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| Ano VI- Nº 81 - Fevereiro de 2004 - 1ª quinzena |
Aspiração de Corpos Estranhos Ivan Haidámus Sodré Marques* |
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Iremos abordar as principais intercorrências na clínica diária em relação à aspiração de corpos estranhos e suas conseqüências. Na maioria das vezes, a aspiração de algum corpo estranho não requer procedimentos de urgência, a não ser que obstrua totalmente a laringe. Na clínica odontológica devemos nos preocupar com a aspiração de elementos autógenos (dentes extraídos, pedaço de osso alveolar, etc.), materiais de uso habitual ou próteses. Os corpos estranhos aspirados seguem “caminhos” diferentes e se alojam em estruturas anatômicas também diferentes. Devemos ter cuidados especiais em relação às crianças, pois muitas vezes elas podem ser vítimas de aspiração de algum corpo estranho, o qual fica imóvel no organismo, se acomoda, torna-se assintomático e, por isso, perigoso. Portanto, devemos estar atentos durante as consultas, pois as crianças têm a curiosidade natural de saber para quê serve determinado material, levando-o à boca e muitas vezes engolindo-o. Caso isso venha a ocorrer, temos que valorizar a queixa da criança ou da mãe e levá-la a um centro médico para que se faça um raio X. Geralmente, os corpos estranhos ingeridos entram numa fase assintomática e são descobertos através de radiografias auxiliares de diagnóstico. É comum em radiografia de tórax encontrarmos corpos estranhos alojados nos brônquios ou outra estrutura anatômica. Dentre os instrumentos e materiais de uso odontológico, iremos destacar os mais comumente aspirados. As limas de tratamento endodôntico merecem destaque especial, principalmente nos tratamentos sem uso de isolamento absoluto. Estas limas modernas são geralmente de cabos plásticos não radiopacos, dificultando a visualização através de radiografias. Pelo mesmo motivo, os sugadores modernos descartáveis também apresentam o mesmo inconveniente. Caso o paciente venha a aspirar uma lima endodôntica ou um sugador, provavelmente irá tossir bastante no início do ocorrido. Devemos, portanto, observar se ocorreu obstrução das vias aéreas superiores. Em geral e nesses casos não ocorre a obstrução das vias aéreas superiores e seu trajeto será: boca, laringe, faringe, traquéia, esôfago, alojando-se no estômago e posteriormente são eliminados. Existem casos de aspiração de próteses totais e aparelhos parciais removíveis danificados. É aconselhável instruir os pacientes para que evitem dormir com essas próteses, pois são comuns de serem aspiradas durante o sono, com graves conseqüências, principalmente os aparelhos parciais removíveis com grampos. Às vezes os aparelhos estão quebrados, facilitando a sua aspiração. Esses aparelhos acabam ferindo estruturas anatômicas importantes durante a sua retirada. Dentre as seqüelas mais comuns de um corpo estranho aspirado destacam-se as patologias dos brônquios. Quando aí alojados, podem causar abscessos pulmonares de difícil drenagem. Importante salientar que a retirada de um corpo estranho, via intra-oral, alojado na laringe, faringe ou traquéia é muito difícil e quase impossível. As tentativas, na maioria das vezes, são inúteis e acabam “lesionando as vias aéreas superiores” * Ivan Haidamus é cirurgião-dentista, com ênfase na área de Emergências Médicas. Já atuou no PS do Hospital das Clínicas e atualmente é colaborador do PS do Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Estagiou nos hospitais dos Defeitos da Face, Municipal de São Paulo, Fraturas da Lapa e no Psiquiátrico Bezerra de Menezes. É ministrador do Curso Prevenção de Acidentes na Odontologia Clínica e autor dos livros Como tratar pacientes com doença orgânicas na Odontologia Clínica (Editora Pancast-1994) e Emergências médicas no consultório odontológico (Editora Cipola 2000). E-mail: haidamus@dentmail.com.br |