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| Ano II - Nº 35 - Primeira quinzena de abril de 2001 |
Sempre atentos aos assuntos mais polêmicos, nossos jovens e eficazes representantes do ministério público têm ao alcance das mãos um caso explosivo que mereceria pronta investigação. Ao lado do tráfico de drogas, do contrabando, da corrupção política e outras mazelas milenares que resistem ao avanço (?) da civilização, há que se tomar alguma providência em relação ao "mercado". E não me refiro ao singelo espaço onde se comercializam secos e molhados, na concepção original da palavra. Mas sim a um ser multifacetado, onipresente e em nome do qual se defendem as mais diferentes teses, arrasam-se economias inteiras e, de quebra, se confundem milhões de pessoas. A primeira questão a ser devidamente esclarecida, em minha opinião, é, afinal de contas, descobrir a validade e abrangência dessa procuração passada pelo "mercado" aos senhores economistas, banqueiros e marqueteiros das mais variadas tendências. Todos se acham no direito de sair por aí falando, aos quatro ventos, que o "mercado" quer assim ou assado ou que o "mercado" não gostou disso ou daquilo. Talvez tenhamos que envolver nesse trabalho algum especialista em psicologia ou psiquiatria, mais provavelmente esta última especialidade , dada a patologia das coisas. Explico. Acredito que estamos lidando com um caso claro de alter-ego ou dupla personalidade. Sei lá, não sou especialista para definir melhor. O fato é que esses senhores engravatados que costumam sair por aí falando em nome do "mercado", parecem, na verdade, estar defendendo sim interesses próprios. Usam uma identidade difusa para chegar aos seu objetivos. Cá entre nós, aliás, que criatura, em sã consciência, vai sair por aí para saber mesmo se o "mercado" quer, de fato, isto ou aquilo? Que tipo de instrumentos usar? Por onde começar? E qual tempo dispor para essa tarefa? E, afinal, não podemos esquecer que, no nosso caso, em especial, a coisa piora de figura. Ou seja, devemos realmente acreditar na fidelidade das pesquisas e estudos que dão alma ao "mercado"? Afinal, isso tudo custa um dinheiro graúdo. Há que se questionar se quem está buscando colocar palavras na boca do "mercado", tem mesmo competência e isenção para fazê-lo. É mais provável enfim que continuemos mesmo ouvindo as constatações e profecias através dos mesmos dubladores de sempre. São eles que, a cada fato, se adiantam na mídia para tornarem-se porta-vozes do "mercado". Uma coisa, no entanto, pode nos defender de algum excesso de cinismo. É mais uma autodefesa, diria, e totalmente descolada de fundamentos científicos. Basicamente, desconfiar é preciso. Não que resolva alguma coisa concretamente, insisto. Mas trata-se de uma prática muito saudável. Pelo menos, para se exercitar algum vestígio de sanidade mental e bom senso, qualidades humanas cada vez mais minguadas em cada um de nós |