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| Ano III - Nº 38 - Segunda quinzena de maio de 2001 |
Sociólogos, historiadores e estudiosos do comportamento social e político vão ter muito trabalho para entender tudo que está acontecendo. Começou em meados da década de 90, com a consolidação do movimento de globalização, e continua se desenvolvendo sem que ninguém saiba onde vai dar extamente. O poder do estado começou a se esvaziar e em seu lugar vieram intrincados regulamentos que deveriam permitir que o jogo social continuasse sem maiores problemas. Seria até bom, um feito democrático enfim, deixar para que as pessoas, as entidades decidam o destino coletivo. Mas não é nada disso que se observa na prática. Os jogadores perderam o princípio moral de que o mais importante é rolar a bola adiante para que a ordem das coisas se mantenha. Se colocaram tão neutros ou tão egoístas que perderam completamente o norte. Mas a ordem atual é a absoluta falta de ordem. Vale o impasse que, por sua vez abre espaço para oportunistas de plantão. Não é um privilégio brasileiro, mas sim uma epidemia mundial. Não há comprometimento com absolutamente nada e por isso das provincianas reuniões de condomínio ao mais elevados fóruns, ninguém quer mais assumir coisa alguma. Estamos cada vez mais próximos do vácuo quase absoluto, pronto para que os contratos virem letra morta. Não há grandes decisões, apenas tempo perdido em discussões inócuas. Tudo isso, enfim, para chegar à questão energética que, nada mais nada menos, surgiu do impasse e da talvez proposital inércia dos governantes. Algo como "vamos deixar como está para ver como é que fica". Na Califórnia, a sociedade não estava nem aí com o que empresas e políticos estavam aprontando com a energia. Nem eles próprios. O resultado deu no que deu. Agora vem a intervenção, ato autocrático, duro para tentar recuperar o equilíbrio entre as coisas. Fica a pergunta. Isso acontece por imaturidade daqueles a quem foi dada a chance de decidir ou porque quem decide cruzou os braços, propositalmente, para ver até onde ia brincadeira, torcendo pelo pior? Não faltarão teses acadêmicas, livros, editoriais de jornais tentando explicar o inexplicável. Que o ser humano surpreende e desafia a mais fértil imaginação. |