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Ano VI - Nº 92 - Novembro de 2004
Novo site de Psicologia
Veja o novo site do dr. Marco Antonio De Tommaso,
www.tommaso.psc.br,
destinado à prevenção em psicologia e psicopatologia e

Beleza feminina : A pesquisa UNILEVER – DOVE

Dr. Marco Antonio De Tommaso*

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qualidade de vida. Há artigos dele e de diversos colaboradores. Aguardo seu acesso, críticas e sugestões.


Dia 29/09/2004 tive o prazer de participar, na qualidade de consultor, da entrevista coletiva por ocasião da apresentação mundial da pesquisa Unilever-Dove. O estudo foi encomendado pela empresa ao StrategyOne, instituto de pesquisa mundialmente conceituado. Foram entrevistadas 3200 mulheres de 18 a 64 anos em 10 países. O objetivo era mostrar como mulheres de todo o mundo encaram a beleza, os padrões ditados pela mídia e seus efeitos na qualidade de vida e na sociedade.

Embora a mulher se empenhe na obtenção deste ideal de beleza inviável, simultaneamente reivindica a ampliação e a democratização desse padrão, imposto de forma arbitrária. Setenta e cinco por cento querem que a mídia retrate a beleza de forma mais abrangente, incorporando outros fatores, além da simples atratividade física (que é um componente da beleza, mas não a beleza) como auto-estima, bem-estar, simpatia, cordialidade, sinceridade e, principalmente, que beleza esteja sempre vinculada à saúde física e mental e aplicável a mulheres “normais”.

A pesquisa Unilever - Dove mostra que só 2 % das mulheres de todo se definem como “belas”! O índice de satisfação das brasileiras é ainda pior: apenas 1 % se define como tal! Cinqüenta e quatro por cento cogitaram em submeter-se à cirurgia plástica, 7% o fizeram. Treze por cento atribuem beleza apenas às Top Models.

Conceitualmente não se pode chamar de padrão ou norma um atributo comum à apenas 1 % da humanidade. Modelos constituem uma forma específica de beleza e não a beleza em si. Não são “mais que” ou “menos que”, apenas “diferentes de”, inclusive geneticamente. Existem mulheres lindíssimas que não modelos. Estabelecer que a beleza da modelo como critério é o mesmo que postular que o “normal” em termos de atividade física é o desempenho do campeão olímpico dos 100 metros, também ele uma exceção genética. Seriam as modelos mais felizes que as outras mulheres? Com certeza, NÃO! Estariam elas mais satisfeitas e seguras da própria beleza que as não modelos? NÃO! Em estudo por mim efetivado com 140 jovens modelos TODAS se mostraram descontentes com a própria aparência! Setenta e dois por cento fariam correções cirúrgicas, índice bem maior que os 54 % de brasileiras que o fariam segundo a pesquisa da Dove!

Na pesquisa, as mulheres mais satisfeitas consigo mesmas foram mais indulgentes ao abordarem a própria beleza. A autopercepção da beleza está ligada à felicidade, ao bem-estar, à auto-estima. Ser bonita é ser feliz, é valorizar aquilo que a torna única, é a expressão do equilíbrio emocional, é, principalmente, a sensação íntima de autoconfiança, de automerecimento da felicidade. É mais, muito mais que a mera atratividade física. É algo que vem “de dentro”, sem o qual a mera atração física se torna banalizada. É a valorização do que se tem e não a lamúria do que não se tem. É a aquisição de uma “identidade estética”.

A pesquisa confirma absoluta necessidade de conceitos saudáveis e viáveis, individualmente considerados.

Parabéns à Unilever – Dove pela abrangência da pesquisa, pelo debate publico que trará em várias esferas e, por que não? PELAS VIDAS que ajudará a salvar já que, muitas vezes a busca indiscriminada da beleza pode levar à morte. 


*Dr. Marco Antonio De Tommaso - Psicólogo e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo – USP; atuou no Ambulatório de Ansiedade do HC/USP; credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade; psicólogo das Agências Elite e L’Equipe de modelos
E-mail: tommaso@terra.com.br
Internet: www.saudeweb.com.br/ coluna emagrecimento (+11) 3887 9738


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