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| Ano
III - Nº 48 - Segunda quinzena de dezembro de 2001 |
| Assim é Se lhe Parece Cacá Sil Garcia* |
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Há momentos em que o rigor científico poderia ser deixado de lado. Principalmente quando a fé de milhões está em jogo. Antes que essa hipótese seja sumariamente julgada como uma sugestão estapafúrdia, vale alertar que não passa de um exercício de livre pensar. Afinal, ninguém, em sã consciência, faria campanha para barrar o avanço do conhecimento. Mas o fato é que incomoda um pouco essa curiosidade em querer identificar a "real" face de Jesus Cristo. Vá lá, é pouco provável que a visão renascentista a que estamos acostumados corresponda, de fato, à verdade. Mas, afinal, que diferença isso faz? Saber que o Messias não tinha cabelos longos e semblante plácido, mas talvez uma aparência rude e angulosa, vai mudar o quê, exatamente? Não creio que o Vaticano vá promover uma "revisão" da imagem de Cristo por causa disso. E já que estamos divagando, quanto custaria essa mudança? Materialmente seria simples. É só fazer uma imensa campanha global e.... "Atualize o seu Cristo por apenas.....promoção por tempo limitado...." Mas como ficaria o subconsciente de milhares de pessoas que seguem a fé cristã? "Puxa, Ele tinha aparência de um homem comum!". Agora, a questão ética. Não adianta dizer que a ciência não tem pátria, nem ideologia. Isso é balela. Afinal, quem financia e alimenta as pesquisas são, em geral, empresas e governos. Se isso não tem ideologia no meio, então somos todos um bando de crédulos. O fato é que chama a atenção o fato de pesquisadores israelenses estarem envolvidos no estudo. Ok, eles têm acesso a dados históricos que ninguém possui e, claro, moram onde viveu Jesus. Mas, por quê essa preocupação em saber como era o rosto de quem sequer é reconhecido historicamente? E está lá, no Discovery Chanel. Crânios escaneados por computadores de última geração exibem a face de um homem rude, cabelos encaracolados e feição pouco inteligente. Um processo, enfim, que lembra a identificação de criminosos. "Ei, este é o homem, não aquela criação artística!". Mas e daí? Mais uma vez , uma falsa questão afasta a todos do foco principal. Perdoem o chavão, mas nesse caso e a essa altura dos tempos, vale dizer que não importa a imagem e sim a mensagem. Melhor. Cada um é livre para imaginar Jesus como lhe convém. O livre arbítrio, convenhamos, era a essência do seu pensamento. Feliz Natal! *O
autor Cacá Sil Garcia é jornalista especializado em Economia/Finanças, Informática e
Saúde/Odontologia. |