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Ano V - Nº 75 - Outubro de 2003 - 2ª Quinzena

‘Ho, Ho, Ho! Seu micro pifou!’

Marcelo de Andrade*

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"Ho, Ho, Ho! Seu micro pifou!" Uma mensagem assim pode aparecer na sua tela a qualquer momento, se você não tomar cuidado com os arquivo anexos que baixam na sua caixa postal. De acordo com o repórter do caderno Informática do jornal O Estado de São Paulo, Robinson dos Santos, um dos costumes mais tradicionais de dezembro, a troca de cartões de natal, está sendo utilizada por hacker para espalhar o caos e a desordem entre os micreiros e usuários da Internet.

A estratégia destes vândalos virtuais consiste em batizar os vírus - programas nocivos que infestam e inutilizam um computador – com um nome inofensivo como "Seu presente está aqui.doc" e enviá-los por e-mail. Pode ser também que a mensagem má intencionada venha acompanhada de um outro arquivo com algum nome sugestivo como "Feiticeira_nua.jpg".

Ao dar dois cliques no ícone do arquivo anexo, o usuário desavisado está, na verdade, apertando o gatilho do vírus, que a esta altura, de acordo com sua programação, já deve estar se multiplicando e provocando estragos no sistema operacional da máquina e na trilha de endereços dos arquivos, impossibilitando a recuperação dos dados.

O vírus também pode ser do tipo cavalo de tróia. Estes invasores agem na surdina. Instalam-se no computador e o deixam vulnerável à ação dos hackers. De quebra ainda se encarregam de se auto-transmitir para todos os e-mails registrados no seu catálogo de endereços, inclusive do cunhado, do chefe e daquela gata da contabilidade que te dá bola na hora do cafezinho. Ou seja, são uma boa forma de espalhar discórdia no seu pequeno círculo de amizades.

Para evitar o drama, é necessário passar um bom antivírus nas mensagens e seus arquivos anexos. Se o seu programa estiver desatualizado, o que é uma temeridade, configure seu gerenciador de correio eletrônico par salvar os arquivos anexos em vez de abri-los. Depois, use o Windows Explorer para verificar a verdadeira extensão do arquivo. Cheque com o remetente se o arquivo é seguro. Se o mesmo tiver extensão .exe, .com ou .pif, mande às favas o espírito natalino e delete-os sem dó nem piedade.

Só falta agora os hackers inventarem um meio de sabotar outra instituição natalina, a entrega de amigo secreto, ou então a Missa do Galo. Esta última é mais fácil: basta embaralhar os sinais digitais transmitidos pelo Vaticano via Internet. Se você ouvir o Papa João XXIII proferir algum palavrão ou então incentivar o uso da camisinha entre os fiéis, então pode ter certeza que até mesmo a Santa Fé pode ser vítima destes inescrupulosos vilões do mundo virtual.

Um bom milênio para todos. Sem vírus.


** Marcelo de Andrade é jornalista pós-graduado em Comunicação Social pela  Faculdade Cásper Líbero.
    E-mail: marceloandrade@editabr.com

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