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Ano VI - Nº 89 - Agosto de 2004
 

Moção individual para a Terceira Conferência Nacional  de Saúde Bucal

José Antônio Abreu de Oliveira*
 

 

 


Au revoir, Três!  Bem-vinda a Quatro. Supervaleu, querida Três, mesmo.

Deu proveito, Lana, seu silêncio e sua íntegra força. Deu proveito, Zanetti, seu convite, sua contribuição intelectual instigante, deu proveito, Manfredini, sua integridade e seriedade. Christian e Frazão,  colaboradores e irmãos, grato. Helenita, abraços e força de grande companheira.Foi digno o Capel, pela  sensata e competente condução da comissão de relatoria, pelo cumprimento dos prazos, to progress, master. Esta não foi mais uma conferência inacabada. E foi obra aberta, para além dos limites de Plaza para a na definição dos níveis de abertura de uma obra literária ou artística. Obra totalmente aberta e interativa, nível quatro, não prevista pelo autor. E, por força de  todos, obra cumprida, polida. Embora continue inacabada, pela essência que indica sua retomada futura.


Valeu Wagner Marino, maturidade de Paracambi. Valeu  Levy, valeu Mara, valeu Mirella.Grande aprendizado  para todos nós. Não é que concorde sempre com a opinião de vocês todos, mas foi importante vê-los por  lá. Salve a delegação carioca. Apenas um registro: discordo da moção sobre cotas de convidados do CONASS, ou melhor, as cotas podem até ser criticadas, mas colocar nomes e queimar pessoas nacionalmente, com  critérios bairristas, não merece destaque nacional, e a conferência agora trará esse quisto infamante regionalista nas entranhas. Entretanto, o fato não retira o brilho da delegação carioca. Mas coloca dúvidas sobre a sensibilidade política de quem teve a infeliz idéia. Foi equívoco total. E o Rio poderia ter sido politicamente elevado, nas alturas que merece sempre ocupar. Nunca mais fazer coisas deste tipo, galera, ou então nos parearemos com os políticos  perseguidores que tanto combatemos, nos golpes narcísicos e enlameadores. Que sempre
combatemos aqui. 

Nádia, senti sua falta. 

Nilcema, você estava linda. Parecia uma gata apressada, sempre rápida e loura, de um lado pro outro, adoro essa flexibilidade rápida das mulheres de Pernambuco, do povo de Pernambuco. Daquipralidelápracá feliz. Sigo  tudo com meus dois olhinhos abismais, até que elas  sumam, e se esvaneçam. Fazem-me grande bem. Assim, Nilcema estava sempre de passagem, e eu a seguia, como  uma tomada demorada dos filmes de Antonioni. Ou como o  vôo longo da pombinha trocal que passa e passa e já  está lá longe, misturada de azul. Caraca, como curto a  Nilcema, menina do Bem. Exijo que ela seja sempre  feliz, exijo, lá do Senhor dos Céus. É a minha  reivindicação ao Súpero Eterno.

Deu proveito, Carlos Lima, do ENATESPO, vamos  continuar enviando sugestões.

Deu proveito, Eduardo Rodrigues, que você consiga montar  o primeiro estudo piloto de análise de implantação de  saúde bucal de Mato Grosso do Sul, quiçá do Brasil.

Giselle Tanouss, mulher inteligentíssima e centrada,  um barato te conhecer. Bem vinda ao EMFFLUOR.
Pessoal de Pernambuco, Ângela, que me enviou as fotos  digitais, Geraldo, da ABO, pela eficiente condução da  mecanografia. O Brasil te agradece.

Botazzo, tão elétrico quanto seu "b" quântico. Não tem jeito, estamos todos condenados a essa profunda  empatia com o Botazzo, é coisa de Filosofia, Física, Química e por conta das estampas Eucalol. Um mistério,  isso. E Laís Amarante, do Paraná, ganhei um beijo  dela, nossa ninfa eterna da fluoretação das águas.

Izabeth, gracinha na organização, uma conquista do Ministério. Idiana Luvison, manequim guerrilheira,  cruzando as amplas avenidas da Conferência, talentosa mulher, eficiente, determinada. Rosângela Camapum,  alertando sobre a necessidade de trabalhar melhor no  futuro o documento base. Carrijo, no bom humor de  sempre, Fausto Tancredi e o filme sobre os 50 anos da  fluoretação.

