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Ano V - Nº 92 - Novembro de 2004

VEJA QUEM dá as CARAS nesta ÉPOCA

Marcelo de Andrade*

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É comum encontrar revistas dedicadas ao colunismo social nas salas de espera de consultórios. Ainda não se sabe qual a razão da preferência por estas publicações. Talvez as editoras façam um preço camarada para estes estabelecimentos. Coitado do paciente que preferir uma revista de informação. Ou se resigna com matérias sobre as conquistas sexuais do galã da vez ou vai procurar atendimento odontológico no jornaleiro.

Olhando detidamente para as capas destas publicações, o cirurgião-dentista pode ter a impressão de que apenas artistas, apresentadores, socialites, jogadores de futebol, empresários, políticos, religiosos e outras espécies da fauna televisiva podem interessar à imprensa. E que, para aparecer nestes espaços, é preciso ser, necessariamente, rico, bonito, bem relacionado ou ter dormido com metade do elenco da novela das oito. Não necessariamente nesta ordem.

São mitos que refletem uma visão distorcida dos meios de comunicação.

As mídias (TV, rádio, jornais, revistas, internet etc.) dedicam-se à informação da opinião pública e ao entretenimento.Todos os dias, jornalistas caçam informações que interessam aos seus leitores, que são divididos em segmentos por faixa etária, sexo, classe social, ocupação profissional e outras categorias. Existem diferentes tipos de veículos de comunicação para diferentes tipos de público. Uma revista sobre pescaria dificilmente irá publicar uma matéria sobre uma técnica revolucionária para tratamento ortodôntico. Da mesma forma, um jornal especializado em construção civil jamais gastará papel com receitas de bolo light.

Jornalistas são ávidos por informação – alguns chegam a fazer reportagens em locais onde o sofrimento humano é levado ao extremo como estádios de futebol e clínicas de depilação. Além disso, são extremamente competitivos. Ou seja, querem divulgar uma informação importante para seus leitores antes dos concorrentes. Portanto, para virar notícia, o primeiro passo é ter uma informação que desperte o interesse dos meios de comunicação.  Sem conteúdo, não há notícia. E tem de ser coerente com o perfil da publicação e com o seu público.

Os cuidados com a saúde exercem um grande apelo sobre a população. Basta ver o número de matérias a respeito em revistas e jornais. A saúde bucal não fica atrás. Num país de desdentados como o Brasil, há uma carência enorme por informações sobre os cuidados com a higiene oral, novos tratamentos, descobertas científicas, procedimentos de reabilitação, estética etc. A Odontologia é um manancial de informações para a mídia. E ninguém melhor do que os cirurgiões-dentistas para servir como fonte de informação para os jornalistas (Odontologia ainda não faz parte dos currículos de Comunicação Social).

A questão é como levar estas informações para os jornalistas ou despertar a atenção da mídia para determinado assunto?

Este é o papel do assessor de imprensa. Como o nome diz, ele facilita o contato entre os jornalistas e as fontes de informação (aqueles que detêm o conhecimento). O assessor de imprensa conhece as publicações e colunistas que teriam interesse por determinada informação, sabem como apresentar esta informação de forma atrativa para os jornalistas e orienta seus clientes sobre como se portar perante a imprensa (linguagem adequada, etiqueta em entrevista etc.).

Com ajuda de uma assessoria de imprensa, o cirurgião-dentista, enquanto formador de opinião qualificado, pode alcançar uma visibilidade na mídia e ainda prestar um serviço à sociedade, contribuindo para divulgar informações corretas sobre promoção de saúde através de entrevistas e artigos.

É necessário um trabalho contínuo de assessoria de imprensa para que um profissional se torne uma fonte de informação preferencial. O sucesso desta ação depende da qualidade da informação (riqueza de dados, adequação ao perfil editorial, ineditismo etc.), credibilidade da fonte (grau de conhecimento sobre o assunto abordado) e disponibilidade da fonte (jornalistas trabalham com prazos exíguos e não podem esperar muito pela informação), entre outros fatores.

Meros mortais podem virar notícia, sim. ISTO É uma questão de contar com os recursos certos..


*Marcelo de Andrade é jornalista com pós-graduação em Comunicação Social pela
Faculdade Casper Líbero, redator de diversas publicações técnicas,  10 anos de experiência em coberturas de jornalismo nas áreas de Saúde e de Odontologia; coordenador do Núcleo de Assessoria de Comunicação  da Edita;  editor-assistente do Jornal do Site Odonto.
marceloandrade@editabr.com

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