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Biossegurança - Parte VI*

Informações didáticas sobre o tema vêm sendo publicadas, seqüencialmente, há cerca de três meses no Jornal do Site Odonto. Acompanhe a série no Arquivo de Matérias, disponível permanentemente na página de abertura.

Esterilização

Especial
Marcelo de Andrade

Dando continuidade à série de reportagens sobre Biossegurança, o Jornal do Site Odonto mostrará agora algumas dicas de esterilização sugeridas pelo Núcleo de Controle de Infecção da Seção goiana da Associação Brasileira de Odontologia (ABO/GO).

A esterilização é um processo de eliminação completa de micróbios que emprega métodos físicos, tais como forno Pasteur, estufa e autoclave, e químicos, como óxido de etileno, glutaraldeído e formaldeído. Normalmente são utilizadas embalagens para acondicionar os materiais durante a esterilização para evitar contaminação posterior. Este capítulo tratará do processo de esterilização pelo calor úmido.

O uso da autoclave confere muita eficiência ao processo de esterilização, realizado através da desnaturação protéica. No entanto, requer também bastante preparo de quem o manuseia. Os cuidados têm início com a limpeza e secagem do material a ser esterilizado. Ele deve ser acondicionado em pacotes, tambores, caixas metálicas com furos e vidros com tampão de algodão ou papel. Devem ser acomodados adequadamente, sem compactação.

Recomenda-se o uso de invólucros de tecido de algodão cru, duplo, com trama têxtil adequada; papel grau cirúrgico, papel kraft com pH 5-8 e filme de poliamida entre 50 e 100 micras de espessura.

Roupas e outros tecidos de algodão, objetos metálicos (instrumental), vidros e borracha devem ser esterilizados em tempo de exposição que varia de 15 a 30 minutos, de acordo com a espessura dos materiais e instruções do fabricante do aparelho.

Algumas medidas devem ser adotadas ao carregar a autoclave. Os materiais selecionados de acordo com a sua espessura facilitam definição do ciclo de esterilização. A disposição dos materiais não pode prejudicar a circulação do vapor. Convém manter espaço para circulação do vapor em toda superfície dos pacotes. As dobras dos pacotes de tecido ou papel devem ser colocadas para baixo, a fim de facilitar a penetração do vapor. Evite encostar pacotes na superfície lateral ou posterior do parelho. Os objetos côncavos têm de ser dispostos com a boca virada para baixo, preferencialmente.

Confira as condições do pacote. Ele tem de estar bem vedado, mas não pode apertar o conteúdo. Tem de estar sem furos e remendos. É importante verificar também se não há muita mistura de materiais em seu interior. Não sobrecarregue a autoclave. Usar apenas dois terços da capacidade do aparelho em cada ciclo de esterilização.

Após a esterilização, o material deve ser guardado em local limpo. Vestígios de umidade no pacote revelam deficiência no processo. Pode ser defeito do aparelho ou inobservância, pelo usuário, do tempo correto de secagem. Se isto ocorrer, repita a operação. O material deve ser reutilizado num período de 24 horas. Se a secagem obedeceu os procedimentos corretos, pode-se obedecer o período de armazenamento recomendado pelo fabricante.

Existem certos macetes para assegurar que a esterilização foi bem feita. Fitas termossensíveis possibilitam confirmam a exposição às temperaturas desejadas. Cronômetros para acompanhar o tempo de exposição ao calor são muito úteis para tirar dúvidas quanto ao desempenho do aparelho. Recomenda-se ainda testes biológicos mensais com o bacillus stearothermophylus na primeira carga do dia e ao término de todas as manutenções realizadas.

A manutenção e limpeza da autoclave prolonga a vida útil do aparelho e garante níveis mínimos de biossegurança durante a operação. A rotina de limpeza da autoclave deve ser diária, antes da primeira esterilização. Use sabão neutro e esponja.

Atenção

A autoclave deve permanecer bem fechada durante a esterilização para evitar o risco de acidentes graves (as tampas podem se soltar violentamente). Nunca tente abrir a tampa da autoclave enquanto houver pressão. O vapor da despressurização pode provocar queimaduras. Cuidado. Caso haja queda de energia, o ciclo será interrompido automaticamente. Complete novamente o nível da água e reinicie o programa.

Confira, no próximo número, dicas de esterilização pelo calor seco.

Características dos materiais utilizados para invólucros
e sua adequação ao processo de esterilização

Material

Autoclave

Estufa
Campo de algodão cru, duplo Sim Não
Papel kraft Sim Não
Papel alumínio Não Sim
Poliamida Sim Não
Papel grau cirúrgico Sim Não
Caixa de alumínio ou inox fechada Não Sim
Caixa de alumínio ou inox perfurada e envolvida com papel ou tecido Sim Não
Vidro tampado com bucha de algodão hidrófilo Sim Sim

Tempos mínimos de exposição (em minutos) para esterilização de materiais, pela autoclave e forno, segundo a temperatura e o tipo de material

Processo de Esterilização

Autoclave

Observações

Forno Observações
Material

Gravidade 121º

Gravidade 132º

Alto Vácuo 132º

-

170º

Roupas

30’ 15’ 4’ Embrulhados em campos de tecido, ou papel grau cirúrgico. - -
Material de borracha (luvas, drenos, catéteres) 15’ 10’ 4’ Embrulhados individualmente em campo de tecido, papel kraft, ou grau cirúrgico. - -
Instrumentos metálicos 30’ 15’ 4’ Acondicionados em caixa metálica perfurada ou embrulhados em campo de tecido, papel krafty ou grau cirúrgico. 60’

Acondicionados em caixas metálicas fechadas

Agulhas 30’ 15’ 4’ Montadas em tubos de vidro com tampa de algodão hidrófilo 60’ Montadas em tubos de vidro com tampa de algodão
Agulhas de sutura 30’ 15’ 4’ Montadas em gaze e embrulhadas em campo de tecido, papel kraft ou grau cirúrgico. 60’ Acondicionadas em caixas metálicas
Seringa de vidro 30’ 15’ 4’ Desmontadas e embrulhadas individualmente em campo de tecido, papel kraft ou grau cirúrgico. 60’ Embrulhadas em papel alumínio, acondicionadas em caixas metálicas fechada.
Instrumentos de corte 30’ 15’ 4’ Embrulhados individualmente em campo de tecido ou papel kraft acondicionados em caixas perfuradas. 60’ Embrulhadas em papel alumínio e acondicionados em caixas metálicas fechadas.
Frascos, balões de vidro, tubos de ensaio 30’ 15’ 4’ Tampados com bucha de algodão hidrófilo e embrulhados em campo de tecido, papel kraft. 60’ Tampadas com bucha de algodão e colocados em caixa metálica fechada.
Placas de Petri 30’ 15’ 4’ Montadas e embrulhadas em papel kraft ou grau cirúrgico. 60’ Acondicionadas em caixas metálicas.
Vaselina líquida e óleo - - -

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60’ Colocada em frascos de vidro fechados ou caixa fechada.
Líquido em Frascos 75 a 250 ml
500 a 1.000 ml
1.500 a 2.000 ml
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15’
30’
40’
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Verificar se o líquido pode ser saturado pelo vapor. Eliminar o ciclo de secagem.

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Fonte: ABO/GO (adaptado do Ministério da Saúde)

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