Kátia Cesa, ponto. Porque curto muito a gaúcha, que definiu muito bem a importância da rede única da vigilância. E que pode ser o SISAGUA, aberto e transparente.

Deu proveito Clóvis Bouffler, da direção da Pastoral da Criança e agora, também, no EMFFLUOR, sua tranqüila  visão do voluntariado, o irmão que adoraria ter e conversar nos jardins do Éden, que pode ser em qualquer lugar.

Graciara, do Conselho, bem vinda à lista, deu proveito. Eu via a cor da terra de Goiás em suas  palavras. E a frutinha negra astuta de seus olhos,  sempre atentos, fruta das árvores do cerrado, que  miram longe sobre planaltos.

E meu "sobrinho" Alexandre, de São João de Mereti,  grato, Alexandre pelo presente cativante que você me  presenteou, vinte anos depois, sem nos revermos, foi um barato te rever, maduro e no progresso, você é dez!  Bem chegado ao grupo fluminense, sobrinho :)

Valeu, Yvete, Mara de Campos, Ana Regina, o coordenador de Queimados, o delegado da SUDERJ, a  admirável equipe carioca, o Daniel, o André Pombo.

Valeu Lizaldo Maia, pela risada sonora. Claudinha Restum, na Abertura. Palmira e Natan. Muito queridos,  todos vocês.

Aquelas senhoras gorduchas dos movimentos religiosos. Cordón, gorducho e que curto muito que me chame de  Toninho. Meu beijo para todos os gorduchos e gorduchas, bobagem essa ditadura de magros elegantes, podemos, felizes, balançar nossas panças e alevantar  alto nossos crachás. Tem o mesmo peso dos magrinhos.

Um senhor, negro e idoso, do Piauí, brincou comigo na hora que me sentei  sobre o tablado da Mesa Diretora:  "Vai quebrar! Vai quebrar!" gritou ele. Respondi que sem problemas, os gordos quicam e vão desabar em cima  do povo do Piauí. Ele me jogou um muxoxo fraterno, às  gargalhadas. Coisas de Conferência...totalmente de atitudes políticas incorretas, ainda bem

Valeu, Pucca, supervaleu. Supervaleu.

E, também, deu proveito ver o senhor desdentado que  alguma delegação estadual incluiu, meus respeitos, lá  também era a sua casa, meus respeitos, não pude perguntar seu nome mas ficou-me seu rosto, seu dedicado esforço de erguer o crachá contra o espaço,  fazendo inscrever seu voto histórico e sua história pessoal. Bendito o estado que se lembrou de lhe incluir, ou que você mesmo tenha disputado e conseguido  a vaga.

Assim, todas as delegações, todos os rostos que não registrei, mas que sentia multiplicado, na massa  ruidosa da Ira Santa Democrática. Todos, na Rosa dos Ventos dos eixos temáticos. Foi uma Rosa dos Ventos de gente e idéias o que eu trouxe, uma Rosa dos Ventos de  Cidadania, nessa inusitada bagagem.

Estes, alguns dos meus encontros. Estes, os que me fizeram alegrar e encheram meu coração de renovadas esperanças, todas. Ah, sim, estive rápido com o Samuel. Não deu pra papear alongado, Samuel, mas um dia acontecerá. E falaremos na linguagem de Manoel de  Barros, sobre passarinhos que ciscam sombras e  palavras.

Deu proveito Rio, Brasília, Brasil. Deu proveito, estados, sindicatos, religiosos, usuários, profissionais de saúde, gestores, e, sobretudo, o  Cirurgião-Dentista, o THD, o ACD, o TPD, o ACS, todas  as equipes de PSF, os estudiantes, os conselheiros,  diversos profissionais, loucos, pirados, videntes. 

Sonhadores, guerrilheiros. Salve o crachá, este que não é feito pra discriminar, mas para incluir. Ele é o grande barato, tem que ser em formato gigante, do tamanho da nossa voz, como bandeiras à frente de um  belíssimo batalhão. O crachá erguido é uma espécie de  balé clássico.

