaína que eles usavam por seu efeito estimulante.

Carl Köller, em 1884, descobriu as propriedades anestésicas da cocaína na oftalmologia clínica.

Willian Halsted realizou o primeiro bloqueio do nervo mandibular através de cocaína a 4% e através do bloqueio do nervo infra-orbital conseguiu tratar o dente incisivo superior esquerdo sem dor!

Infelizmente, os pioneiros no uso da cocaína se tornaram viciados.

A procaína começou a ser usada como analgésico local a partir de 1904, em substituição à cocaína; a procaína representou um grande avanço sobre a cocaína pois embora menos potente é muito menos tóxica.

A lidocaína (xilocaína) foi sintetizada a partir de 1943 e é hoje um analgésico de grande aceitação pelos cirurgiões-dentistas, inclusive usado para corrigir arritmias em centros hospitalares.

No entanto, gostaríamos de esclarecer que a lidocaína não é o analgésico de escolha para pacientes que enfartaram ou pacientes com arritmias.

A lidocaína é o analgésico de escolha para pacientes com histórias de alergias, apesar de que não devemos confiar plenamente pois sabemos que a anafilaxia poderá acontecer com o uso de qualquer tipo de solução analgésica!

A prilocaína (citanest) é o mais novo dos analgésicos locais não esteróides. Essa droga foi conhecida a partir de 1960 e é o analgésico de escolha para pacientes com problemas renais, hipertensos e cardíacos (julgamos necessária a prévia consulta ao médico assistente, principalmente com pacientes idosos).

As analgesias locais deverão ser realizadas de forma lenta e gradativa observando-se a freqüência respiratória, contando-se a subida e a descida do peito do paciente durante um minuto. É sempre bom lembrar que os analgésicos locais podem determinar desconforto ou mesmo depressões respiratórias, principalmente em pacientes gestantes e obesos; por esta razão não devemos atendê-los com a cadeira odontológica na posição horizontal, devemos incliná-la levemente para que não ocorra a compressão da cavidade toráxica.

Devemos também verificar a mensuração periférica, a freqüência e o ritmo do coração, através da tomada dos pulsos radial e carotídeo. Lembrem-se que a aceleração do pulso é um dos primeiros sinais de reação alérgica anafilática.

O cirurgião-dentista também deverá estar atento ao tamanho das pupilas do paciente durante o ato da analgesia local. A via neural responsável pela constrição pupilar tem seu centro no mesencéfalo e tem seu trajeto junto ao terceiro par craniano (óculo motor) até o globo ocular, portanto midríases ou mioses isocóricas ou anisocóricas podem determinar lesões metabólicas ou mesmo lesões do nervo craniano. Caso ocorram tais situações durante a analgesia, devemos consultar prontamente o neurologista observando sinais vitais do paciente e fazendo uso de oxigenação artificial.


* Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola – 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br

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