![]() |
![]() |
| Ano V - Nº 72 - Setembro de 2003 |
| Preocupações
Dr. Marco Antonio De Tommaso* |
![]() |
|
Não há mal algum em planejarmos o futuro. Antevemos uma situação, nos preparamos para uma prova, para um
desempenho esportivo, artístico ou acadêmico . Nestes casos a antecipação das
situações tem a conotação de precaução. Empregamos a reflexão para a busca de uma
solução. A preocupação pode ser compreendida como a vigilância para detectarmos perigos futuros, a antecipação do que pode dar errado e como lidar com isso, buscando as soluções possíveis. Mas quando a preocupação se torna crônica, repetitiva, inquietante, desproporcional à natureza da situação prevista, quando assume caráter catastrófico, esperando-se sempre o pior em cada situação, quando os pensamentos perturbadores aparecem sem serem convidados, perturbam quaisquer tipos de recursos disponíveis a serem mobilizados para a solução. A essa preocupação crônica, contínua, que coloca as pessoas que a tem em permanente estado de alerta dá-se o nome de Ansiedade Generalizada. As pessoas referem "sentir-se permanentemente à beira de um abismo" ou, ainda, "não conseguir manter a mente livre da preocupação Na preocupação deste tipo há sempre uma eminência de catástrofe. Os pensamentos são intrusivos e conduzem sempre a um "final infeliz". Se a função da preocupação é lidar com perigos potenciais, prevenir uma ameaça e levantar possíveis alternativas de resolução, caso ocorra o fato previsto, na prática a ruminação ansiosa não cumpre sua finalidade. A preocupação crônica não permite a tranqüilidade necessária para a avaliação adequada da situação futura. Além disso, essas pessoas estão permanentemente infelizes, apreensivas, excessivamente vigilantes e podem sofrer de depressão. Antecipam uma série de situações cuja probabilidade de ocorrência é mínima ou desprezível ou, ainda, supervalorizam a ameaça e as conseqüências do fato temido. Pessoas com ansiedade generalizada criam a partir de dados insuficientes imagens de perigo que, por sua vez, disparam a ansiedade. Essa ansiedade provoca pensamentos negativos que desencadeiam nova onda de ansiedade e realimentam as apreensões em espirais crescentes.. Os processos mentais que possibilitam a resolução de problemas são flexíveis, alternativos, derivados de formulação adequada do problema, que inclui a avaliação do grau real de ameaça. Nesse tipo de preocupação, ao contrário, o pensamento torna-se rígido, estereotipado, inflexível, repetindo e antecipando as mesmas conseqüências negativas. A supervalorização do grau de ameaça da situação e das conseqüências da situação temida, aliadas à sensação de indisponibilidade de recursos trazem enorme sofrimento e prejuízo generalizado para a pessoa. A presença deste tipo de preocupação, requer abordagem psicoterápica. *Dr. Marco Antonio De Tommaso - Psicólogo
e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo USP; atuou no Ambulatório de
Ansiedade do HC/USP; credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade;
psicólogo das Agências Elite e LEquipe de modelos |