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Ano III - Nº 46 - Primeira quinzena de novembro  de 2001

Teleafônica

Marcelo de Andrade*

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Recentemente, um consumidor solicitou a uma concessionária espanhola de telefonia fixa que opera na capital paulista a transferência de uma linha residencial. Porém, juntamente com a linha, a companhia disponibilizou, à revelia do assinante, um serviço gratuito de "secretina" eletrônica.

Acontece que este consumidor não reconhece a legitimidade dos termos gratuito e semi-novo. Não existe nada de graça sob o sol. Alguém sempre paga a conta no final. Da mesma forma que também não existe o adjetivo semi-novo. Você concebe a existência de uma camisinha semi-nova? Um absorvente íntimo semi-novo? E que tal um implante semi-novo? Um objeto é novo ou usado. Não existe meio-termo.

No caso do serviço de "papagaio eletrônico", quem paga a conta é o próprio consumidor, pois a empresa cobra os impulsos das ligações necessárias para acessar as mensagens gravadas. Para evitar este gasto extra, o cético comprou uma secretária eletrônica e resolveu dispensar o serviço da concessionária.

Ligou várias vezes para a empresa, em horários distintos, pedindo o cancelamento do serviço. Em todas as ocasiões, após ficar com cãibra nas falanges de tanto teclar as opções do menu, a linha cai.

Além disso, o serviço costuma ligar automaticamente para a casa do consumidor avisando quando há nova mensagem. Na primeira vez que atendeu uma ligação deste tipo, o assinante foi informado sobre a existência de três recados. Dois deles eram trechos de uma música de piano. A terceira era um ruído similar ao provocado pelo fax-modem do computador quando conecta a Internet. Ou seja, o consumidor pagou para ouvir trotes.

Mas o assinante resolveu mudar sua estratégia. Não vai mais reclamar com a companhia. Na próxima vez que a empresa ligar para falar sobre algum novo serviço, como faz com freqüência, receberá uma resposta compatível com o tratamento que dispensa à sua clientela.


** Marcelo de Andrade é jornalista pós-graduado em Comunicação Social pela  Faculdade Cásper Líbero.
    E-mail: marceloandrade@editabr.com

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