![]() |
![]() |
| Ano V - Nº 76 - Novembro de 2003 - 1ª quinzena |
Lábio Leporino e Goela de Lobo - II Ivan Haidámus Sodré Marques* |
![]() |
Cuidado com os Dentes A partir dos dois anos de idade, as cáries dentárias podem requerer atenção, daí, a importância de iniciar um programa de prevenção da cárie, pelos métodos conhecidos, isto é, restrição de glicídios, uso de flúor por via sistêmica e por via tópica, cuidado com a higiene oral, para perfeito controle da placa bacteriana. A manutenção dos dentes decíduos rígidos é especialmente importante para a criança com fenda palatina. A perda desses dentes compromete, ainda mais, a articulação de certas palavras, além de que, torna impossível a retenção de aparelhos protéticos, cujo uso seja necessário para a obliteração de fendas. O bom estado dos dentes é uma das condições mais importantes para uma fonação inteligível. O tratamento ortodôntico para a criança com fenda palatina, geralmente, é iniciado com a dentição primária. Pode ter início, dos três aos quatro anos de idade, e só será concluído quando a dentição permanente já estiver com boa oclusão. O tratamento ortodôntico do fissurado é feito em duas fases: A primeira fase é chamada Ortopédica Funcional, e deve ser realizada aos três ou quatro anos de idade. É chamada ortopédica porque sua ação se faz sentir sobre os ossos, e funcional porque tem por objetivo restabelecer funções alteradas, como a mastigação e respiração. Visa ao aumento do diâmetro transverso do maxilar a custa da movimentação das lâminas palatinas. Isto é possível, porque as suturas ósseas ainda não se encontram consolidadas nessa idade. Nessa fase, usamos aparelhos removíveis. A segunda fase é chamada Ortodôntica, porque cuida da articulação dos dentes. Como os germes dos pré-molares se encontram entre as raízes dos molares temporários, obtendo-se uma posição adequada dos dentes decíduos, a erupção dos dentes permanentes se fará em posição mais favorável. Estudos demonstram que se deve usar forças débeis para se movimentar os dentes temporários, porque essas forças débeis permitem que os germes dos dentes permanentes se movimentem no mesmo sentido. Ao contrário, quando a força utilizada for poderosa, sua ação sobre os germes os fará mover em sentido contrário. Terminada essas duas fases do tratamento, o paciente deve ser enviado para reeducação fonética, devendo voltar somente depois dos sete ou oito anos de idade, quando será feita nova fase ortodôntica. A partir daí, o tratamento continua, como se o paciente não fosse fissurado. Quando o dentista não tiver acesso ao paciente antes dos sete anos, desde que ele não tenha ainda atingido os doze anos, pode ser tentada a ortopedia e a ortodontia, simultaneamente, mas, aí, já haverá resistência óssea mais difícil de ser vencida e problemas relacionados com diferenças de crescimento ósseo, que dificultam muito o tratamento. O ortodontista deve trabalhar, em íntima cooperação, com o odontopediatra e o especialista em prótese. A maioria dos pacientes, com fendas do lábio e do palato, necessitam próteses que variam de acordo com a severidade da deformidade. Pode ser um simples aparelho recolocando um ou dois dentes, ou um aparelho mais complexo, recolocando todos os dentes, restaurando perdas de dimensão vertical e, inclusive, sendo conjugado com um obturador. O tratamento protético está relacionado com a recolocação de dentes ausentes, mal formados na linha da fenda palatina e, quando indicado, com a elaboração de aparelhos de fonação (prótese buco-facial). No caso em que tenha sido contra indicada a cirurgia, ou quando esta foi restaurada ou executada sem sucesso na obtenção do fechamento palato-faringeano, um aparelho para fonação pode ser usado de forma satisfatória. Quando há falha nos procedimentos cirúrgicos, torna-se necessário o uso de prótese. O médico cirurgião requisita, então, que o cirurgião dentista elabore uma prótese, que fornecerá um esqueleto facial simétrico e servirá como fundação para a cirurgia plástica adicional do lábio e do nariz. Às vezes, o segmento anterior da maxila não cresce, suficientemente, dando como resultado uma falsa Classe III. O paciente apresentará o aspecto característico de um prognata. Uma prótese que projete o lábio superior, melhora o perfil facial. O dentista clínico deve conhecer o que pode ser feito em cada caso de fissurado, para saber agir, orientar, informar e encaminhar seus pacientes para que possam receber assistência adequada aos profissionais especializados para cada caso. Só assim, os pacientes terão condições de receber o tratamento que lhes permitirá reabilita-se física, psíquica e socialmente. * Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br |