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| Ano VI - Nº 82 - Março de 2004 - 1ª Quinzena |
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O transtorno bipolar
do humor
Dr. Marco Antonio De Tommaso* |
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O Transtorno Bipolar do Humor (TBH) se caracteriza pela alternância entre fases de mania (a conotação técnica é diferente da popular, como veremos) com episódios depressivos (veja artigo sobre depressão no próximo Jornal do Site). Na clínica observa-se que o paciente apresenta várias crises de um tipo e poucas do outro. Depressão e mania aparecem alternadamente e, com mais raridade, de forma mista. Atinge 0,5% da população sendo a idade média de por volta de 30 anos. Mas pode ocorrer em crianças e idosos. O diagnóstico nem sempre é fácil, pois o quadro não se apresenta de maneira uniforme, podendo ocorrer episódios de um tipo e poucos ou um único de outro. Na fase maníaca a pessoa está “acelerada”. Fala demais, muito rapidamente, passando de um assunto a outro, interrompendo a si mesmo. Fala alto, polemiza, discute e irrita-se com facilidade, especialmente se contrariada. Implica e desafia as pessoas. Pode apresentar uma aparente alegria, mostrar-se muito à vontade. Mas essa “alegria” pode subitamente terminar em explosões de raiva. O pensamento é muito rápido, as idéias fluem e não são terminadas, atropelando uma às outras. A isso chamamos “fuga de idéias” e não deve ser confundido com “criatividade”, como dizem alguns portadores do TBH. Há desinibição social excessiva com grande facilidade para contatos sociais, muitas vezes indevidos. A falta de crítica as expõe, muitas vezes, a situações vexatórias. Freqüentemente ocorre excessiva “desinibição sexual”, tendendo a seduzir pessoas, a se oferecer sexualmente a quem lhe interessam e que podem causar-lhes prejuízos devastadores. A conduta torna-se amoral, promiscua. A ausência de senso crítico agita seu comportamento sexual. Podem se interessar pelo (a) companheiro (a) de outro (a) ou fazer propostas sexuais a desconhecidos. Abandonam maridos (esposas). Podem ter muitos parceiros num período curto de tempo. Comprometem todos os seus relacionamentos. Habitualmente não “gozam de boa fama na comunidade...” Existem fantasias de grandiosidade. A pessoa se atribui competências que não tem, acha que “sabe tudo”, “que tudo pode”. Sente-se onisciente e onipotente, mesmo que não dê seqüência a nada e sua produtividade seja zero. Esta suposta grandiosidade de que não cansam de falar os torna enfadonhos, após o primeiro contato . Dificilmente concordam com a opinião dos demais e raramente aceitam conselhos ou opiniões. Não há consciência de sua condição doentia e a pessoa reage veementemente à proposta de tratamento. O sono está prejudicado com freqüência e a pessoa sente-se bem com três horas de sono, por exemplo. A hiperatividade compromete seu relaxamento. Podem gastar muito dinheiro comprando o que não precisam, fazendo doações a terceiros. Podem comprometer bens de família e se endividar de maneira perigosa. CausasAs causas são desconhecidas. Mas sabe-se que é, dentre os transtornos psicopatológicos, dos mais determinados biologicamente e menos influenciáveis por fatores emocionais, sociais e ambientais de forma geral, embora os comprometa pesadamente. Pode ser desencadeado após episódios de estresse, e a predisposição é biológica. Deve ser diferenciado de outros estados que podem ser causados por uso de substâncias (drogas estimulantes, anfetaminas, medicamentos para emagrecer mal prescritos, doenças neurológicas, etc). TratamentoO tratamento é bastante dificultado na medida em que o paciente não aceita estar doente e reage à medicação. Na fase maníaca o tratamento é medicamentoso. Habitualmente são receitados medicamentos específicos combinados e só um psiquiatra experiente pode efetuar a devida prescrição, suas associações e os ajustes necessários. “Produtos naturais” não têm qualquer efeito sobre o estado maníaco. Durante o tratamento qualquer alteração medicamentosa pode agravar o estado do paciente. Por isso é absolutamente necessário que haja comunicação freqüente com seu médico. A psicoterapia poderá ser utilizada depois do controle da fase maníaca, promovendo o reajustamento do paciente, seu reequilíbrio social, afetivo, familiar, profissional. Na fase maníaca não deve ser utilizada como única forma de tratamento! Qualquer psicoterapêuta que receber um paciente nestas condições deverá encaminha-lo a um psiquiatra! O prolongamento da fase maníaca poderá ser devastador para a vida da pessoa e de sua família.
*Dr. Marco Antonio De Tommaso - Psicólogo
e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo USP; atuou no Ambulatório de
Ansiedade do HC/USP; credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade;
psicólogo das Agências Elite e LEquipe de modelos |