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| Ano V - Nº 74 - Outubro de 2003 - 1ª quinzena |
Lábio Leporino e Goela de Lobo - I Ivan Haidámus Sodré Marques* |
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| Orientações preliminares Pela complexidade do processo que envolve vários aspectos anátomo-fisiológicos de grande importância, é necessária a integração de uma equipe de profissionais especializados para dar atendimento adequado ao paciente portador de fissuras orais. Essa equipe deve ser assim constituída: Cirurgiões-dentistas: especializados em cirurgia, ortodontia, prótese e odontopediatria; Médicos: especializados em cirurgia plástica, pediatria, otorrinolaringologia e psiquiatria; Outros: psicólogo, assistente social, fonoaudiólogo, nutricionista e enfermeiro. O atendimento do fissurado pode seguir a seguinte orientação: Do nascimento ao fim do primeiro mês:
Do fim do primeiro mês ao fim do primeiro ano:
Do fim do primeiro ano até o sétimo ano:
Dos seis anos até a idade adulta:
As fendas do lábio e do palato são originadas no período intra-uterino. As fendas dos lábios podem ser unilaterais ou bilaterais e: - incompletas, quando são originadas pela falta de coalescência do botão nasal interno e do botão maxilar superior; - completas, quando são originadas pela falta de coalescência do botão nasal interno, do nasal externo e do maxilar superior, estendendo-se, portanto, até as fossas nasais. As fendas palatinas acontecem pela falta de coalescência dos processos palatinos e ptérigo-palatinos entre si. Duas situações podem ser observadas: Fendas palatinas unilaterais: os processos palatinos e pterigo-palatinos se fundem com o septo nasal, num só lado. Neste caso, haverá comunicação com a fossa nassal, apenas de um lado. Fendas palatinas bilaterais: quando os processos palatinos e pterigo-palatinos não se fundem entre si, nem com o septo nasal. Neste caso, haverá comunicação da cavidade oral com a nasal em ambos os lados. As fendas palatinas podem atingir apenas o palato mole, limitando-se à úvula ou envolvendo todo o palato mole. A goela de lobo acontece quando há concomitância de fenda do lábio e do palato. Causas das Fendas Orais
De acordo com os conhecimentos atuais, não existe método que permita a proteção específica, para prevenir fendas do lábio leporino. Toda ação deve, portanto, ser concentrada no diagnóstico e tratamento precoce para evitar deformidades faciais e dificuldades na alimentação e fonação. Dificuldades na Alimentação Decorrentes de FissurasA perturbação mais grave, decorrente do lábio leporino relativa à alimentação, é a impossibilidade da criança pressionar o mamilo entre os lábios e a língua. Faltando parte do lábio, não se forma o vácuo necessário para a deglutição. Quando a fissura é apenas do lábio, às vezes, a criança se adapta, usando o rebordo alveolar com a língua e o lábio inferior. Quando o rebordo alveolar é envolvido, geralmente, é necessário o emprego de um aparelho que se adapte às narinas para que o ar passe, apenas pela boca. A amamentação materna, nesses casos, não é indicada. A alimentação pode ser feita com conta-gotas, tendo uma extensão feita com tubo de borracha. Para evitar que a alimentação líquida vá para o nariz, coloca-se a criança numa posição semi-vertical, quase sentada, introduzindo-se pequenas quantidades de líquido no sulco mandibular. Logo a criança aprende a manobrar a língua, de tal modo, que o fluido se encaminhe para o orofaringe. É aconselhável continuar usando esse processo durante duas ou três semanas após a cirurgia do lábio. Só depois pode-se usar uma mamadeira com orifícios aumentados e bico amolecido por meio de fervura. Muitas crianças aprendem a comprimir o bico com a língua e, desse modo, obtêm uma ingestão adequada. Quando o médico indicar alimentos sólidos, deve ser usada uma colher bem pequena. A fenda palatina pode permitir que partículas de alimento se dirijam para o nariz, causando irritação ou infecção, tanto para a área do nariz como do ouvido. Dificuldades na FonaçãoO distúrbio básico, nos casos de fenda palatina, é a impossibilidade de controle da corrente de ar, durante a fonação. Posições anormais da língua, deformidades dos lábios, dos maxilares, da abóbada palatina e da dentição, são outros fatores que dificultam a fonação. Nos casos de fenda palatina, os sons serão enviados tanto pela cavidade nasal como pela boca. A audição também pode ser compreendida por possíveis desvios da Trompa de Eustáquio, que é uma importante conexão entre o nariz e o ouvido. Deve-se, portanto, examinar a criança, freqüentemente, para verificar se não houve qualquer alteração na audição, pois, esse sentido é de grande importância no desenvolvimento adequado da fonação. Cabe, além disso, ao dentista, examinar adequadamente as estruturas da boca, para verificar se existe qualquer anormalidade que possa interferir com a fonação. Contatando algum desvio, o D deve corrigi-lo, procurando sempre orientar o paciente quanto ao resultado a ser esperado em relação às possíveis mudanças, que venham a ocorrer na fonação. O trabalho de recuperação, realizado pelo dentista, é de grande importância, mas não é suficiente para normalizar a fonação do paciente. Por isso, essa informação deve ser dada aos pais e pacientes, conscientizando-os da importância do reaprendizado, para melhorar a fonação. Depende do próprio paciente, de sua atitude psicológica e de seu esforço para conseguir superar essa deficiência. NA PRÓXIMA EDIÇÃO: PARTE II - CIRURGIA - CUIDADO COM OS DENTES * Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br |