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Biossegurança - Parte IV*

Desinfecção*


Especial
Marcelo de Andrade

 

Não adianta tomar precauções quanto às barreiras universais individuais de proteção, como gorro, óculos, luvas e aventais, e à higienização das mãos, se o ambiente de trabalho estiver contaminado. A desinfecção por meio de processos físicos ou químicos visa à remoção e eliminação dos micróbios alojados nas superfícies inanimadas dentro do consultório. As técnicas de higienização descritas a seguir varrem a maioria das formas microbianas vegetativas. Já as formas esporuladas são mais resistentes.

O material utilizado para desinfecção inclui álcool a 70%, hipoclorito de sódio a 1% e glutaraldeído 2%. As soluções devem ser protegidas da luz e acondicionadas em recipientes de plásticos e com tampa. O hipoclorito de sódio deve ser utilizado por um período de 12 a 24 horas. O glutaraldeído pode ser utilizado pelo tempo determinado pelo fabricante. O álcool, por sua vez, deve ser utilizado por um período de 12 horas.

O instrumental deve ser limpo com água e sabão e depois imerso na solução de escolha por 30 minutos. Depois, retirado e enxaguado com água corrente e seco com pano limpo. As peças devem ser guardadas em recipiente limpo e adequado.

O mobiliário e o equipamento devem, após a limpeza, ser desinfectados com álcool a 70% ou hipoclorito de sódio a 1% (este último não pode ser aplicado sobre metais ou mármore devido ao seu poder de corrosão). O ideal é friccionar a superfície com pano embebido na solução desinfetante por no mínimo 30 segundos.

A desinfecção deve ser realizada entre um atendimento e outro nos seguintes móveis e equipamentos:

cadeira do paciente

botões de controle da cadeira

foco de luz (alça e interruptor)

equipo (superfície, puxadores e unidade auxiliar)

puxadores de gaveta

ampola e disparador de raios-x

conexão do sugador

cuspideira

aspirar detergente enzimático pelo sugador

Canetas de alta e baixa rotação e seringa tríplice não autoclaváveis podem ser desinfectadas com estas substâncias. Antes, porém, é necessário colocar as pontas em movimento por 20 segundos para descarga de água na cuspideira.

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A desinfecção concorrente, realizada entre um paciente e outro, pode ser substituída em alguns casos pela proteção dos equipamentos e superfícies com filmes plásticos de PVC transparente, que devem ser trocados após cada atendimento. O filme deve ser aplicado sobre as partes manuseadas pela equipe e paciente durante o atendimento dos equipamentos periféricos e superfícies do equipo e unidade auxiliar.

Moldeiras e moldagens também requerem um procedimento de desinfecção rigoroso. As impressões têm de ser lavadas para remoção de depósito de placa dental, saliva ou sangue e depois desinfectadas antes do molde ser vazado ou enviado ao laboratório.

A técnica de imersão em hipoclorito de sódio a 1%, iodóforos ou glutaraldeído a 2% durante 10 minutos é indicada para impressões com polissulfetos e de silicone. Impressões à base de alginato necessitam de uma lavagem em água corrente e remoção do excesso de água, após a qual recomenda-se a borrifação na moldagem com desinfetante de superfície, como os iodóforos, hipoclorito de sódio a 1% ou fenóis sintéticos, sob a forma de spray. O molde deve ser colocado no interior de um saco plástico e removido após 10 minutos para imediato vazamento do gesso.

Já as impressões à base de óxido de zinco e eugenol devem ser imersas em glutaraldeído a 2% durante 10 minutos. As próteses fixas contendo metal e porcelana, metal e resina, resinas e porcelanas, devem ser lavadas com água e sabão degermante, enxaguadas em água corrente e friccionadas com álcool a 70% durante 30 segundos.

Moldeiras de resina acrílica ou individuais devem ser imersas em hipoclorito de sódio a 1% durante 10 minutos. Moldeiras metálicas devem ser limpas (veja instruções para instrumental) e esterilizadas em estufa ou autoclave. Planos oclusais ou registros são imersos em iodóforos ou álcool 70% durante 10 minutos para se obter desinfecção satisfatória.


 

Fonte: Rotina de Procedimentos de Descontaminação das Clínicas da ABO-Goiás – 1998.

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