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| Ano V - Nº 61 - Fevereiro de 2003 - 1ª Quinzena |
| Brilho ofuscado o cerco aperta na avaliação dos planos Josias Paulino da Costa* |
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Mais uma vez a Golden Cross é notícia. Agora é no ranking de reclamações divulgado na primeira semana
de janeiro no site da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS (www.ans.gov.br), o qual lidera com o maior índice de
reclamações por usuários ativos. A empresa, que foi sinônimo de plano de saúde na década de 80 com mais de 2 milhões de usuários, tenta recuperar a sua imagem com campanhas publicitárias de conteúdo polêmico como aquela que recentemente "enfureceu" a classe odontológica, quando oferecia os serviços do dentista grátis por um ano para quem adquirisse o seu plano de saúde. A iniciativa da ANS, que oferece ao consumidor informações atualizadas na internet sobre o desempenho de cada empresa, é mais um passo na direção da organização e regulação do mercado de planos de saúde. Um serviço reconhecido também pelo novo ministro Humberto Costa, que pretende rever toda a regulamentação do setor oferecendo condições que tornem os consumidores e os prestadores de serviço mais satisfeitos. Será um grande desafio, principalmente no segmento odontológico, que é extremamente pulverizado com mais 600 empresas de Odontologia de Grupo - a maioria com menos de 2 mil vidas, segundo dados da ANS. Muitas dessas empresas têm dificuldades de cumprir as exigências do governo que visa, acima de tudo, a gerar mecanismos que possam garantir a continuidade da assistência dos planos. Apenas como referência, o mercado americano tinha, em 2001, 134 empresas operadoras de planos odontológicos em atividade para uma população coberta de mais de 160 milhões de vidas, segundo a National Association of Dental Plans (NADP). A ação da ANS, junto com a nova política do Governo Lula na reestruturação do Ministério de Saúde, anunciada em 8 de janeiro, indica que haverá um acirramento no controle dos planos, principalmente no diz respeito à qualidade da assistência. Além de buscar a recuperação das cobranças do ressarcimento ao SUS para reforçar o seu orçamento de mais de 30 bilhões de reais, o ministro Humberto Costa garante que não aceitará um nível de qualidade inferior na saúde, seja ela no setor público ou no privado. Já foi o tempo em que empresas de "convênio odontológico", conseguiam credenciar dentistas sem qualquer critério e comercializavam seus "convênios" a clientes e empresas desinformadas. É sensível a diferença de comportamento dos clientes que contratam planos odontológicos. Todos estão muito mais exigentes e não buscam apenas um custo acessível, mas acima de tudo qualidade. Os RHs das empresas valorizam cada vez mais a satisfação dos atuais clientes da operadora e principalmente dos credenciados, antes da escolha de um plano. Quando consultados pelas empresas, muitos dentistas credenciados expressam a sua experiência com cada plano, que nem sempre é positiva. Afinal, é o dentista credenciado quem realmente entrega o serviço do plano odontológico. Se ele não estiver minimamente satisfeito e atendido nas suas necessidades, o atendimento do usuário final pode ficar comprometido. Em alguns casos, o plano odontológico ao invés de solução pode ser mais um problema para o RH administrar. As operadoras que investem no relacionamento de transparência com a sua rede credenciada, oferecendo uma tabela compatível com o mercado e acima de tudo respeitando o profissional, são aquelas que têm maior chance de serem eleitas para a contratação do benefício pelos profissionais de recursos humanos. No atual cenário competitivo, a operadora de planos odontológicos que ainda não descobriu que, além do cliente, o prestador de serviço credenciado também tem um valor que vai além da tabela de serviços, está em maus lençóis. Está ficando cada vez mais evidente para os clientes e credenciados que muitos planos são do tipo "cruz dourada golden cross" e como nem tudo que reluz é ouro, muita coisa pode mudar para os planos daqui pra frente. *Josias Paulino da Costa é cirurgião-dentista pós-graduado em Administração Hospitalar pela FGV e MBA pelo Ibmec, com extensão internacional na University of Illinois (EUA). Preside a Associação Brasileira de Consultores, Auditores e Prestadores de Serviço em Odontologia (Abcap) e presta consultoria na área de seguros. E-mail: josias@abcap.org.br |