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| Ano VI - Nº 89 - Agosto de 2004 |
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Moção individual para a Terceira Conferência Nacional de Saúde Bucal
José Antônio Abreu de Oliveira* |
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Deu proveito, Lana, seu silêncio e sua íntegra força. Deu proveito, Zanetti, seu convite, sua contribuição intelectual instigante, deu proveito, Manfredini, sua integridade e seriedade. Christian e Frazão, colaboradores e irmãos, grato. Helenita, abraços e força de grande companheira.Foi digno o Capel, pela sensata e competente condução da comissão de relatoria, pelo cumprimento dos prazos, to progress, master. Esta não foi mais uma conferência inacabada. E foi obra aberta, para além dos limites de Plaza para a na definição dos níveis de abertura de uma obra literária ou artística. Obra totalmente aberta e interativa, nível quatro, não prevista pelo autor. E, por força de todos, obra cumprida, polida. Embora continue inacabada, pela essência que indica sua retomada futura.
Nádia, senti sua falta. Nilcema, você estava linda. Parecia uma gata apressada, sempre rápida e loura, de um lado pro outro, adoro essa flexibilidade rápida das mulheres de Pernambuco, do povo de Pernambuco. Daquipralidelápracá feliz. Sigo tudo com meus dois olhinhos abismais, até que elas sumam, e se esvaneçam. Fazem-me grande bem. Assim, Nilcema estava sempre de passagem, e eu a seguia, como uma tomada demorada dos filmes de Antonioni. Ou como o vôo longo da pombinha trocal que passa e passa e já está lá longe, misturada de azul. Caraca, como curto a Nilcema, menina do Bem. Exijo que ela seja sempre feliz, exijo, lá do Senhor dos Céus. É a minha reivindicação ao Súpero Eterno. Deu proveito, Carlos Lima, do ENATESPO, vamos continuar enviando sugestões. Deu proveito, Eduardo Rodrigues, que você consiga montar o primeiro estudo piloto de análise de implantação de saúde bucal de Mato Grosso do Sul, quiçá do Brasil.
Giselle Tanouss, mulher inteligentíssima e centrada, um barato te conhecer.
Bem vinda ao EMFFLUOR. Botazzo, tão elétrico quanto seu "b" quântico. Não tem jeito, estamos todos condenados a essa profunda empatia com o Botazzo, é coisa de Filosofia, Física, Química e por conta das estampas Eucalol. Um mistério, isso. E Laís Amarante, do Paraná, ganhei um beijo dela, nossa ninfa eterna da fluoretação das águas. Izabeth, gracinha na organização, uma conquista do Ministério. Idiana Luvison, manequim guerrilheira, cruzando as amplas avenidas da Conferência, talentosa mulher, eficiente, determinada. Rosângela Camapum, alertando sobre a necessidade de trabalhar melhor no futuro o documento base. Carrijo, no bom humor de sempre, Fausto Tancredi e o filme sobre os 50 anos da fluoretação. Kátia Cesa, ponto. Porque curto muito a gaúcha, que definiu muito bem a importância da rede única da vigilância. E que pode ser o SISAGUA, aberto e transparente. Deu proveito Clóvis Bouffler, da direção da Pastoral da Criança e agora, também, no EMFFLUOR, sua tranqüila visão do voluntariado, o irmão que adoraria ter e conversar nos jardins do Éden, que pode ser em qualquer lugar. Graciara, do Conselho, bem vinda à lista, deu proveito. Eu via a cor da terra de Goiás em suas palavras. E a frutinha negra astuta de seus olhos, sempre atentos, fruta das árvores do cerrado, que miram longe sobre planaltos. E meu "sobrinho" Alexandre, de São João de Mereti, grato, Alexandre pelo presente cativante que você me presenteou, vinte anos depois, sem nos revermos, foi um barato te rever, maduro e no progresso, você é dez! Bem chegado ao grupo fluminense, sobrinho :) Valeu, Yvete, Mara de Campos, Ana Regina, o coordenador de Queimados, o delegado da SUDERJ, a admirável equipe carioca, o Daniel, o André Pombo. Valeu Lizaldo Maia, pela risada sonora. Claudinha Restum, na Abertura. Palmira e Natan. Muito queridos, todos vocês. Aquelas senhoras gorduchas dos movimentos religiosos. Cordón, gorducho e que curto muito que me chame de Toninho. Meu beijo para todos os gorduchos e gorduchas, bobagem essa ditadura de magros elegantes, podemos, felizes, balançar nossas panças e alevantar alto nossos crachás. Tem o mesmo peso dos magrinhos. Um senhor, negro e idoso, do Piauí, brincou comigo na hora que me sentei sobre o tablado da Mesa Diretora: "Vai quebrar! Vai quebrar!" gritou ele. Respondi que sem problemas, os