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| Ano III - Nº 41 - Primeira quinzena de agosto de 2001 |
Em Brasília mesmo, é o caso de se imaginar como a notícia foi recebida no vizinho Ministério da Saúde. Depois de se enfiar até o pescoço na defesa da lei que restringe ao máximo a publicidade de tabaco, José Serra deve estar com a coisa atravessada na garganta. Ok, dirão alguns, vai tudo para exportação e que Deus zele pela alma dos fumantes estrangeiros. Mas a questão não se limita apenas a essa visão cômoda. Extrapola o assunto saúde em si para ganhar contornos políticos. Economista competente, como agiria José Serra se estivesse no lugar do seu colega da Indústria e Comércio ou, quem sabe, na cadeira do presidente da República? Manteria a mesma posição em relação ao fumo? Em caso positivo, abriria mão dos dólares cerca de US$ 1 bilhão - que vêm para equilibrar uma balança comercial combalida. Daria as costas aos impostos recolhidos anualmente US$ 5,5 bilhões? E as 135 mil famílias que vivem hoje do cultivo do fumo? São coisas a se pensar, mas, acima de tudo, a se evitar a tendência de que debates complexos como este e outros tantos caminhem para um julgamento maniqueísta de certo e errado, preto e branco. A realidade nacional e mundial está aguardando interpretações e soluções cada vez mais "cinzas" e, claro, gente capaz de ter essa rara percepção. Todas as vezes em que radicalismo teve sucesso, a humanidade experimentou períodos negros. Aliás, "cinzenta" é a massa que todos tem na cabeça e que serve para coisas muito mais interessantes do que abrigar pensamentos extremos. * O autor Cacá Sil Garcia é jornalista especializado em Economia/Finanças, Informática e Saúde/Odontologia. E-mail: acsil@uol.com.br |