Ano VII nº 103 -

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Desvendando o Megapixel e a relação com a qualidade da fotografia digital

 Ivan Yoshio * - Sérgio Gobara **

 

A evolução tecnológica tem avançado enormemente nesses últimos anos e como é impossível acompanhar tamanho crescimento, isto causa cada vez mais confusão sobre o que deve ser levado em consideração quanto à qualidade de uma máquina fotográfica digital.

Atualmente no mercado existem diversas marcas, modelos, especificações, formatos, qualidade e design dos mais variados tipos de câmeras digitas. Como se trata de um equipamento de custo elevado é comum tentar aliar o uso odontológico e o uso doméstico. Geralmente, a escolha é baseada na marca conhecida, no modelo mais recente, nas especificações oferecidas e no design mais atraente.

Como o mercado é muito competitivo, a mídia força o consumidor a correr atrás dos tais pixels e as empresas são obrigadas a lançar câmeras com cada vez mais megapixels sem haver real necessidade. Essa corrida é semelhante àquela da velocidade  dos computadores; “Hertz”; há pouco tempo se falava Megahertz (milhões de Hertz) hoje em dia se fala Gigahertz (bilhões de Hertz), relacionando o numero com a qualidade.

Antes de falar sobre qualidade da imagem é importante esclarecer o que é Megapixel (Mp): Mega é uma unidade de medida que se refere a Milhão. Pixel é a compressão de duas palavras da língua inglesa; Picture Elements (Elementos de Imagem); que denomina um ponto virtual de cor que em conjunto forma a imagem digital. A resolução da câmera é determinada pela quantidade de pixels, medido pela unidade de megapixel, ou seja, milhões de pixels. Quanto maior o número de pixels, maior a resolução da imagem. Como também, quanto maior a resolução ou quanto mais megapixels maior será a quantidade de bytes (informação) e mais espaço ocupará no computador.

Na prática, o número de megapixels define o tamanho da imagem: quanto maior for o número de pixels maior será a ampliação da fotografia. No caso de uma câmera com 3 Mp podemos imprimir fotos de 13 x 18 cm, enquanto que com uma de 6 Mp podemos fazer fotos de 30 x 40 cm com qualidade satisfatória. Portanto não se deve confundir tamanho da imagem com qualidade da imagem, porque não é o número de megapixels que determina a qualidade do equipamento. A qualidade da fotografia vai sempre depender do fotógrafo e de sua técnica, uma câmera com 6 Mp não vai gerar uma imagem melhor que uma de 3 Mp se o operador não souber manusear o equipamento.

Quando se realiza uma fotografia de um 2º molar, dependendo do equipamento utilizado, o 2º molar fica “longe” ou não fica centralizado. Nestes casos podemos utilizar um recurso (crop) que amplia a imagem e recorta a região de interesse. Se a câmera não for dotada de megapixels suficientes, na hora de imprimir não será possível ampliar muito a fotografia. As câmeras lançadas com 3 Mp já possuíam boa resolução para fotografia odontológica, mas hoje a maioria já está vindo com 4 Mp, no mínimo.

Didaticamente podemos comparar o pixel com as peças de um quebra-cabeça. Se fizermos uma analogia, por exemplo, entre um quebra-cabeça de 3 mil peças e uma máquina com resolução de 3 megapixels, assim como um de 6 mil peças e uma máquina de 6 megapixels. Através dessa comparação podemos afirmar apenas que o quebra-cabeça de 6 mil peças será maior que o quebra-cabeça de 3 mil peças e nunca melhor, parece óbvio, mas ocorre do mesmo modo com a câmera de 6 e 3 megapixels; a primeira fornecerá fotografias maiores do que a segunda, e não melhores.

Vimos então que como o megapixel é uma unidade de medida e com os exemplos mostrados, é possível concluir que o megapixel está ligado ao tamanho da fotografia e não está diretamente ligado à qualidade.

Agora que desmistificamos o megapixel e sua relação com a qualidade da câmera, podemos adquirir equipamentos selecionando pela qualidade óptica e pelos recursos, e não mais nos ater à maior resolução ou megapixel. Pois a alma da câmera fotográfica está nas lentes da objetiva e o corpo apenas captura a imagem produzida.

Como comentado no início do texto, até os próprios fabricantes são obrigados a participar da corrida dos megapixels, lançando modelos idênticos diferindo apenas na resolução, para continuar vendendo aquele mesmo modelo. Neste caso a qualidade da imagem diminui porque o equipamento não foi projetado para receber este aumento forçado de resolução, mas este é um assunto que será abordado numa próxima publicação.


Glossário:

Bit: Unidade básica da informação, menor unidade de informação digital: 8 bits equivalem a 1byte. No sistema binário, podemos representar apenas dois valores: 0 (zero) e 1 (um).

Byte: Conjunto de 8 bits. Também conhecido como "palavra". 8 bits = 1 byte / 1024 bytes = 1 KB / 1024 kbytes = 1MB / 1024 megabytes = 1 GB / 1024 Gigabytes = 1 Terabyte

Megapixel: Unidade que corresponde a 1milhão de pixels. Quanto maior for o número de megapixels da câmera, maior será sua resolução.

Pixel (Picture x elements): Ponto virtual de cor que, em conjunto, forma a imagem digital. A resolução da câmera é determinada pela quantidade de pixels, medido pela unidade de megapixel, ou seja, milhões de pixels. Quanto maior o número de pixels, maior a resolução da imagem.

Pixels Efetivos: Indica o número de pixels responsáveis pela captura da imagem digital e, portanto, representa a verdadeira resolução da câmera. O número effective pixels é o que realmente importa, uma vez que nem todos os pixels do sensor são usados na captura da imagem.

Resolução: Termo que se refere ao numero de pixels que forma a imagem. É obtido multiplicando o número de pixels na horizontal e na vertical, indicando a qualidade total de pixels na captura. Quanto maior a resolução, maior a quantidade de pontos e também a definição dos detalhes da imagem. A resolução pode ser óptica, de acordo com os números de pixels do sensor, ou interpolada, quando se acrescentam virtualmente mais pixels à imagem. Também pode ser expressa pela quantidade de pontos dispostos linearmente em uma polegada (ppi ou dpi) ou em um centímetro, mais utilizado em escaners ou impressoras.


Bibliografia:

1.   Bastos GK. A Fotografia digital na ortodontia - Proposta de Aplicação. São Paulo: Santos; 2004.

2.   Bussele M. Tudo sobre fotografia. 6ª ed. São Paulo: Livraria Pioneira; 1993.

3.   Hedgecoe J. Guia Completo da fotografia. São Paulo: Martins fontes; 2001.

4.   Hedgecoe J Manual de Técnica fotográfica. Madrid: H. Blume Ediciones; 1978.

5.   Masioli MA. Fotografia Odontológica. São Paulo: ABO; 2005.

6.  Trigo T. Equipamento fotográfico: Teoria e Prática. 2ª. ed. São Paulo: Senac; 2003.

 

*Ivan Yoshio - Professor de Fotografia Digital do CETAO – SP; Professor de Fotografia convidado em cursos de Especialização; Professor de Fotografia em Associações de Odontologia; Vencedor de Concurso Fotográfico; Realização de Exposição Fotográfica; Pós-Graduação em Dentística Estética – ACDC; MBA em Administração Hospitalar – FGV

**Sérgio Gobara - Professor de Fotografia Digital do CETAO – SP; Professor de Fotografia convidado em cursos de Especialização; Professor de Fotografia em Associações de Odontologia; Pós-Graduação em Odontologia Hospitalar pelo HCFM – USP.

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