Um beijo pra Angélica, da Bahia, que disse que pareço que sou quentinho e me fez rir com isso. Um riso que se perdeu pelo planalto, mas que deixou o encanto eterno e que para sempre carregarei. Conferências  também são exercícios da bem querença e só quem se envergonha disso não merece mesmo nenhuma querência, querença, querela, ah, ah, ah! Agora fiz a frase perfeita. Traduzam, mas é isso mesmo.

Exercitei e fui exercitado. Pode ter prêmio melhor?  Deu proveito generoso. E a maioria das idéias que defendemos aqui passaram, depois, listarei.

Talvez seja necessário avaliar os pontos críticos da  Conferência, mas não agora, pô, tô a fim de celebrar o  que foi a doçura. Deixa o cascudão pra depois.

Deixem-me aproveitar tudo que deu proveito e me fez acreditar em sonhos por todos esses dias.
Que Conferência simpática...Salve, salve Santa Ira, ó, se em todos os momentos decisórios do Brasil pudesse ser assim. Ó, se não precisássemos nem de intermediários e fossemos nós mesmos a decidir tudo levantando nossos crachás...Quem sabe, um dia?

Márcia Baldani, a sua tese sobre SISAGUA passou! você estava lá em espírito! E provocou um grandioso passo  para a organização das vigilâncias! Quem apresentou? Estado do Rio.
Deu proveito. E aproveitem, amigos/amigas, por que não? esse grande beijo irmão que lhes tasco. É para  dizer que acima das divergências, pode sim, rolar a firmeza do reconhecimento da importância das múltiplas vozes. Eu os vejo assim, os novos republicanos e  democratas, adoraria que me vissem assim também, republicano moderno baseado em democracia, no turbilhão que emana dos muitos desejos do Povo  Brasileiro.

E também vi o sol nascer, como o Celso Zilbovicius, domingo de manhã, do alto do Hotel Carlton, subi até a suíte presidencial e a camareira me autorizou ver lá de cima o despertar sobre Brasília. É musical aquilo. Tinha um sol nascendo interior, em mim, feito de indescritível matéria, no coração. Tinha, acreditem, tão intenso quanto o sol exterior que viria para nos aquecer e nos iluminar definitivamente. Mas não sei ainda contar-lhes o que me passou sensorialmente.

Talvez, apesar do cansaço da noite sem dormir, consumida nos trabalhos, eu apenas me sentisse muito,  muito feliz. E isso, para mim, é o que importava.

Assim, desci pelo elevador, fui pro quarto, descansei ligeiro, tomei um banho demorado e relaxante, fui pro  café, encontrei Lizaldo Maia perturbando todo mundo,  engraçadíssimo, e, juntos, partimos de volta para o Minas Tênis Clube, onde destinos se definiam. E um SUS, um Brasil caudal se cumpria. Agora, o que se institucionalizar vai ter cheiro de gente, trabalho de gente, cansaço de gente, alegria de gente, amores de  gente, decepções de gente, iras de gente, coisas de gente viva, agora terá sustança, terra, água,  ar, fogo, calor. Não será o frio dos gabinetes. O gelo  glacial de alguns. Mas a crestação das idéias, na  revelação da outra face do Amor, aquele que se realiza do urro coletivo das vitórias, dos embates. Sagrados embates, que tentaram nos retirar por muitos anos mas, enfim, chegou como bloco do sanatório geral, que  passou. E era ordinariamente imprescindível.

Este texto, a minha moção. Por agora, me calo.
Ó Bella, ciao.

José Antonio

PS: Frase ouvida durante o eixo 4:
"Sou religiosa, sou vidente e tenho o poder da cura.  Vejo em todos vocês a aura da beleza por estarem aqui irmanados". Acreditem, a vidente estava certa, ela previu e, pelo acerto das palavras, me senti curado. Salve salve toda a sagrada piração. Entre delírios, juízos e embates calorosos, nos curamos todos. Agora, é arregaçar as mangas e fazer a beleza se tornar concreta. Não consultei a vidente, pra saber se acontecerá, portanto, estejamos atentos.
 


* José Antônio Abreu de Oliveira - EMFFLUOR
 
emffluor@yahoo.com.br
  
cdjose@bol.com.br

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