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| Ano V - Nº 64 -Abril de 2003 - 1ª Quinzena |
| ODONTOFOBIA
III
Atendimento ao paciente odontofóbico Dr. Marco Antonio De Tommaso* |
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É preciso compreender o princípio básico do tratamento das fobias de forma geral. As psicoterapias eficazes são aquelas em que o paciente é exposto gradualmente ao estímulo fóbico. É necessário que a ansiedade apareça em grau tolerável para que possa ser tratada. Vencemos o medo enfrentando-o progressivamente. A ansiedade é uma sensação autolimitante. Diante do estímulo fóbico inicia-se um processo de tensão que atinge um patamar e declina ao longo do tempo, se a pessoa for exposta por tempo suficientemente prolongado. Por exemplo, alguém que tenha fobia de metrô deve ser colocada gradualmente em contato com os estímulos que provocam a ansiedade. Pode, na primeira semana, chegar até a estação. Com a repetição da ação a sensação de ansiedade declina. Depois poderá ir até a bilheteria. Na medida em que a ansiedade na nova situação decline, poderá avançar algo mais, chegando até a escada rolante e, progressivamente, até a plataforma e, posteriormente, aproximar-se do metrô, entrar e andar nele. O medo foi, progressivamente, superado. De que maneira? Encorajando e dando instrumental que permita à pessoa enfrentar aos poucos a situação ou estímulo fóbico, no exemplo o metrô, ao invés de evita-lo para não sentir a sensação desagradável da ansiedade. Procederíamos de maneira análoga na Fobia Social, um tipo de timidez patológica, exacerbada, onde a pessoa teme o escrutínio alheio. Tem medo de fazer ou dizer algo tolo, de se comportar inadequadamente em situações públicas. Em suma, de ser rejeitada. Para não sentir ansiedade, evita a situação social, o convívio social, com evidentes prejuízos. Então fica a regra geral: tratamos as fobias proporcionando à pessoa a exposição gradual e progressiva ao estímulo fóbico. Na odontofobia temos respostas condicionadas de medo. Na experiência clínica no tratamento destes pacientes podemos mencionar os fatores desencadeantes mais citados:
O medo antecipado da dor (ansiedade de antecipação) faz com que o limiar subjetivo seja alterado. Um quarto dos pacientes com fobia de dentista apresenta o quadro antes da primeira consulta. No atendimento odontológico destes clientes o CD poderá utilizar técnicas comportamentais e ou farmacológicas, podendo, inclusive, utilizar-se do atendimento odontológico hospitalar. Nos ateremos às técnicas comportamentais. A totalidade dos pacientes odontofóbicos descreve sua expectativa em relação ao CD "ideal". É descrito como "paciente", "tranqüilo", "seguro", "muito competente", "que se esmera em evitar a dor", "que ouve e tenta compreender o medo do paciente". Comecemos com uma premissa básica: o CD deve investir numa "parceria" com o cliente ou, melhor ainda, num vínculo de cumplicidade, que permita o crescimento da credibilidade do profissional e da autoconfiança do odontofóbico. Vamos integrar o que foi dito em relação às fobias e às qualidades do CD idealizadas pelo cliente e adaptá-las ao tratamento dos odontofóbicos.
SE SINTOMAS DE PÂNICO ESTIVEREM PRESENTES, O PACIENTE DEVERÁ SER ENCAMINHADO PARA UM TIPO ESPECÍFICO DE PSICOTERAPIA, DENOMINADA "PSICOTERAPIA DE EXPOSIÇÃO INTEROCEPTIVA", MINISTRADA POR PSICOTERAPEUTA EXPERIENTE, SEMANAS ANTES DA CONSULTA. O MESMO OCORRERÁ CASO HAJA DESMAIO DURANTE A ANESTESIA. No próximo artigo abordaremos um roteiro sugestivo ao CD e técnicas de relaxamento e de respiração. *Dr. Marco Antonio De Tommaso - Psicólogo
e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo USP; atuou no Ambulatório de
Ansiedade do HC/USP; credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade;
psicólogo das Agências Elite e LEquipe de modelos |