artigos.gif (4618 bytes) logjornal.gif (4234 bytes)
Ano III - Nº 45 - Segunda quinzena de outubro de 2001

O Susto Final

Cacá Sil Garcia*

kk.gif (4398 bytes)

George W. Bush age como os "serial killers" dos filmes de terror de quinta categoria. No último minuto, agonizante, agarra-se à vitima tentando levá-la para o fundo de um abismo. É isso que ele quer fazer com o mundo. Quer que nações de mãos limpas comprem uma briga por tabela. Quer transformar uma questão local num conflito internacional.

O surrealismo das imagens do World Trade Center não se apagará facilmente de nossas mentes. Ninguém tem dúvida. Mas, infelizmente, o povo americano está pagando uma dívida injusta contraída pela política desastrada dos seus governantes. Algo que vem fermentando por décadas e que começou por Nagasaki e Hiroshima. Não havia TV durante a Segunda Guerra e ninguém pode se compadecer dos milhares de civis que arderam sem poder se defender.

A história se repetiu no Vietnam, no Oriente Médio e em todos os lugares onde os Estados Unidos resolve se meter. Se não age no conflito armado e aberto, atua nas sombras, corrompendo e subornando políticos corruptos do terceiro mundo. E nesse trabalho sujo é auxiliado por transnacionais sem caráter. É preciso enxergar que, por traz de justiça humanitária, há interesses econômicos de poderosos. Gente que não representa a América mas defende razões muito mais mesquinhas do que se imagina.

O que o povo americano sofre hoje, lamentavelmente, é também o resultado do incentivo à dissolução de governos e estados. Se de um lado isso favorece a farra financeira, do outro deixa fora de controle forças desconhecidas. Uma química explosiva que mistura miséria, ódios raciais, conflitos tribais e vinganças ancestrais.

Mais gente inocente pode morrer nesse jogo insano. Paquistaneses, afegãos e outras nacionalidades e etnias varridas por guerras não têm chance nesse choque desigual. E os americanos correm ainda o risco de ver direitos civis serem abertamente violados em seu próprio território. Coisas que só se via no cinema, em republiquetas de banana retratadas sempre como algo distante e incivilizado. Autoritarismo, militarismo, julgamentos sumários, tudo se volta contra a população, mas em nome da segurança e do Estado.

Está na hora de acender as luzes da sala, rolar os créditos e voltar para casa. Ainda há tempo de impedir o pior.


* O autor Cacá Sil Garcia é jornalista especializado em Economia/Finanças, Informática e Saúde/Odontologia. E-mail: acsil@uol.com.br

PRIMEIRA PÁGINA

EDIÇÕES ANTERIORES

ARQUIVO DE LEGISLAÇÃO

FALE CONOSCO