gordos quicam e vão desabar em cima do povo do Piauí. Ele me jogou um muxoxo fraterno, às gargalhadas. Coisas de Conferência...totalmente de atitudes políticas incorretas, ainda bem Valeu, Pucca, supervaleu. Supervaleu. E, também, deu proveito ver o senhor desdentado que alguma delegação estadual incluiu, meus respeitos, lá também era a sua casa, meus respeitos, não pude perguntar seu nome mas ficou-me seu rosto, seu dedicado esforço de erguer o crachá contra o espaço, fazendo inscrever seu voto histórico e sua história pessoal. Bendito o estado que se lembrou de lhe incluir, ou que você mesmo tenha disputado e conseguido a vaga. Assim, todas as delegações, todos os rostos que não registrei, mas que sentia multiplicado, na massa ruidosa da Ira Santa Democrática. Todos, na Rosa dos Ventos dos eixos temáticos. Foi uma Rosa dos Ventos de gente e idéias o que eu trouxe, uma Rosa dos Ventos de Cidadania, nessa inusitada bagagem. Estes, alguns dos meus encontros. Estes, os que me fizeram alegrar e encheram meu coração de renovadas esperanças, todas. Ah, sim, estive rápido com o Samuel. Não deu pra papear alongado, Samuel, mas um dia acontecerá. E falaremos na linguagem de Manoel de Barros, sobre passarinhos que ciscam sombras e palavras. Deu proveito Rio, Brasília, Brasil. Deu proveito, estados, sindicatos, religiosos, usuários, profissionais de saúde, gestores, e, sobretudo, o Cirurgião-Dentista, o THD, o ACD, o TPD, o ACS, todas as equipes de PSF, os estudiantes, os conselheiros, diversos profissionais, loucos, pirados, videntes. Sonhadores, guerrilheiros. Salve o crachá, este que não é feito pra discriminar, mas para incluir. Ele é o grande barato, tem que ser em formato gigante, do tamanho da nossa voz, como bandeiras à frente de um belíssimo batalhão. O crachá erguido é uma espécie de balé clássico. Um beijo pra Angélica, da Bahia, que disse que pareço que sou quentinho e me fez rir com isso. Um riso que se perdeu pelo planalto, mas que deixou o encanto eterno e que para sempre carregarei. Conferências também são exercícios da bem querença e só quem se envergonha disso não merece mesmo nenhuma querência, querença, querela, ah, ah, ah! Agora fiz a frase perfeita. Traduzam, mas é isso mesmo. Exercitei e fui exercitado. Pode ter prêmio melhor? Deu proveito generoso. E a maioria das idéias que defendemos aqui passaram, depois, listarei. Talvez seja necessário avaliar os pontos críticos da Conferência, mas não agora, pô, tô a fim de celebrar o que foi a doçura. Deixa o cascudão pra depois.
Deixem-me aproveitar tudo que deu proveito e me fez acreditar em sonhos por
todos esses dias.
Márcia Baldani, a sua tese sobre SISAGUA passou! você estava lá em espírito!
E provocou um grandioso passo para a organização das vigilâncias! Quem
apresentou? Estado do Rio. E também vi o sol nascer, como o Celso Zilbovicius, domingo de manhã, do alto do Hotel Carlton, subi até a suíte presidencial e a camareira me autorizou ver lá de cima o despertar sobre Brasília. É musical aquilo. Tinha um sol nascendo interior, em mim, feito de indescritível matéria, no coração. Tinha, acreditem, tão intenso quanto o sol exterior que viria para nos aquecer e nos iluminar definitivamente. Mas não sei ainda contar-lhes o que me passou sensorialmente. Talvez, apesar do cansaço da noite sem dormir, consumida nos trabalhos, eu apenas me sentisse muito, muito feliz. E isso, para mim, é o que importava. Assim, desci pelo elevador, fui pro quarto, descansei ligeiro, tomei um banho demorado e relaxante, fui pro café, encontrei Lizaldo Maia perturbando todo mundo, engraçadíssimo, e, juntos, partimos de volta para o Minas Tênis Clube, onde destinos se definiam. E um SUS, um Brasil caudal se cumpria. Agora, o que se institucionalizar vai ter cheiro de gente, trabalho de gente, cansaço de gente, alegria de gente, amores de gente, decepções de gente, iras de gente, coisas de gente viva, agora terá sustança, terra, água, ar, fogo, calor. Não será o frio dos gabinetes. O gelo glacial de alguns. Mas a crestação das idéias, na revelação da outra face do Amor, aquele que se realiza do urro coletivo das vitórias, dos embates. Sagrados embates, que tentaram nos retirar por muitos anos mas, enfim, chegou como bloco do sanatório geral, que passou. E era ordinariamente imprescindível.
Este texto, a minha moção. Por agora, me calo.
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