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Ano VII - Nº 94 - Janeiro de 2005
Novo site de Psicologia
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www.tommaso.psc.br,
destinado à prevenção em psicologia e psicopatologia e

Compulsão por chocolate e doces (“Craving”)

Marco Antonio De Tommaso*

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qualidade de vida. Há artigos dele e de diversos colaboradores. Aguardo seu acesso, críticas e sugestões.


Uma das alterações de comportamento alimentar que mais atrapalham o processo de emagrecimento é a “necessidade” relatada pelos pacientes por chocolate ou doces.

Tecnicamente essa “vontade” é conhecida por CRAVING, em analogia à busca ansiosa por uma substância em particular.

É caracterizado por um ataque súbito, irresistível para comer com urgência um alimento em particular, fora das refeições, habitualmente chocolate, doces, sorvete ou outros alimentos ricos em carboidratos e gorduras. A pessoa sente grande ansiedade e vontade irrefreável de ingerir aquele alimento. Ao fazê-lo obtém alivio momentâneo e, se estiver em processo de emagrecimento, esse breve alivio é seguido de culpa, que reforça a ansiedade, que leva a comer de novo, em círculos viciosos.

O CRAVING deve ser visto do ponto de vista físico e psicológico.   Grande parte das calorias do chocolate provem de carboidratos, que interfere na produção de serotonina, neurotransmissor que modula o sistema nervoso. Outra porção provem da gordura, que elevaria os níveis de endorfina, substância que produz prazer e alivia a tensão. Além da presença de cafeína e da teobromina (componente do cacau) o chocolate contem feniletilamina, que eleva a produção de endorfina.

Só que essa reação bioquímica é imediata e se processa com pequenas quantidades de chocolate. Se a pessoa está em processo de emagrecimento, provem a culpa, a ansiedade como conseqüência de ter comido, a sensação de descontrole, o medo de “ter estragado tudo” e esse novo desconforto leva a um ato compulsivo.

A maioria das pessoas associa o chocolate, os doces, sorvetes a momentos felizes de suas vidas e, em situações de desconforto interno, ansiedade, stress ou depressão pode se voltar automaticamente para esse lenitivo. O alimento, desde a mais tenra idade, constitui o primeiro ansiolítico e antidepressivo . Quando o bebe chora, esperneia por fome, raiva, dor ou o que quer que seja, é tratado com leite materno ou mamadeira, mais acalanto e calor do corpo da mãe. Essa associação cria um “atalho” cerebral em nível emocional muito precoce e poderosa (não esqueçamos que no período de amamentação o cérebro emocional está formado, mas o racional ainda não) e que poderá ser indevidamente disparada, movida, talvez, por fragmentos de estímulos, longinquamente semelhantes à situação original, e dos quais não temos acesso racional. Estímulos internos subliminares de desconforto levam a esses alimentos que aliviam provisoriamente esse mal-estar e “solidificam” essa antiga associação.

Alguns “chocolatras” que necessitam emagrecer entram em depressão quando o chocolate é suprimido e abandonam a dieta, razão pela quais muitas nutricionistas incluem pequenas porções na reeducação alimentar.

Mas , quando o chocolate representa algo mais que isso, quando atua como lenitivo para emoções das quais a pessoa não tem consciência, deve ser trabalhada psicologicamente.


*Dr. Marco Antonio De Tommaso - Psicólogo e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo – USP; atuou no Ambulatório de Ansiedade do HC/USP; credenciado pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade; psicólogo das Agências Elite e L’Equipe de modelos
E-mail: tommaso@terra.com.br
Internet: www.saudeweb.com.br/ coluna emagrecimento (+11) 3887 9738


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