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| Ano VII - Nº 100 - Julho de 2005 |
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Amor: paixão ou...doença??? Marco Antonio De Tommaso* |
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Muitas pessoas, ao
estabelecerem relacionamentos, vivem em grande ansiedade em perder seu
objeto de apego. Ainda que tudo esteja bem, sentem-se arrasados à mera
possibilidade do final da relação. Com enorme sensibilidade à rejeição,
tornam cada relacionamento um martírio. Podem mergulhar em relacionamentos
inviáveis, amores impossíveis deixando de lado família, amigos, trabalhos e
outras coisas importantes em função dessas paixões doentias, prejudicando
sua qualidade de vida e de seus objetos de afeto, confundindo esse
sofrimento com amor. Muitos namorados e ex-namorados, casados e ex-casados,
amantes e ex-amantes ou simplesmente admiradores platônicos se consomem em
relações deste tipo, visando a não perda ou o resgate de uma relação. Ciúme
patológico, vergonha, possessividade, hostilidade, sofrimento, ameaças,
medo, angustia, raiva, retaliação... A carência de afeto o coloca num estado permanente de eminência de rejeição, de ansiedade, de preocupação em relação à perda. Muitos narram que tão logo seus objetos de afeto se afastam sentem-se perdidos e desamparados.Precisam escutar sempre que são amados, permanecendo atentos a qualquer gesto ou inflexão de voz de seu parceiro que avaliem como rejeitadora. Fazem um “teste” de aceitação a cada momento, a cada encontro, telefonema, que baixa sua ansiedade apenas por poucos momentos. Dependem do outro afetivamente e, quando o tem, teme perdê-lo. Não há paz para estas pessoas. Esse tipo de relação tem a ver muito mais com uma forma de obsessão onde se deseja desesperadamente uma pessoa, por mais inviável que seja a relação, e por mais que esta pessoa tenha sinalizado claramente ou o final da relação, ou seu desinteresse por ela, ou que essa relação simplesmente não exista. Qualquer sensação semelhante à rejeição ou à mera suposição de rejeição gera intensa necessidade de posse, de controle do outro, levando a aumentar a pressão, sufocando o objeto de afeto e provocando nele raiva e irritação, que são avaliadas como uma confirmação da rejeição, diante da qual apertam o cerco através de ciúme, desconfiança, cobranças, provocando mais rejeição... O ciclo se perpetua em espiral crescente. Um parceiro deste tipo não aceita que um relacionamento possa acabar. Não processa os sinais de que a relação acabou. Há sempre uma tentativa de resgate, que provoca mais rejeição e a rejeição é a mola mestra do processo patológico. Quando a rejeição ocorre, a pessoa “quer porque quer!” Seu amor próprio foi ferido e ela busca recuperá-lo. Na busca da reconquista são utilizadas as mesmas estratégias que não funcionaram antes e que irritaram o parceiro. A rejeição provoca dor, depressão e depois a raiva, que pode levar à retaliação. Podem ocorrer comportamentos impulsivos, agressivos contra seus parceiros. Telefonemas, cartas e presentes inoportunos, invasão do local de trabalho, da residência, ameaças, chantagens, invasão de nova relação do parceiro não são incomuns. São conhecidos casos de homicídios e suicídios, movidos pelo amor próprio ferido pela rejeição. Em todos os casos sofrem brutalmente e fazem sofrer. Não raro, há fugas através do álcool, comida e drogas. Esses casos podem ter conseqüências trágicas, devendo ser tratados psicoterapicamente. *Dr. Marco Antonio De Tommaso
- Psicólogo Clínico pela Universidade de São Paulo USP; atuou como
Psicólogo no Ambulatório de
Ansiedade do HC/USP; credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade;
Psicólogo das Agências Elite e LEquipe de modelos. Outros artigos publicados pelo autor no Jornal do Site Odonto |